As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Sorriso e o Sol Escondidos

A Janela da Muralha

Naquele dia, o Nito foi o primeiro a entrar no castelo. Estranhou a ausência da Nita, mas começou logo a pensar pregar-lhe uma partida.

Quando a amiga entrou toda risonha, dirigiu-se-lhe e apresentou-se:

Nito – Olá! Eu sou o sorriso aberto! Já tinhas ouvido falar de mim?

Nita – Não! Mas já vi um sorriso fechado! Do contra! Começou a abrir a boca com um palavrão, o Sr. “Não!”, e escondeu-se.

Nito – Oh! Então esse é o sorriso que brinca às escondidas como o sol?

Nita – Sim!

Nito – Ahhh! E…. como é que eles fazem isso?

Nita – Olha, o sol esconde-se nas nuvens, e o sorriso no: “Não!”

Nito – E… como é que os vemos?!…

Nita – Com os olhos do coração, Nito! Queres ver o que diz o sol ao sorriso quando vai desabrochando nas pétalas rubras e saindo do seu esconderijo?

Nito – Quero, pois, Nita! É que… não digas a ninguém, mas eu gosto de sorrisos que estejam bem de frente para mim, daqueles escancaradinhos, e… dos malandrecos também, e… dos doces, mas… só para mim! Sou um tipo… fixe! Não sou nada! Mas… tenho bons gostos! E… olha, se os sorrisos são para mim, venham eles!

Nita – Está bem! Agora presta atenção, mas lembra-te de que o sorriso escondido gosta muito de fazer perguntas. Estás preparado?

Nito – Estou sempre, Nita! Calhando, ainda lhe respondo, nem que seja com um sorriso.

Nita – Ah! Ah! Ah! Pergunta o sol:
– Vês o brilho renovado dos meus raios dourados a espreguiçarem-se, e a abrirem as portas do dia como candeiazinhas douradas fervorosas de festa?

Nito – E o sorriso escondido responde:
– Sentes o calor sisudo das minhas carícias mudas, e ficas preso nos meus abraços fortes e coceguentos?

Nita – Continua o sol:
– Que brincalhão! Eu é que tenho braços fortes, dourados e coceguentos, no verão. Mas tu e eu partilhamos silêncios, e palavras, e histórias bordadas de mar turquesa com cantos de sereias e danças de golfinhos com guardiãs da costa?

Nito – Percorremos as nossas praias descalços na madrugada de todas as horas, sol?

Nita – Escalamos as nossas montanhas verdejantes de arco-íris com perfumes de flores silvestres, sorriso escondido?

Nito – Caminhamos sobre as águas de sonhos com coroas floridas pelas mãos dadas de crianças, sol?

Nita – Saboreamos sorrisos tímidos, e risos robustos, e gargalhadas livres, sorriso escondido?

Nito – Acendemos juntos a tocha da alegria com fricções de águas transparentes em pedras resistentes, amigo sol?

Nita – Damos dentadinhas nos frutos suculentos da árvore florescente do novo dia, e lavamos os lábios com sorrisos doces de maresia ondulados de maresia, amigo sorriso?

Nito – Conclusão, Nita, conclusão!

Nita – Conclusão: o sorriso escondido é como o sol oculto num dia nublado: sabemos que está presente, mas… não vemos o brilho renovado dos seus raios dourados a espreguiçarem-se, e a abrirem as portas do dia com candeiazinhas douradas fervorosas de alegria! Continua, Nito, se faz favor!

Nito – Eu?!… Tem de ser?!…

A Nita permaneceu em silêncio e fez um gesto afirmativo com a cabeça.

Nito – O sorriso escondido guarda para si o calor doce e brincalhão das suas carícias, Não ficamos presos nos seus abraços fortes e coceguentos. Não partilhamos silêncios, nem palavras, nem histórias bordadas de mar turquesa com cantos de sereias e danças de golfinhos com guardiãs da costa. É a tua vez, Nita, antes que eu perca o meu sorriso!

Nita – Com o sorriso escondido não percorremos as nossas praias descalços na madrugada de todas as horas, não escalamos as nossas montanhas verdejantes de arco-íris com perfumes de flores silvestres, não caminhamos sobre as águas de sonhos com coroas floridas pelas mãos dadas de crianças. Nito, vá lá, falta pouco.

Nito – Não saboreamos sorrisos tímidos, nem risos robustos, nem gargalhadas livres. Não acendemos juntos a tocha da alegria com fricções de águas transparentes em pedras resistentes, não damos dentadinhas nos frutos suculentos da árvore florescente do novo dia, nem lavamos os lábios com sorrisos de bom dia!

Nita – Muito bem, Nito!

Nito – Retiro-me com olho vivo e… cara de riso – estás a ver, Nita?!…

Nita – Que engraçadinho!

Nito – Mas, primeiro, vamos a um joguinho? Esta brincadeira puxou muito por mim; devíamos apresentá-la à Sr.ª Professora!

Nita – Boa, Nito! Ela vai gostar! Vamos ao joguinho, Nito do sorrisinho escondidinho!

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