Archive for Maio, 2015

As Solas Cansadas e Suadas
Maio 18, 2015

Sombras na Praia

O entardecer era o espelho de energia das estrelas-andantes que se aproximavam e, cintilando de alegria, umas calçadas, outras descalças, caminhavam, caminhavam!…

Uns pés escaldantes, um mais do que o outro, porque daquele lado o coração palpitava, as pobres solas suavam, suavam!

E a sola mais dócil prosseguia, prosseguia, e nem um: “Ai!” dizia!

Mas, eis que a sola rebelde, de tanto suar, resoluta e revoltada começou a descolar(-se)!

– O que é isto?!… – perguntou o raio inteligente de uma estrela-andante misteriosa.

Oh! Surpresa! Oh! Riso! Oh! Decisão do raio da determinação, que rapidamente a arrancou, e ficou com a sola na mão!

– Sou livre, já não ando arrastada pelo chão! – suspirou a sola aliviada.

Choramingando, a irmã sola foi gemendo, gemendo, aguentando, e cogitando:

– Não largo o pé escaldante, para ele aprender! Vais andar a “mancar”, mas eu não te vou largar!

E mancando, a marcha foi encurtada, sem serem somados os quilómetros, nem nada!

Sorriso do Dia – O Sr. S
Maio 18, 2015

Sonhos de Criança

– Saboreio as aguarelas da alegria!

– Sigo as vozes das marés e do vento!

– Sinto as carícias frescas da brisa!

– Semeio as palavras súbitas e subtis!

– Soletro as memórias suaves e secretas!

– Solto os sorrisos e semeio gargalhadas!

– Sonho acordado sem querer despertar!

– Somo sentimentos sintonizado do Ser!

– Sulco as sinfonias soalheiras do dia!

Dar e Partilhar
Maio 18, 2015

Version 2

Dá quem tem, conforme a riqueza do seu ser!

Partilha quem ama, conforme a dimensão e a transparência do seu coração.

Dá-se e partilha-se com o pueril sentir de uma criança, que te oferece os seus doces e os seus brinquedos preferidos, que te convida e se convida para brincar e permanecer contigo, que te lambuza com beijos, que te desenha nos seus poemas coloridos de desejos, que corre para ti, agarra-te e beija-te quando te encontras ali, mesmo que não estejas consigo, nem para si!

Estórias de Meninas – Os Chilreios das Andorinhas
Maio 18, 2015

Flores Acordadas, 2015

Manhã sonolenta de sábado!

Um chilreio alvoraçado de uma andorinha de saias; depois outro…

O eco de uma brincadeira que se adivinhava aos ziguezagues…

Depois… dir-se-ia que um bando poisara debaixo da janela, e… brincava, brincava, gritava, gritava!…

Eram sete andorinhas-meninas, mais ou menos da mesma idade, certamente alunas do primeiro ciclo, cabelos longos e morenos esvoaçando na sua correria, exceto os louros encaracolados presos na nuca com uma fitinha cor-de-rosa, igual ao casaco.

Eram catorze pernas aos saltos, dez de joelhos à mostra e quatro de ganga tapadas, formando uma roda mal formada, atirando umas às outras algo alongado, cinzento-azulado, dentro de um saco plástico, que se me afigurou um pequeno saco-cama.

Eram catorze braços de casacos de linha garridos vestidos, e três de ganga, mais rijos e compridos, levantado-se, baixando-se, protestando, batendo palmas às vitórias.

Eram uns óculos de aros de massa preta, tentando fazer da mais pequena, franzina e resmungona andorinha-menina, uma professora, que, de vez em quando dizia:

– Ó pá! Não temos nada para brincar! Eu quero ir para casa, mas a minha mãe não me deixa!

Eram as outras andorinhas-meninas ziguezagueando sem parar, a inventar, a inventar como podiam brincar para lhe agradar, sem descobrirem onde poder-se-iam esconder, e não paravam de gritar!

Era o jogo do tal saco, de uma mão para outra, ou para o chão com um coro bem orquestrado, acordando o silêncio, deixando o eco assustado com este refrão:

– Batata frita, um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez!

Era uma persiana a abrir-se no último andar!

Era uma voz feminina e branda:

– Pchiu! Pchiu! Pchiuuu!

Era a batata frita ainda a saltar, mas… com a chama mais branda, e o eco sempre a bracejar!

Era a persiana a abrir-se novamente no último andar e… uma voz masculina rouca, mal-humorada e muito malcriada, proferindo uma só palavra, que fez as andorinhas-meninas obedecer e… começar a correr! – que faria tal sujeito se as unhas do seu cão, que prefere ter em casa a dar-lhe liberdade no terraço, arranhassem a sua cabeça em vez da do vizinho de baixo?!…

Era o eco do bando das andorinhas-meninas, brincando ao longe na manhã que fora docemente presenteada com a calorosa frescura da sua presença!…

Aprender e Cultivar o Saber
Maio 18, 2015

Flores à Beira-Mar, 2015

A aprendizagem é uma interminável viagem em que se colhem: amoras dos valados, flores das pedras dos caminho, vitórias dos tropeções e das quedas, arco-íris dos olhos da natureza, sinfonias de esperança na dança da folhagem!

A aprendizagem é a ventura das aventuras, é o extenso e montanhoso poema do amor com rimas: cruzadas, emparelhadas, interpoladas, encadeadas, perfeitas, imperfeitas, das estrofes sem elas, é o terreno em que se cultivam as sementes do girassol da vida, que os sábios vão regando com sorrisos e lágrimas!

O Barco de Papel – 19.ª Página
Maio 16, 2015

O Barco de Papel

A Ervilhinha Tagarela propôs um jogo de adivinhas e começou:

– Muitas damas num castelo, todas vestem de amarelo;

– Verde por fora, encarnada por dentro, e com mulatinhas lá dentro;

– O que é, que é, diz-me já: faz-se no bule, chama-se… ?

O Ursinho Pimpão e o Cão-Inspetor agruparam-se com o Macaquinho Espertinho, o Babuíno Gordinho, o Chimpanzé Matulão, a Girafa Pescoçuda o Elefante Trombudo, a Zebra Riscada, o Antílope Macio, a Gazela Elegante, a Leoa Caçadeira. o Leão Espertalhão, e… – agora, quem adivinha?!… – fizeram um concurso de cantigas:

– Bichinha Gata;

– Cantiga de Embalar;

– Quem Vai ao Vento;

– Se Tu Visses o Que Eu Vi;

– Cantiga das Mentiras;

– Arre Burrinho;

– Cantiga dos Nomes;

– Ó Rosa Arredonda a Saia;

– A Ciranda;

– As Pombinhas da Catrina;

– A Nau Catrineta.

(continua)

Aerograma N.º 22 – Flores de Mar
Maio 15, 2015

Chorões de Despedida, 2015

Para ti, querido, sempre presente e saudoso tio-irmão-amigo, estas flores de mar do Norte, manto da vida que repentinamente abandonaste sem te despedires de nós, deixando-nos de braços abertos à saudade de que nos tornaste herdeiros para sempre, e à tua dor de pai-amigo-avô, a quem tanto amaste, e que tão mal te amou!

Bem-haja quem te amou e alegria te proporcionou!

Estórias de Meninos – Os Três Irmãos
Maio 15, 2015

Meninos

Era uma praia apinhada de gente onde não havia um lugar para colocar uma toalha, mas tudo sorria. Alguns veraneantes sentavam-se à beira-mar, deixando-se tocar pelo rebentar suave das doces ondas, que brincavam com as crianças.

Era uma peculiar melodiosa de vozes orquestradas pelo sol, pelo mar, pelo calor, pelo sabor a sal, abraçando os corpos brancos, avermelhados, bronzeados, pelos gritos das crianças felizes a chapinhar na água e outras amedrontadas, misturados com o pregão da batata frita, da bola de Berlim, da bolachinha americana!…

Eram três meninos e um colorido e esvoaçante papagaio de papel, ziguezangueando velozmente no céu azul, rodando as suas cabeças de um lado para o outro, colocando molas saltitantes nos seus pés calçados com a frescura dos grãos de areia dourada, soltando risos e muita gargalhada…

Eram seis ágeis braços, de tamanho desigual, e a expedita atenção do irmão mais velho, comandando as operações, respirando os delirantes movimentos que a brisa da sua praia de sonho acionava!…

Era um sorriso vigilante e amorosamente discreto da orgulhosa mãe, chamando os filhinhos para banquetearem-se com o delicioso lanche que lhes preparara!…

Era um colorido papagaio de papel deitado na areia a descansar e a apanhar sol.

Eram três meninos a correr, a brincar, a mergulhar na água deliciosamente fria, a saltar, a perseguir os cardumes de pequenos peixes que fugiam deles, a sorrir nos seus pequenos gestos e diversos movimentos, saboreando a renovada aventura, que só a sua praia, onde tinham uma “casa” de lona, lhes proporcionava.

Era um dia dourado da infância a brilhar no mar azul da vida, a oferecer inesquecíveis sorrisos repassados de alegria, que um dia a saudade regaria de saudoso orvalho!

Sorriso do Dia – A Fragrância do Dia
Maio 15, 2015

Reflexos da Manhã, 2015

De manhã, ao meio-dia, à tarde e à noitinha será sempre a madrugada esperada, a luz iluminando a minha estrada, o poema emergindo em cada palavra e em cada gesto, o brilho do sol nos rostos, dissipando a neblina, o desabrochar das flores nas mãos puras do coração de criança, a dança dos sorrisos orquestrada pelo canto de pássaros na tela do jardim dos espelhos, a doce fragrância da alegria nos lábios recortados das rubras bodas do dia!

Quando Eu for Grande – Trigésimo Quinto Desejo
Maio 15, 2015

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser como o meu priminho vencedor, o F, o filho da Flor, ter uma carinha redondinha, daquelas com bochechinhas pedinchonas de beijos, uns olhos floridos de alegria, uns sorrisos do meu coração novo, dádiva divina pelas mãos hábeis de médicos, e oferecer à mulher mais linda do mundo, no Dia da Mãe, além do presente que fizer no meu primeiro ano do ensino básico orientado pela minha professora, umas prendas muito úteis e inimagináveis, daqueles que andam perdidos e tristes, porque ninguém lhes liga, e que irei guardando cuidadosamente, mas têm de ser iguais a estes:

– um gancho de cabelo que a minha mãe já não saiba onde o deixou, e que voltará a pôr quando for preciso;

– uma pequena carteira preta, velha e amarrotada, que o meu irmão já não queira, e que ela guardará como um tesouro;

– uma pulseira elástica já gasta, muito usada pelo meu irmão, que é um grande futebolista, e de que ele já esteja farto, para a minha mãe levar para o ginásio.

E…

Nesse dia, vou enchê-la de felicidade com estas presentes-surpresas, e “ganhar” muitos beijinhos daqueles que só ela me sabe dar!