As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Ida à Hortinha, 2.ª Página

A Janela da Muralha

Antes de chegaram aos Penedos, aproximou-se uma jovem ciganita de lindos e longos cabelos azeviche, olhos cor de azeitona, enormes, boca carnuda e bem torneada, seios salientes espreitando no decote e uma saia justa até aos pés, marcando as formas do corpo!

O Nito deu um passinho e aproximou-se da ciganita como uma borboleta atraída pela luz!

Ela olhou para os amigos, sorriu e disse:

– Meninos lindos! Lindas mãos para ler a sina, deixam?!… Não levo nada!

– Desculpe, linda jovem, mas… não temos tempo! – respondeu a Nita muito séria, puxando pelo braço do Nito.

– Ai, deixa, menina deixa! Menino mãos compridas, de homem grande – afirmou insistente, pegando nas mãos do Nito, que sorria lisonjeado!

– Pode largar as mãos do meu amigo, s.f.f.! – insistiu a Nita com cara de poucos amigos.

A ciganita parecia não ouvir a menina, e continuou…

– Menino mui grande, mui sortudo e sisudo! Trabalho… muito, muito bom!… Viagens… muitas!… Barco grande, voos pássaros grandes, de lata!…

– Já chega! Vamo-nos embora, Nito?!… Olha, eu vou! – interrompeu a Nita, afastando-se, de braços cruzados…

– Ó Nita, desculpa, mas tenho de agradecer à linda ciganita! Espera! – declarou o Nito.

– Gazelita, menino!… Sou moura! Estou encantada! Até um dia! – adiantou a jovem, sorrindo.

– Obrigada, Gazelita! Nunca vi nada assim! E as tuas mãos?!… Eu tenho boa memória! Até um dia! Até um dia! – agradeceu o Nito, afastando-se, olhando para trás!…

A Nita ia à sua frente, apressada, amuada, enciumada!…

Quando entraram no castelo, ela dirigiu-se às escadas e sentou-se no degrau habitual, aquele a que a Albinha, a gaivota-amiga, batizara por: “O Trono da Nita”. Tirou o bloco e o lápis do bolso e começou a escrever.

O Nito, intrigado, e sem obter uma palavra da boca da amiga, pediu-lhe:

– Nita, vá lá! Fala comigo! Diz-me o que estás a fazer, s.f.f.

A Nita continuava muda, escrevendo. Depois levantou-se, estendeu-lhe a folha que tirou do bloco, e saiu serenamente.

O amigo ficou estupefacto. Seguiu-a com o olhar, e chamou-a:

– Nita, Nita! Anda cá! Vamos conversar! Nem me disseste se gostaste do nosso passeio!

A menina continuou indiferente ao apelo do amigo e saiu do castelo sem olhar para trás.

O amigo começou a ler a folha do bloco…

“Dia da alegria em boa companhia!
Passeio surpresa com bananinhas da hortinha do Sr. Jaime à mesa da natureza!
Obrigada, Nito!
Água milagrosa de Santa Luzia, fez mal aos teus olhos, Nito, com certeza! Até me perdeste de vista!
Amanhã podes ir dar uns saltinhos atrás da Gazelazita. Achas que ela sabe jogar à bola como eu?
Vou comprar um bolinho à Sr.ª do “Panito Mole”, que é muito simpática, e… ouvir o que o seu papagaio tem para me dizer.
Beijinhos!”

O Nito começou a correr e ainda viu a saia da Nita a entrar na casa da D. Amélia. Bateu à janela e pediu à Sr.ª para ser ele a pagar o bolo da amiga; ela sorriu, foi abrir-lhe a porta, e disse com um grande sorriso:

– Entra, rapaz! Nita, tens aqui uma visita! Hoje ofereço eu os bolinhos a estes meninos.

Os amigos olharam um para o outro envergonhados e contentes.
Agradeceram os bolinhos que a Sr.ª os deixou escolher.
O Nito pediu mais um bolo, da massa do pão, e disse à amiga:

– Nita, este vamos levar ao Sr. Jaime. Concordas?

– Boa ideia, Nito! Vamos!

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