Histórias de Fantoches – Um Dia com o João – 3.ª Página

O Fantoche João

– Ai, filhinho, não estejas a imaginar coisas que não existem!

– É verdade, mãe! Mas, os manos e eu não fazemos nenhum mal, nem estragamos nada. A mãe e o pai não nos deixam ir brincar para o largo da igreja, por causa da escadas e também não podemos subir, nem descer aquelas da casa do chefe da estação, por isso, imaginamos que as madeiras da linha são degraus, e saltamos de uns para os outros como se fôssemos fazer uma corrida numa escadaria de verdadae – explicou o filho do meio, o Carlos.

– Ai, ai, o que vai nas vossas cabeças, meus filhos – disse a D. Luzia com um sorriso!

– Mas a cabeça da mãe é igualzinha à nossa. Um dia, quando a mãe estava zangada, porque os manos e eu comemos biscoitos antes do almoço, pôs muita sopa nos nossos pratos e não conseguimos comer as batatas fritas, nem as salsichas todas.

Ao jantar, a mãe cortou tudo, pôs ovos lá dentro e fez aquela coisa redonda, uma …, ai, não me lembro, uma amarelinha, e o João disse que não gostava, porque parecia um sol e, se comesse, podia ficar com a barriga a arder ou então encandeava tudo e não nos deixava dormir à noite, porque seria dia no quarto dos rapazes, e a mãe respondeu-lhe que ele tinha de comer tudo, e para imaginar que era um pudim sem açúcar com bocadinhos de maçã – defendeu o menino mais crescido, o António.

A mãe dos meninos, a D. Luzia, ficou muito atrapalhada com a resposta do filho mais velho, e quis mudar de conversa, mas o filho mais novo, o João, puxou-lhe pelo avental cor de laranja com desenhos de fruta: uvas, peras, bananas, ananás e ameixas, que faziam crescer água na boca, e pediu-lhe:

– Mas, mãe, já podemos ir? Estávamos a brincar tão bem! E depois íamos contar às manas, à Joaquina e à Juliana, que tínhamos encontrado um tesouro num baú de chocolate com muitas coisas boas: caramelos, bombons, tabletes, rebuçados.

– Ah sim?! … E de quem era o tesouro? Já sei! Há bocadinho vi um pirata de perna de pau com olho de vidro e cara de mau deitado na corda da roupa, e muitos animais a tomarem banho no tanque. E havia um papagaio detective que andava à procura de alguém e só dizia: ” Meninos traquinas!” – respondeu-lhe a D. Luzia, com um ar muito misterioso.

– Eu também quero ver. Posso ir ao quintal? – perguntou o João.

(continua)

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