A Minha Aldeia – A Baía da Infância

A Minha Aldeia, 2014

Na baía da minha infância baloiçam barcos brancos com remos azuis e sonhos dourados, sulcando as manhãs claras e nuas cobertas com mantos brilhantes de esperança, estendendo as redes cintilantes de abundância nas praias adormecidas, beijando-as doce e silenciosamente com lábios de ondas, suaves carícias de crianças crescendo com o raiar do sol!

Na baía da minha infância, as gaivotas dançam com as mãos estendidas das mulheres acenando aos seus homens e aos frutos dos seus ventres, eternos infantes, com flores falantes de trémulos sorrisos, graciosas e belas, brotando água fresca musicada de amor nos verdes vestidos esvoaçantes, suspirando pelo vitorioso regresso da faina, pintando a ribeira de prateada pescaria!

Na baía da minha infância, há palavras silenciosas nas estrelas vigilantes contemplando o novo dia, iluminando os corações das embarcações repassadas de saber, despertando destemidos desejos no xadrez colorido das grossas camisolas dos pescadores debruçados sobre as amarras calejadas de luta e de salgadas dores!

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