Na Sala de Aula com a Vitória e o Vivaço – A Bela Avisah e o Cavaleiro Eurico

Contos de Criança

As férias de Carnaval estavam à porta; só faltava um dia para a esperada folia!
Havia uma grande agitação na sala, vestida de trajes que já se anteviam no desfile, a qual se silenciou com a entrada da professora, saudando os alunos com sorrisos.

Professora – Meus Meninos, vamos dar continuidade à apresentação dos trabalhos. Hoje é a vez da Vitória e do Eugénio, mais conhecido por Vivaço. Podem começar!

Os alunos levantaram-se, dirigiram-se para perto da secretária da professora, colocaram-se de frente para os colegas e deram início à apresentação.

Vitória – Sr.ª Professora, antes de começarmos pode dizer uma coisa acerca do nome do Vivaço?

Professora – Podes, sim, Vitória, porque és uma menina muito sensata, mas tens de ser breve.

Vitória – Obrigada, Sr.ª Professora. Não sei se o Vivaço sabe, mas Eugénio quer dizer “bem nascido”!

Vivaço – Que fixe! E sou mesmo! A minha família é do melhor! Sou um Vivaço bem nascido! Obrigado, Vitória sabichona!

Professsora – Muito bem! Vitória, podes começar, se faz favor!

Vitória – O Encontro da Bela Moura com o Cavaleiro Eurico
No seu rosto mourisco transparecia a suavidade de plumas de veludo com perfume de alfazema e carícias suaves de criança retocadas de doces beijos de mulher, massajando os seus lábios arrastados pela surpresa da noite, arrastando-se no êxtase do momento!

Vivaço – No seu corpo o despontar da vibrante primavera, percorrendo os sentidos com cantos de Afrodite nas ondas brancas, voando na unidade infinita!

Vitória – Nas suas mãos, o calor perfumado de corais de outras mãos, deslizando nas areais sedosas com nomes de deuses, chamando pelo vento!

Vivaço – No seu olhar nublado de magia de arco-íris, baloiçando-se na fantasia despida de escuridão, o cálice de ambrósia sorvido na simbiose do banquete da vida!

Vitória – A bela moura e o cavaleiro entreolhavam-se no silêncio cúmplice do desejo.

Vivaço – Nos seus lábios as formas rubras do deleite, derramando-se em sorrisos esvoaçantes, cruzando os céus com sinfonias azuis de aves dançantes!

Vitória – Na janela aberta do seu ser, o cavaleiro, para além das formas definidas de um homem habituado ao uso musculoso das armas, trazendo escondidas na peito muitas histórias para contar com aguarelas e pincéis coloridos de memórias, vislumbravam-se páginas abertas de um livro para o mundo com bailarinas, e meninos a bater palmas, colhendo fruta de uma árvore florida de sorrisos com pedacinhos de céu estrelado com ondas de alegria e pupilas voadoras de imaginação, poisando de mão em mão.

Vivaço – Nos seus graciosos braços de mulher, abrindo-se em calorosos leques de arco-íris, adivinhavam-se colares de flores tingidos de carícias de mel, enlaçando-se à volta do pescoço amado.

Vitória – Um manto misterioso de espuma espelhada mostrou dois rostos de olhares comunicantes, de sintonias, de suspiros garbosos, galopantes:

Vivaço – Minha doce Aavisah! Quantas saudades!

Vitória – Meu Cavaleiro! Visitei-vos ontem e… esfumei-me, deixando-vos com a nossa amiga! E… hoje, escondi-me no sorriso que lhe pedi emprestado, para vos surpreender!

Vivaço – Desculpai-me, minha doce Aavisah, meu tesouro escaldante! Jamais me havíeis visitado escondida! Ter-vos-ia prestado mais vassalagem amorosa, levado-vos a outras galáxias de venturosos encantos!

Vitória – Meu galhardo Cavaleiro, não vos inquieteis! Sois gentil-homem, tendes garra no manejo das armas, dominais a gestão das venturosas aventuras!

Vivaço – No horizonte, surgiu uma comitiva de gaivotas comandada pela Benfazeja, que desceu coroada com um balão de ar quente, vermelho!

Vitória – A bela Aavisah e o cavaleiro Eurico ficaram assustados e mudos. A Benfazeja ordenou-lhes:

” – Meus amigos, “deslarguem-se”, s.f.f.! Podem subir para o balão, e instalarem-se no banquinho de verga; se não tiverem espaço para ficarem ao lado um do outro, a Sr.ª pode sentar-se ao colo do cavalheiro! E haja respeito, cavaleiro Eurico!
Vou levá-los à vossa ilha onde ficarão a sós com todo o tipo de natureza, naturalmente!”

Vivaço – A doce Aavisah e o galhardo cavaleiro, que continuavam envoltos no seu manto de recíproco encantamento, sorriram com o olhar e renderam-se às ordens da Benfazeja!

Vitória – A gaivota-comandante prosseguiu:

” – Meus amigos, voltarão aos vossos destinos à tardinha antes do sol poente – ordens da patroa, a Alentejanita, a Rainha das Mouras!
A mourita Aavisahzita tem de ficar a brilhar no céu, porque o farol foi à praia, enamorou-se pela sereia Azul e ainda não voltou, e o cavaleiro Euricozito tem um compromisso de armas!”

Vivaço – O galhardo cavaleiro pareceu incomodado com a conversa da amiga Benfazeja! Mas…

Vitória – A doce Aavisah aproximou-se e segredou-lhe:

” – Meu amado Cavaleiro Eurico, ficai calmo, estarei a vigiar-vos! Não permitirei ninguém vos ataque, que vos toque! Voltareis intacto, mais garboso!

Vivaço – O balão vermelho atravessou o céu azul com sol doirado de chamas de beijos, que o mar turquesa refrescava com ondas de fruta suculenta, bailando ao som da sinfonia da orquestra da maestra Benfazeja, que espreitava a doce Aavisah e o galhardo cavaleiro Eurico, e… sorria, aplaudindo silenciosa e alegremente aquele ramalhete florido de magia!
FIM

Professora – Muito bem, Vitória e Vivaço! Muito criativos, divertidos, e… com “toques” mais ousados, de cavalheiro, não é verdade, Eugénio?

O Vivaço corou e olhou para a Júlia!

A Vitória sorriu e ajeitou os óculos!

A turma, boquiaberta, aplaudiu o trabalho dos colegas!

Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: