As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Ida à Hortinha, 1.ª Página

A Janela da Muralha

Naquela tarde, o Nito não trazia a bola, facto que surpreendeu a amiga. Antes de ela se manifestar, ele antecipou-se:

– Nita, hoje vamos dar um passeio. Não faças essa cara! É aqui perto! Vais gostar!

– Humm! Não sei, mas se é aqui perto, vamos! – concordou a Nita.

O Nito e a Nita saíram do castelo e dirigiram-se às escadinhas da praia, silenciosos.
A Nita olhava para ele, desconfiada. O amigo sorria-lhe, e ela correspondia-lhe timidamente.

Pararam junto à hortinha. Desceram os degraus que davam acesso àquele lugar mágico, e a menina bateu levemente ao portão.

Depois ouviram a voz do Sr. Jaime:

– Está aberto, meninos! Entrem!

A menina empurrou o portão, mas este não cedeu, pois não se encontrava apenas encostado.

– Eu abro-o, Nita! – disse o Nito, estendendo o seu braço sobre o portão, tendo alcançado o ferrolho sem franzir o sobrolho, e concretizado o seu propósito, fazendo, seguidamente, uma graciosa vénia à “dama-amiga” para que ela entrasse!

A Nita sorriu, deu uns passinhos, passando com as manguinhas de balão, do seu vestido de florinhas amarelo-laranja, sob o nariz do amigo, e agradeceu-lhe, gracejando:

– Muito obrigada, jovem lusitano! Entremos neste verdejante palácio de teto azul com vista para a nossa praia, percorrendo os tapetes castanhos de estreitos carreirrinhos desta terra batida!…

O Nito esforçou-se por esconder um sorriso.

– Bom dia, meninos! Sejam bem aparecidos! “Atão” vai uma cenourinha?!… É do mais tenrinho que há! É só lavar! E ficam com os olhos mais bonitos! – saudou-os o dono da hortinha com nítida alegria.

– Obrigado, Sr. Jaime, mas se pudesse ser uma bananinha aqui para a menina, agradecia! – respondeu o Nito.

A Nita, surpreendida, corou e baixou a cara.

O Sr. Jaime olhou para os dois, sorriu, apanhou três babaninhas maduras, entregou-as ao Nito, e disse:

– Comam, comam! São docinhas, uma delícia! Podem sentar-se ali naquela banquinho, e depois lavem as mãos aqui no tanque!… Não temos toalha, mas o ar e o calor secam tudo!
Vou continuar com a rega!

– Muito obrigado, Sr. Jaime! Pode ir descansado! Não nos podemos demorar – agradeceu a Nita de olho nas bananas, sentando-se no banquinho.

O Nito ofereceu duas bananas à amiga e ficou com uma para si, mas ela achou que deviam dividir uma por ambos, o que, não obstante a negação do amigo, acabou por acontecer. Banquetearam-se, escutando a água a correr como se fosse ao encontro das ondinhas-bebés.

– Nito, queres ir à bica de Santa Luzia, que fica logo ali? – convidou a amiga.

– Ó Nita, mas o Sr. Jaime já disse que podíamos lavar as mãos no tanque – respondeu o amigo.

– E vamos lavar, Nito, mas a água da bica faz bem aos olhos. Porque é que pensas que se chama de Santa Luzia? – esclareceu a menina.

– Ó Nita, mas as pessoas costumam utilizar a água para tirar a areia dos pés quando vêm da praia! – comentou o menino.

– Só isso, Nito?!… És tão observador! – estranhou a Nita.

– “Bora” lá, miúda! Quero ver se avisto a sardinhas a saltar na Laidinha depois de lavar os olhos na bica milagrosa – concordou o Nito, brincando.

Os amigos despediram-se do Sr. Jaime, e dirigiram-se à bica, que ficava a pouco metros, mas no caminho…

(continua)

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