Noite de Natal à Beira-Mar!

Praia Revolta, 2015

Noite de Natal!

Percorri o silêncio da imensa e bela praia, entre as tuas pegadas e sonhos de criança-adolescente no eco do pueril riso, e nos caminhos desenhados e perseguidos pelos doces murmúrios de ondas preguiçosas e brincalhonas com o brilho madrepérola de conchinhas, que as estrelas beijavam…

Aproximei-me e vi…

– Rios, mares e… pedras sobre as quais os anjos saltavam, se equilibravam, aproximavam de margens e portos cheios de gente!

– Espuma alva, fofa e delicada repassada de beijos de luar e rostos estrelados de crianças, a brincar, a correr, a chamar umas pelas outras, de braços abertos,de lábios trémulos e corações cheios de marés vivas de amor e alegria!

– Ondas, formando regaços de mulher, amorosas e calorosas, de diferentes gerações, e abraços de vozes roucas de homem!

E…

– Barquinhos de papel, botes na baía, barcos a crescer no estaleiro perfumado, traineiras a navegar, canas de pesca a saltar, redes a levanta!

– Gaivotas vestidas de noiva a anunciar a festa da pescaria, e meninos a sorrir e a correr, pintando os rostos tristes das viúvas de esperança!…

– Papagaios de papel, e aviões a esvoaçar no pontal, pintando arcas, arcas e arcas de tesouros fechadas a sete chaves guardadas em jardins perdidos de maravilhas com flores a espreitarem o nascer do dia e o sol poente!

E…

– Ilhas de encantos e alguns passos sozinhos, e muitos, muitos alinhados, ritmados, sintonizados, transbordantes de delícias da terra até ao céu!

– Saudades, flores perfumadas de ausências, raízes de força perene a embalar a vida, flores da manhã, beijos de boa noite, sol esplendoroso de meio-dia!

– Festas, encontros, mesas postas com doçaria de afetos, calorosos banquetes de família, cálices erguidos à vida!

E…

– Palavras a sorrir, algumas nubladas, debruçadas à janela das memórias escondidas, emergindo da essência do ser, por vezes brincando com a imaginação com gestos espontâneos, saltitantes, ricos de encanto, despontando alegres sorrisos!

– Rostos, o rosto-querido, o rosto-amigo, o rosto-desconhecido, o azul do céu e do mar a olhar os jardins com danças de vento, e canto de rouxinóis, o rumor dos pinheiros na voz da noite, o brilho do coração saudoso em cada sorriso!

– Barquinhos, secreto esconderijos, impenetráveis no seu vogar!…

E…

A roupagem branca a cobrir os corpos frios e cansados, as bóinas e os chapéus desbotados de escamas prateadas, as pesadas botas de borracha e as gastas alparcatas!

A luz dourada do farol a brilhar nas mãos puras das crianças e rugosas dos idosos, iluminado os passos do dia-a-dia, segredos verdadeiros que a pressa, por mais que peça, não cessa!

A liberdade contida numa conchinha transparente, acordando o dia quando o Menino Jesus nascia e sorria, e a luz da paz e do amor difundia!

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