O Tico e o Quico na Praia – 2.ª Página

Meninos na Praia

– Tico, o buraco está a encher, mas… não é água! E tem um cheiro!…

– Deixa o mano ver, Quico!

– Humm… deve ser água férrea! – declarou o Tico.

– Mano, será água do Rio da Moura?!… Mas… ela não era doce?!… Desencantou-se numa “linha férrea”?!… E… ficou sem príncipe?!… “Tadinha”! – questionou o Quico.

Naquele momento, os meninos começaram a ouvir uma suave melodia, vinda do fundo da escavação:

– Meninos, meninos! Ajudem-me! Sou a fada do reino do capital como as minhas irmãs! Fomos encantadas e soterradas para sermos transformadas em “pitrol”, ” gasol” e “gasolinha”, a sua mulher, e outros!

– Ohhhh! – repetiam os meninos olhando um para o outro, estupefactos!

– As nossas origens vão ser camufladas, para alguns homens enriquecerem, enganando os outros! – continuava a voz misteriosa.

– Ó mano, mas… os fatos camuflados são do exército!… Vamos ter guerra?!… Lá tenho de ir para o colégio militar, mas… não tem caramujinhas, nem pesseguinhas, nem meninas de outra marca qualquer! Também não acho jeito, por causa do recolher e da alvorada! – retorquiu o Quico.

– Vamos, sim, mano! Mas… uma guerra da economia mundial! – afirmou o Tico.

– Ó Tico, como é que sabes?!… E… as meninas?!…

– Sei, sim Quico, porque vou ser um combatente! E… as meninas não são para aqui chamadas, embora também sejam arrastadas!

– Ó mano, coitadas das meninas! Parece-me que não gosto desse jogo! Eu sou mais entretimentos e descobrimentos com estórias para ficarem para a história! Pronto! Ouviste bem, Tico?

– Muito bem, mano! Só quero que sejas feliz! E… estarei sempre ao teu lado! – afirmou o Tico.

– Obrigado, mano! És um fixe, o melhor irmão do mundo! “Bora” ouvir a pobre da moura, Tico?!…

– “Bora”, Quico, antes que ela parta para ir cumprindo o seu destino!

A voz continuou calma e determinada…

– Escutem, meninos! Vou transformar este buraco num poço onde permanecerá a minha irmã Nova Era, e deixo-a à vossa guarda!

– Boa, moura encantada! E… podemos ver a tua irmã?!… É gira e bem compostinha?!… – perguntou o Tico, curioso.

– Eu preferia que ela fosse ainda uma menina, e que gostasse de ver televisão, para ir com ela ao Lusitano, ao Centro ou à Esplanada! – manifestou o Quico.

– Ouçam, meninos! Não poderão ver a minha irmã como não me vêem a mim! Mas… tu, que és o mais velho, terás muitos privilégios com as mouras, apesar de abominares a sua ascendência, por causa dos bafo a sumo de uva na atmosfera nacional – alguém tem de pagar as cotas! Serás recompensado! – informou a Fada do Reino do Capital.

– E eu?!… Não ganho nada? – perguntou o Quico com um ar preocupado.

– Ganhas, sim! És um bom menino, por isso, ficarás com a chave da tampa do poço, e só a entregarás a uma menina da vossa descendência! – respondeu a fada

– Mas devia ser um menino a tirar a tampa à mourita Nova Era, não era, moura mana velha?!… – quis saber o Tico,

– Sim, menino, mas essa menina terá um primo junto dela e… não vos posso revelar o mistério!… – continuou a voz.

– Está bem, Fada do Reino do Capital! E onde guardará o meu irmão tal chave?!… – questionou o Tico.

A resposta surgiu clara, de imediato:

– Ele guardá-la-á num destes três sítios: no pesado cofre ou num canto da serração – cuidado, porque será abandonada, terá a porta aberta, os vidros partidos – ou no armazém, que terá ao seu lado de uma pequena igreja!

– E vou recebê-la já?!… – perguntou o Quico.

– Não podes, Quico! É demasiado grande para as tuas mãos! O teu irmão ajudar-te-á e encontrá-la quando já tiverem os cabelos brancos! Estará numa praia! E… uma gaivota irá conduzi-los!

– Ajudá-lo-ei com muito gosto! E… quanto à recompensa das mouras?!… Estou curioso e… ansioso!- perguntou o Tico um pouco corado.

– Eu sei, Tico! E… terás um grande papel profissional, muito trabalho, mas muito sucesso também, e noutros âmbitos! E… vais sentir bem-estar e divertires-te com a escrita! Tudo a seu tempo, menino apressadinho!
Vou retirar-me!
E… agora, molhem os pés, lavem a cara, atirem água um ao outro, mergulhem, nadem, nadem e… deixem que este dia e os vindouros vos sorriam com carícias docemente refrescante de alegria!

FIM

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