O Sol a Correr e a Chamar por Ti

Flores de Mar, 2016

Esta manhã, ouvi o teu nome:

Fui à janela!…

E o que vi?!…

O sol a correr e a chamar por ti!

E… tu, com asas nos pés, manto verde ao vento, pente florido na seara do cabelo, continuavas voando nos teus pensamentos com os teus olhos fixos no longínquo horizonte, observando tudo, acariciando a folhagem das árvores à tua passagem – coitadas das flores adormecidas que acordavas! Ah! E a fruta madura?!… Era a criança ou algum velhinho que passava quem a apanhava!

Até a nuvem preguiçosa te perseguia. Ah!… E… o boné do Zé Povinho?!… Levantava-se e cumprimentava-te! Mas… o pobre do Zé, que era ciumento logo se desanimava, porque via a saia da sua Maria, que rodopiava, e… quase tudo mostrava!…

E… o sol continuava a correr e a chamar por ti!

As casas brancas, que o astro rei não tinha afagado com as suas mãos quentes, estavam de boca aberta, pois não percebiam o que estava a acontecer!…

E… tu voavas nos teus pensamentos de ouro, semeando searas e admirando as espigas, lançando redes, pescando cardumes, acordando sereias com cantigas, ensinando isto e aquilo, e mais aquilo, e ainda mais isto e aquilo com um pedaço de céu azul na mão e uma caneta de arco-íris no coração!

E… o sol continuava a correr e a chamar por ti!

E… esticava os seus braços cada vez mais, até que… olhou para o céu e fez um sinal a uma estrela cadente, que sorriu, pestanejou, lavou os olhos com o orvalho da alegria, penteou os seus cabelos com o pente dourado da tranquilidade, sacudiu-os com a graciosidade de uma menina-mulher, e… voou, voou, voou e…
Tocou o teu rosto com a doçura aveludada dos seus dedos, refrescou os teus lábios com a água fresca de um cocharrinho alentejaninho, e… encheu os teus olhos de sorrisos!…

E… o sol parou de correr e voltou a chamar por ti!

– Primavera! Primavera! Primavera!

Silenciosa, a tua boca abria-se para agradecer, mas o sol tinha-te deixado envolto na sua luz e… já estava a aquecer as casas brancas!

Dançando à tua frente, a estrela cadente rodopiou e começou a elevar-se suavemente no ar, beijando-te com o perfume doce das suas palavras:

– Bom Dia, Primavera! Bem-Vinda! Abraça a vida!

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