As Brincadeiras da Nita e do Nito – Uma História de Chapéu de Sol e Óculos Escuros

A Janela da Muralha

Era verão!

A Nita trazia um lindo chapéu com uma fita cheia de margaridas amarelas e brancas, formando um lindo laço atrás, de pontas caídas!
Olhou para a sua sombra refletida no chão e sorriu, vaidosa, pensando:

“O Nito nem vai acreditar no que está a ver!”

Mas… também ele estava diferente: tinha uns óculos de sol!

Olharam um para o outro, surpreendidos! Sorriram! Depois, a Nita quebrou o silêncio:

– Olá, menino!

– Olá, menina! – respondeu o Nito. Desculpa, eu conheço-te?!…

– Não sei! Mas eu conheço-te!- disse a Nita com um ar vivaço.

– Tens a certeza?!… – insistiu o Nito, entrando no jogo da amiga.

– Tenho, menino! – afirmou ela.

– Quem és tu?!… – quis saber o menino.

– Eu sou a Clarinha! – apresentou-se a menina, esboçando um sorriso.

– Qual Clarinha?!… Desculpa, mas… não estou a ver! – questionou o menino.

– Então? Não vês bem? Pode ser dos teus óculos! São giros!- gracejou a Clarinha.

– Ó Clarinha, pareces-me muito espertinha! – opinou ele com cara de poucos amigos.

– Não sou nada, menino! Mas… queria prestar-te um esclarecimento – adiantou a Clarinha.

– Mas, eu não tenho dúvidas! – afirmou o menino, carregando o sobrolho.

– Eu sei, menino, mas eu gostava de…- continuou a Clarinha, hesitante.

– De?!… – repetiu ele.

– De esclarecer-te que hoje não haverá jogo de bola aqui neste campo, Albaninho! – afirmou a Clarinha.

– Albaninho? Quem é que te disse o meu nome?!… – perguntou, admirado, o menino, olhando por cima dos óculos de sol.

– Ora! Ouvi aquela miúda do biquini verde chamar por ti ontem, ali na praia!, quando te pedia para parares de fazer-lhe cócegas – esclareceu a Clarinha, balançando as pontas da fita do seu chapéu.

– Pois! Não ando oculto, divirto-me, porque estou de férias! Ordens da Rainha das Tágides do Reino dos Alfacinhas – declarou o Albaninho.

– Da Rainha das Tágides?!… – perguntou a Clarinha muito admirada. Quem é essa senhora? Aqui no Alentejo, temos muitas mouras encantadas, e mouros, princesas e príncipes; Rainha só na Ilha das Pesseguinhas, mas… são só lendas. Ah! E a rainha do Carnaval, mas cada ano é uma, a mais bonita, e também um rei; às vezes, elegem o mais gordo ou o mais divertido.
Quando formos grandes, até podemos ser estes reis.

– Muito me contas, Clarinha! Quanto a sermos os reis do Carnaval da terra dos caramujos, nem pensar! Não gosto do Carnaval, nem de dançar! – declarou o Albaninho.

– Coitadinho, Albaninho! A dança é a música a tocar dentro de nós! Se quiseres, ensino-te uns passos; é fácil e divertido! Queres, Albaninho?

– Não, obrigado, Clarinha! Não preciso! Vou dar uma volta! Adeus, Clarinha! Até um dia destes! – respondeu o Albaninho, afastando-se!

– Nito! Nito! Aonde vais? – chamou a Nita, aflita!

– Ah! Ah! Ah! Nita! Achaste que ia deixar-te aqui sozinha? Eu? O teu amigo Nito?!…

– Nito, assustaste-me! E… se fôssemos passear os teus óculos de sol e o meu chapéu de margaridas à feira?

– Boa, Nita-Clarinha! Podemos andar nos carrinhos de choque e comer uma fartura, a meias, para não gastarmos a mesada!

– Boa, Nito-Albaninho! Podemos andar no carrocel e comer algodão doce para ficares com uns bigodes brancos!

– Engracadinha! Vamos? – disse o Nito.

– Vamos! – aceitou a Nita, sorrindo!

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