Archive for Agosto, 2015

O Leão Cego
Agosto 22, 2015

Sol Poente, 2011

Quem é leão e se enfurece, mas a pele de cordeiro veste, caminha na escuridão sem encontrar o seu norte, nem vislumbrar o este na luz que amanhece!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – As Pazes
Agosto 22, 2015

A Janela da Muralha

Naquele dia, a Nita já estava farta de esperar pelo seu amigo.

– Eu sei por que é que aquele amuadiço do Nito não apareceu aqui hoje! Mas ele já vai ver! – dizia a Nita, baixinho, à borboleta que andava à sua volta.

Levantou-se do degrau das escadas do castelo, sacudiu o vestido e dirigiu-se à casa do amigo.

Truz! Truz!

– Quem é? – perguntou uma voz de gente grande!

– Sou eu! – respondeu uma voz doce de menina.

– Eu quem?!… Não abro a porta a estranhos! – informou quem estava a espreitar pelo “ralo” do portão, com o condado da amizade no coração, mas pensando malandrecamente: “Agora vais ficar “picadinha”!

– Sou eu, tocado, a tocadinha! – respondeu a Nita.

– Não conheço nenhuma tocadinha! E… não quero ser tocado! – retorquiu a voz de menino disfarçada de homem.

– Vá lá! Abre o portão, Nito, s.f.f. – pediu a menina.

– Quem é esse?!… Também não conheço! – disfarçou ele.

– Deixa-te de coisas, miúdo-amigo! – insistiu ela, batendo o pezinho.

– Que coisas?!… Não percebo! O que é que tu queres, “tocadinha”? Já te passou o: ” Não gosto de Meninos…”?! – ecoou a voz clara do Nito.

– E não gosto, mas é dos outros! – esclareceu a menina.

– Conversa! – declarou ele, despeitado.

– Achas que é conversa?!… – inquiriu a Nita.

– Acho! Queres que eu te diga quanto tempo estiveste muda ontem à tarde, e me deixaste sozinho? Não é que eu tenha medo! Mas, não quer dizer que goste que me voltes as costas, e não me faças companhia! Até gosto de falar contigo, de ouvir as tuas coisas de menina, de brincar contigo… – justificou o Nito. Pronto! Já passou!

– Ó Nito, se já passou, porque é que não me abres o portão?!… Queria tanto dar-te um beijinho! – disse a Nita com a atenção voltada para os intervalos entre as pedras da calçada.

– Um beijinho?!… Não sei se quero, miúda! Ainda não ouvi o teu: “Cá por mim, já passou.” – afirmou o Nito!

– Não queiras! Olha! Podes recolher os outros que te enviei ontem pelo correio do coração, enquanto cogitava se tinha dado algum “beliscanito” na tua sensibilidade! Porque é que falaste alto comigo, aos gritos, em vez de conversares e rires? Até mudaste de cor, e ficaste azul com a derrota do teu clube, já sei. – esclareceu a Nita.

– Olha, “tocadinha”, se não estivesses a escrever coisas no chão com essa caninha, já tinhas visto que estou aqui! – disse o Nito, aproximando-se, sorrindo.

– Seu sorrateiro! Nem ouvi abrires o portão, Nito! – disse a Nita, levantando-se e abraçando-o!

– Não podias ouvir! Ele esteve sempre aberto, isto é, encostado; tu é que não percebeste. Vi-te da janela do meu quarto, corri para o portão, e empurrei-o quando bateste – continuou o amigo.

– Queres comer esta azeda comigo?!… É doce! E o orvalho lavou-a! E… o sol secou-a! – convidou a menina.

– Bora azedar docemente! E essa flor?!…- perguntou o menino.

– A flor, Nito, guarda-a no teu jardim, perto da tua árvore!! Verás que vai crescer e… multiplicar-se!- propôs a amiga.

– Nita, toma este bem-te-quer amarelo que apanhei para ti, enquanto conversávamos! – ofereceu o amigo.

– Obrigada, Nito! Toma esta pétala de bem-te-quero, miúdo-amigo, para pores na página deste dia no teu livro! – deu-lhe a amiga, tirando-a do bolso.

– Obrigado, amiga! – agradeceu o Nito.

– Nito, e… se abrisses a tua caixinha de música?!… Apetece-me dançar!- sugeriu a menina.

– Pode ser, Nita! Mas… eu prefiro abrir a minha caixinha de aguarelas, pegar nos meus pincéis e pintar estrelas coloridas com alegres sorrisos, e dois amigos, tu e eu a correrem atrás da sua bola!- respondeu o Nito.

– Boa, Nito! – apoiou a Nita com um grande sorriso.

Vencer com Luz e Inteligência
Agosto 22, 2015

Ser Árvore, 2010

Não há mal que aconteça, nem nada que esmoreça, a quem tem Fé e usa a cabeça!

A Florida Madrugada
Agosto 20, 2015

Flores Azedas-Lilases Doces, 2012

Caminhava perdida na madrugada!

Havia muitas flores à minha volta; todas diferentes, mas extraordinariamente belas, orvalhadas, frescas!

Olhava para umas e para outras. Imaginava-as em graciosos ramos multicoloridos, “bouquets” como dizia a florista, estendendo os seus lábios rubros, ou um lindo “molho” como me agradecia a minha tia no dia do seu aniversário, usando a linguagem do seu “lugar” de frutas e legumes!

Sorri para:
– o ardor dos cravos, simples e túnicos;
– a constância do gladíolo!
– o coração puro do lilás – ele também o tem!
– a fiel recordação dos miosótis – lá vem a doce-dolorosa saudade!

Cogitei:
Ah! Já sei! Junto-lhe também o coração feliz do alecrim, e a ternura do goivo!
Ah! Ainda me falta a pureza e majestade do lírio!

Mas, como poderia entregar assim esta “braçada” de flores, sem juntar os caules e… atalá-los com … com?!…

Podia ser com um fiozinho de rede! Ora! Seria como se o ramo levasse consigo o “cheirinho” do nosso mar, ora um doce menino, ora um jovem ousado, ora um homem imponente, ora um ser apaixonado, ora um pai zangado ou um amigo quando se sente incompreendido…

E… depois? Um laço?!…
Não?!…
Sim!…
Faria um laço com muito carinho, força e desembaraço como quem dá um espontâneo abraço!…

Dimensões
Agosto 19, 2015

Desafiando S. Torpes, 2011

Para além da grandiosidade das árvores, existe a luz do infinito; para aquém, a pequenez do homem!

Ser Criança
Agosto 19, 2015

Flor-Criança, 2015

Criança,

Tu és o girassol, o lírio, a açucena, a primavera a contemplar o mar com olhos floridos de doçura!

Tu és a carícia no olhar da baía, baloiçando os barcos cansados em busca do arco-íris!

Tu és o canto alegre dos golfinhos, embalando as ondas revestidas de beleza e de força!

Tu és a liberdade do pensamento, crescendo em direção ao mundo que te espera, e que surpreendes!

Tu és o sol-carícia dos dias tristes com gestos geométricos dos teus passos nos caminhos que sulcas!

Tu és o silêncio embalado pelo teu ser, a sinfonia azul, atravessando a manhã repassada de sorrisos!

Tu és a música, a dança, a alegria de mãos estendidas cheias de cintilantes fontes, enchendo a vida de magia.

O Nó e o Dó
Agosto 19, 2015

Despontar de 2011

Se há quem não dê ponto sem nó, no dia em que este se desata, de quem o fez se terá dó!

Histórias de Fantoches – Um Dia com o João – 2.ª Página
Agosto 19, 2015

O Fantoche João

– É verdade, mãe! Mas, os manos e eu não fazemos nenhum mal, nem estragamos nada. A mãe e o pai não nos deixam ir brincar para o largo da igreja, por causa da escadas e também não podemos subir, nem descer aquelas da casa do chefe da estação, por isso, imaginamos que as madeiras da linha são degraus, e saltamos de uns para os outros como se fôssemos fazer uma corrida numa escadaria de verdadae – explicou o filho do meio, o Carlos.

– Ai, ai, o que vai nas vossas cabeças, meus filhos – disse a D. Luzia com um sorriso!

– Mas, a cabeça da mãe é igualzinha à nossa. Um dia, quando a mãe estava zangada, porque os manos e eu comemos biscoitos antes do almoço, pôs muita sopa nos nossos pratos e depois não conseguimos comer as batatas fritas, nem as salsichas todas.

Ao jantar, a mãe cortou tudo, pôs ovos lá dentro e fez aquela coisa redonda, uma …, ai, não me lembro, uma amarelinha, e o João disse que não gostava, porque parecia um sol e, se comesse, podia ficar com a barriga a arder, ou então encandeava tudo e não nos deixava dormir à noite, porque seria dia no quarto dos rapazes, e a mãe respondeu-lhe que ele tinha de comer tudo, e para imaginar que era um pudim sem açúcar com bocadinhos de maçã – defendeu o menino mais crescido, o António.

A mãe dos meninos, a D. Luzia, ficou muito atrapalhada com a resposta do filho mais velho, e quis mudar de conversa, mas o filho mais novo, o João, puxou-lhe pelo avental cor de laranja com desenhos de fruta: uvas, pêras, bananas, ananás e ameixas, que faziam crescer água na boca, e pediu-lhe:

– Mas, mãe, já podemos ir? Estávamos a brincar tão bem! E depois íamos contar às manas, à Joaquina e à Juliana, que tínhamos encontrado um tesouro num baú de chocolate com muitas coisas boas: caramelos, bombons, tabletes, rebuçados.

– Ah sim?! … E de quem era o tesouro? Já sei! Há bocadinho vi um pirata de perna de pau com olho de vidro e cara de mau deitado na corda da roupa, e muitos animais a tomarem banho no tanque. E havia um papagaio detective que andava à procura de alguém e só dizia: ” Meninos traquinas!” – respondeu-lhe a D. Luzia, com um ar muito misterioso.

(continua)

O Valor da Bonança
Agosto 19, 2015

A Primavera Prometida, 2015

Quanto maior é a tempestade, mais benévola, longa e gratificante é a bonança!

Acolher a Manhã
Agosto 19, 2015

Reflexos Nublados, 2015

A manhã risonha abre-te a porta do seu jardim!

Acorda!

A-COR-DA!

Vá lá! Acorda!

Admira a sua beleza e os seus gestos na folhagem de cada uma das suas árvores!

Respira o perfume de cada flor que a brisa rouba às suas pétalas dançantes!

Escuta as notas musicais dos passarinhos escondidos, e segue as suas asas!

Sente o suave calor do sol a atravessar as casas, a lavar-se na baía, a acariciar-te!

Descobre no teu caminho longo outros caminhos, e… muitas fontes, e refresca-te, saciando-te!

Acolhe, com a face risonha do teu coração de criança, todas as pequenas-grandes coisas que te são oferecidas!

Toca o mundo com gestos de girassol, brincando com as searas às escondidas das papoilas!

Abre a tua caixinha de música, e espalha a bonança, a boa disposição, o saber!

Dá cores novas às pedras, aos rios e aos rostos tristes dos meninos e dos homens com o arco-íris das tuas aguarelas!

Aceita o beijo risonho musicado da vida com vaivéns de ondas de alegria, e agradece-lhe com um sorriso a espreitar de uma página azul do teu livro!