O Procópio e o Pirolito – A Candidatura, 1.ª Página

Menino Desenhor

– Olá!… Já cá estou! – anunciou o Pirolito, o papagaio-amigo.

– Outra vez?!… E depois eu é que… sou um chato!… – respondeu o Procópio.

– E… não és?!… – perguntou o papagaio.

– Não sou nada! – negou o amigo.

– És, mas não és, nem chato, nem pequeno chato, nem um grande chato! – insistiu o divertido bico negro.

– Afinal sou ou não sou?!…- desafiava o seu dono.

– És, mas não és nem um chatinho, nem um chatarrão!… – continuava o Pirolito.

– Afinal sou ou não sou?!… – questionava o Procópio.

– És um amigo, um fixe!- adiantou o papagaio.

– Ai, ai!… – desabafou o adolescente-amigo.

– Ai, ai?!… – interrogou o bico meio fechado.

– Ai, ai, queixo-me eu, Pirolitozito-amiguito, se não quiseres vir comigo à procura das palmeiras perdidas nos jardins dos templos, todinhos!

– Procopiozito-amiguito, mas as palmeiras-bebés-saudáveis não cabiam todas nos Penedos até ao Bairro das Índias, passando pelo Rossio?!…

– Pois! “Calhando”, até cabiam, Pirolito, mas “levaram sumiço”!

– E… será por isso que já convocaram uma cimeira com as Pesseguinhas, as Selvagenzinhas e as Berlenguinhas?!… – perguntou o papagaio, sacudindo as penas azuis da “testa”.

– Não ouvi falar sobre esse evento! Só sei que as ilhonas andam na disputa por um ministro que se encante por elas, que zele pelos direitos do seu território, e que não seja um tolo, nem lobo, nem um terrível!- afirmou o Procópio.

– Essa é que eu não sabia! – admirou-se o bico falante.

– Mas… ficaste a saber! – afirmou o amigo.

– E… sabes quais são os requisitos para ser ministro das ilhonas?!… Calhando, até me candidatava!… – perguntou o papagaio um pouco emproado.

– Sei, sei! – respondeu o Procópio com um sorriso malandreco.

– Então, diz lá, se faz favor!… – pediu o papagaio-amigo.

– Olha, Pirolito, eu não sei se faço bem, dizer-to, mas… ser garboso é um requisito obrigatório! Achas que as ilhonas são parvas?!… – informou o Procópio.

– Pois! Não devem ser!… Mas, Procopiozito, eu posso candidar-me na mesma; sou um garboso papagaio!- insistiu o Pirolito.

– Não podes nada! Ficas logo “de fora”! A não ser que… – refutou o adolescente-amigo.

– Não sei o que estás a cogitar, mas diz lá, menino espertinho! – observou o papagaio, levantando as penas.

– Não sou nada, mas… posso…- acrescentou o dono.

– Ai! Não podes, não, Procópio, porque ser espertinho não é outro requisito obrigatório, aposto! Mas… conta lá o que é que tinhas cogitado?!… – argumentou o papagaio.

– Não conto nada! – respondeu o menino amuado.

– Então conto-te eu, Procopiozito-amiguito: não vou desistir! Estou interessado no cargo! Elas teriam muito a ganhar com isso, e… eu, seguramente!

(continua)

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