A Estrela Azul – 1.ª Página

Sombras, 2015

Era uma vez um menino gorduchinho com umas faces muito rosadinhas, o “Sonhador”, que gostava muito de olhar para o céu com “muitas luzinhas a brilhar” como dizia, às quais ia atribuindo nomes.

Numa das suas noites contemplativas, de repente, a estrela azul entrou pela janela do seu quarto e, de biqiuinhos de pé, num peculiar e gracioso gesto de bailarina, deslizou no tapete azul, e estendeu os seus dedos de cristal sobre o Fofinho, o cão do “Sonhador”, envolvendo-o num véu de tule dourado!…

O Menino, de olhos arregalados, quase deixou cair um chupa-chupa que tinha acabado de levar à boca e, denotando preocupação começou a
chamar, aflito, pelo seu grande amigo:

– Fofinho! Fofinho!

– Não te assustes, lindo menino, vais ter uma surpresa!… – disse-lhe uma doce voz!

– Quem és tu?!… – perguntou o “Sonhador”, girando a cabeça à procura de alguém.

– Sou a Estrela Azul! Olha para cima!

– Mas… eu nunca tinha visto uma estrela azul, vestida de azul, com olho azul, com um sorriso de menina e…- balbuciou pasmado.

– E?!… – indagou a Estrela Azul.

– E… com mãos de fonte dourada!… – concluiu o menino.

– É natural, lindo menino! Sou especial como tu! Sou discreta como tu! Gosto da noite como tu! Gosto de muitas coisas de que tu também gostas! E… gosto do carinho como tratas o teu amiguinho!
Mas… olho para ti todas as noites, e vejo tanta saudade no teu olhar, que esta noite decidi oferecer-te um presente, proporcionar-te uma grande alegria! Posso? – retorquiu a Estrela Azul.

– Podes! Quero! Agradeço-te, Estrela Azul! Obrigado! Oh!… Estás a encadear-me!… Onde estás?!… Já não te vejo!
Oh! Desapareceu como a moura da lenda, que ninguém desencantou! Mas… porque é que elas fazem isto?!… Não é racional! – expressou o menino.

– Ão, ão, ão! – chamou o vigoroso Fofinho agarrado à perna das calças do amigo!

– Fofinho, Fofinho! És tu, o meu grande Fofinho! – repetia o menino abraçando a custo o seu ágil amigo, ávido de brincadeira!

– Apanha-me! Vê se és capaz! – dizia o amiguinho numa linguagem que o Menino entendia como ninguém!

(continua)

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