O Salão de Bem-Estar e de Beleza da Pagizinha

A Pagizinha

Visitei a Pagizinha circunstancialmente.

Depois de ter tratado de um breve assunto com a sua mãe, chegou a aguardada explicanda de Matemática.

Não deixei a Pagizinha sozinha na sala; fiquei a fazer-lhe companhia! Mas, o que eu não sabia, era que me encontrava num salão de bem-estar e beleza!

Sentei-me no sofá.

A minha amiguinha começou por observar a minha mão.

– Eu sou médica, mas também sou uma grande massagista! Vou fazer uma massagem na tua mão – disse-me com um ar muito profissional.

Sorri, concordando, mantendo a minha mão estendida.

A minha massagista privada foi buscar uma “pomada”: o seu gel corporal da Mustela.

– Este creme é muito bom, e barato! Também o uso nas pernas e nos braços. Sinto-me muito bem! Também é bom para os pés! Digo-te já. E é barato! – informou-me, acenando a cabeça, afirmativamente, deixando-me muito tranquila relativamente ao seu efeito.

Colocava umas pequenas bolinhas do fantástico produto na sua mãozinha, depositava-o sobre o meu polegar, e massaja-o de dentro para fora com a delicadeza de um anjo – nem a minha dor se queixava.

O tratamento demorou algum tempo, que a técnica ia preenchendo agradavelmente com as suas histórias, algumas de mãe preocupada com a vacinação de uma filha, o receio de outra apanhar a varicela…

– Devias ir a um osteopata para te tirar as dores da mão. A minha mãe também vai, e anda muito melhor do corpo todo! – sugeriu-me.

Concluído o tratamento, a Pagizinha médica-massagista decidiu passar a outra das suas especialidades: manicura.

– Vou pintar as tuas unhas! Eu faço unhas de gel! Bués, laris, larás! – declarou determinada.

Foi buscar os vernizes.

Sentou-se à minha frente num banquinho verde, e perguntou-me:

– Queres este cor de laranja ou o cor-de-rosa (“choque”)?

Esta experiência de unhas de tons fortes era inédita, mas acabei por escolher o verniz laranja, que a Pagizinha foi pincelando meticulosamente na minha mão direita.

– Agora pinto-te as unhas desta mão de cor-de-rosa. Gosto muito! – afirmou, pegando na minha mão esquerda. Depois vou buscar o secador de unhas; já tem pilhas novas.

Mas, antes do secador de unhas, a minha manicura ia testando com os seus dedos de unhas pintadas por si, se o verniz estava seco.

– Vou pôr-te um verniz brilhante por cima destes – adiantou, pegando num fraquinho, e segurando na minha mão direita para dar início à sua tarefa!

Nunca as minhas unhas tinham sido tão bem pintas em cor e camadas; trabalho de uma profissional, claro!

– Não sei o que dirá o meu filho quando vir as minhas unhas – pensei em voz alta.

– Vai gostar, podes ter a certeza. Os rapazes gostam todos destas coisas – assegurou-me a Pagizinha.

Terminada a secagem no coração azul iluminado, a médica-massagista-manicura, olhou para o meu cabelo, mediu a minha franja com os seus dedos e concluiu:

– Já tens a franja grande! Podias cortar.

Afastou-se e apresentou-se na minha frente com uma ameaçadora tesoura.

Convencia-a de que não era oportuno o corte, mas passei, na mesma, à fase da cabeleireira.

Então a Pagizinha médica-massagista-manicura-cabeleireira pegou numa travessa de cabelo, de tamanho médio-grande, a que chamava pente, e após a explicação da sua utilidade, noutros tempos, para prender o cabelo, começou a pentear a minha franja para trás.
Parou, pensativa, e esclareceu-me:

– Este pente pode ter piolhos ou ovos de lêndeas. Vou pôr-te o perfume Rainha do Gelo – decidiu.

Foi buscar um gracioso fraquinho com uma sorridente imagem feminina, e começou a pulverizar a raiz do meu cabelo à volta da testa, dizendo:

– Põe-se aqui nos cabelos. Eu gosto! É bom para matar os piolhos.

Fiquei sem franja, mas, em contrapartida, tinha o cabelo penteado para o lado, e um enorme gancho azul turquesa, que mereceu um elogio da minha cabeleireira:

– Este gancho fica-te muito bem! Pareces mais nova. Posso emprestar-te, e levas para a tua casa. O pior é se tem piolhos.

Terminada a explicação de Matemática, também as atividades da Pagizinha médica-massagista-manicura-cabeleireira tinham chegado ao fim.

Lanchámos as três: ela, a mãe e eu, agradável e animadamente.

Despedimo-nos, e quando a minha afilhada-amiga me trouxe à porta, como lhe é habitual, olhou para mim e disse-me:

– Fiz-te dois serviços: pintei-te as unhas e arranjei-te o cabelo; são dois euros.

A mãe ficou estupefacta e só conseguiu pronunciar o seu nome, em tom de repreensão. Ela respondeu, aflita, mas determinada:

– Mas eu trabalhei a sério!

Mais tarde, ainda tivemos oportunidade de abordar e refletir sobre este episódio próprio de uma profissional, que me fez sorrir – afinal fora uma hora de trabalho, ininterrupto, e… “a sério”, sem honorários pelo serviço de médica-massagista.

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