Archive for Maio, 2015

As Brincadeiras da Nita e do Nito – Um Dia na Aula (continuação)
Maio 23, 2015

A Janela da Muralha

 

– O dia 31 é um dia  cheio de sol, e de força: nas mãos para escrever, para abrir um livro e mudar de página, para trabalhar, para comer e outras coisas mais, que toda a gente sabe e… outras há quem adivinhe!… E…

– Desculpe, Sr.ª Professora, mas não percebo a importância das mãos nesse dia! As mãos fazem-nos falta todos os dias de 1 a 30 ou 31. – questionou o menino inteligente muito senhor de si.

– Talvez tenhas razão, Rafael, mas parece-me que a Sofia não completou o seu raciocínio.

– Pois não, Sr.ª Professora! Posso continuar? – interveio a menina alegre.

– Claro que sim! Vamos ouvir! – determinou a professora.

– Nas mãos temos dez dedos! E nos pés mais uma dezena deles, que também têm de ser fortes para aguentarem o peso do nosso corpo, para andarem apertados nos sapatos, para levarem “caroladas” quando usamos chinelos, para serem pisados nos bailes, nos transportes públicos e… por baixo das mesas, para criarem ampolas quando nos portamos mal, para fazermos cócegas! E…

– Mas, que grande notícia! – resmungou o menino inteligente.

– Caluda, que eu ainda não acabei! – reivindicou a menina alegre com cara de poucos amigos.

– Então, meninos?!… Tenho de agir?!… Ai, ai! A Sofia pode continuar, s.f.f. – chamou a atenção a professora.

– Obrigada, Sr.ª Professora! Faltam-nos, portanto, três: um, cabeça, o conhecimento, a imaginação, o sol nascente; dois, tronco, o coração sensível e duro, a multiplicação de sentimentos, o calor da vida florida; três, os membros, que são quatro, a ordem superior e inferior, o movimento, o equilíbrio, os passos e os abraços!

– Muito bem, Sofia! – incentivou a professora com um sorriso divertido!

– Obrigada, Sr.ª Professora! Só mais uma coisinha: o dia 31 passou a ser especialíssimo  quando nasceu o meu irmão Gabriel, que, por acaso, nunca foi muito miudinho, mas continua a ser menino, um grande menino, muito querido de todos e para todos!

Nunca foi nem será mais um dia, mas O DIA DO ANIVERSÁRIO DE ALGUÉM BUÉRÉRÉ DE FIXEEEEE!

A turma aplaudiu e, depois de ter posto ordem, a D. Bianela iniciou o seu discurso:

– Na minha perspetiva e tendo presente o aniversário do filho da minha amiga, afirmo que o dia 31 de Julho é e será uma data festiva marcada pela felicidade que proporcionou a todos, e em particular à mãe, o nascimento do menino que viria a ser o orgulho da família, um inesquecível amigo e um cidadão exemplar! Deixo-lhe aqui um abraço!

Ao irmão da Sofia, o Gabriel, e ao filho da minha amiga cantaremos alegremente os PARABÉNS e assistiremos à abertura de uma nova página do livro da vida!

– Muito bem, Sr.ª Professora! Estou comovida! Posso só dizer mais uma coisinha?!…

– Podes, Sofia!

– Ó Rafael, conheces alguém BUÉRÉRÉ DE FIXEEEEE que também faça anos no dia 31 de julho?!…

O colega-amigo ficou corado, e não lhe respondeu, mas dirigiu-se à professora e pediu-lhe, meio atrapalhado:

– Sr.ª Professora, posso ir lá fora?!…

Sorriso do Dia – Flores da Manhã
Maio 23, 2015

Flores-Rosa, 2015

Nasce a manhã,

Nasce a claridade,

Nasce o sol,

Nasce o dia,

Nasce a vida,

Nasce a esperança,

Nasce a criança!

 

Acorda o homem!

Espreguiça-se o mar!

Sorri a onda branca!

Navega o barquinho!

Canta a gaivota!

O Barco de Papel – 20.ª Página
Maio 23, 2015

O Barco de Papel

O Sr. Príncipe e o mestre João sorriram e cumprimentaram os representantes dos outros países, todos com os seus lindos trajos regionais, e apresentaram o Livro-Sabichão aos outros familiares, todos muito bem instalados sobre uma original mesa-tronco, recitando poemas, o primeiro de Portugal, do poeta das palavras de cristal e do “É urgente o amor”, o Eugénio de Andrade:

 

“Pastor, pastorinho

onde vais sozinho? (…)

Não tens um amigo?

Deixa-me ir contigo.”

 

E… do Livro do Brasil surge na voz de Odylo Costa, Filho:

“Iam dois coelhinhos

andando apressados

para o céu – com medo

de serem caçados (…)

Jesus riu, com pena:

fez brotar da Lua

– para eles – florestas

– de cenoura crua.”

 

Abriram-se as páginas de Angola, e ouviu-se o Henrique Guerra nas canoas:

” (…) Quando, de andar nas canoas, voltamos do mar

E a garganta vem a arder como se fora sal

A água do moringue sabe-nos como nada mais (…)”

(continua)

O Alentejo…
Maio 23, 2015

Leque do Mar do Norte, 2015

 

O Alentejo é o meu solo feito de mar imenso, manso e revolto!

O Alentejo é a onda, curvando-se para abraçar a praia lusitana!

O Alentejo é a força, a luta, a vitória, renascendo na planície!

O Alentejo é a doçura sussurrante e tímida do homem nu!

O Alentejo é a madrugada rejuvenescida, acordando a vida!

O Alentejo é o sol nascente com mãos de luz, amassando o pão!

O Alentejo é a geometria laranja, rubra, dourada, redonda, anelada!

O Alentejo é o farol embalador, pulsando com beijos suspirantes!

O Alentejo é a gaivota que voa, canta e assobia, acordando o dia!

O Alentejo é o cante arrastado, baloiçando-se na manhã estrelada!

O Alentejo é o capote da alegria e a bóina da maresia, o pátio da magia !

O Alentejo é a faina e a ceifa, a sede e o suor, o dia quente e a noite fria!

O Alentejo é a nuvem animada, a água salgada, o sorriso da haste ondulada!

Mãos Abertas ao Mundo
Maio 20, 2015

Árvores ao Vento

Abre as tuas generosas mãos ao mundo, e verás como os puros de coração tecem colares com as pérolas  que lhes ofereces, despertando sorrisos nos rostos tristes das crianças e nos olhares cansados dos idosos.

As Brincadeiras da Nita e do Nito – Um Dia na Aula
Maio 20, 2015

A Janela da Muralha

 

A Nita e o Nito entraram na sala de aula. Ele parecia zangado. Ela sorria como lhe era habitual.

– Bom dia, meninos! Hoje vamos falar sobre os meses do ano! – informou a D. Bianela à turma!

– Sr.ª Professora, vamos falar sobre o mês de julho?!… – perguntou a menina alegre, a Ana Sofia, que nós conhecemos por Nita, diminutivo que adveio do seu primeiro nome, se bem que na escola a tratassem por Sofia.

– Também, Sofia! Mas, porquê esse interesse pelo mês de julho?!.. Pensava que preferias o dos nossos aniversários, o março, ou um das férias e até mesmo o do Natal – respondeu a professora surpreendida.

– Porque sim, Sr.ª Professora! É especial! É verdade que tem este nome por causa do Júlio César? – perguntou a menina alegre.

– Alguém quer responder à Sofia?!… – convidou a professora, dirigindo-se à turma.

– O sétimo mês do ano, o quintilis, passou a chamar-se julho em honra de Júlio César – afirmou o menino inteligente, o Nito, diminutivo do seu segundo nome, que não tinha lugar na escola onde era o Rafael. Mas, eu prefiro o janeiro, faz mais frio e eu gosto – continuou.

– Muito bem, Rafael! – elogiou a professora. Mas, pensei que preferisses o agosto para te deliciares na praia – adiantou a D. Bianela com um sorriso malicioso.

– Sr.ª Professora, o mês de julho é muito importante para a agricultura, e pede muita rega. E também para os jardins: podam-se os arbustos; reproduzem-se os crisântemos; tratam-se as roseiras; plantam-se os bons-dias; os amores-perfeitos, os “bem-te-lhe-queres” e mais flores; e também se colhem as primeiras sementes – declarou a Sofia muito entusiasmada!

– E a fruta?!… Ainda se colhem: cerejas, framboesas, ginjas, groselhas e os primeiros: pêssegos, damascos, ameixas, peras. As fruteiras ficam cheias à mesa – afirmou o menino inteligente muito sisudo.

– Muito bem, Rafael! – reiterou a professora. Mas, a Sofia ainda não nos esclareceu por que gosta tanto do mês de julho! Queres contar-nos?

– Pode ser, Sr.ª professora!… Porque… foi o mês em que o meu irmão nasceu! Ele já era inteligente antes de ter visto o mundo, que ele havia de correr, correr, até se cansar, mas escolheu este mês para nascer, e quase no fim, pois já sabia que ele tinha muita coisa para lhe oferecer! Tudo, ou quase, porque ele trataria do resto!…

– Ah! Sim? Mas, que bebé tão sabichão! E em que dia nasceu?!… – insistiu a professora curiosa e divertida.

– No dia 31, Sr.ª Professora! Aquilo foi um dia tão lindo, mas tão lindo e tão feliz!… Eu fui lá, à Casa dos Pescadores onde ele nasceu! Ainda era bebé, mas já queria rir e palrar, porque percebeu que eu estava ali, por isso abriu os olhinhos, que começaram a sorrir de mansinho, muito docinhos! Depois a minha mãozinha gorduchinha fez-lhe uma festinha e apertou a dele. Ele primeiro pensou que era uma bola, e ficou todo contente e vermelhusco, mas depois agarrou a minha. Foi um “facto”!

– Mas, que bonito, Sofia! Gostaria de ter presenciado! Mas, foi um “facto” ou fizeram…

– Fizeram um pacto, Sr.ª Professora! Vê-se logo! Ficaram amigos! – sentenciou o Rafael.

– Firmaram um pacto de irmãos-amigos para sempre, certamente! Obrigada, Rafael! Sempre claro e pronto no raciocínio. Curiosamente, uma amiga minha também deu à luz um menino nesse mesmo dia! E foi motivo de grande felicidade para todos! – acrescentou a professora.

– Oh! Que giro, Sr.ª Professora! Mas, esse menino não se chama Gabriel como o meu irmão, pois não? – quis saber a Sofia.

– Não! Deram-lhe o nome do avô! Mas, o filho da minha amiga honrou sempre o nome da família, e isso é muito importante!

– Dia 31! Hum! Que tem de especial? É mais um! Um dia ? Um ano? – questionou o Rafael.

– Sr.ª Professora, posso responder?!… – perguntou a menina alegre.

– Claro que podes, Sofia! Mas, depois também vou apresentar o meu ponto de vista, e o resto da turma irá pronunciar-se sobre um dia especial, a seguir ao intervalo.

(continua)

Sorriso do Dia – Sorrir com o Sorriso
Maio 20, 2015

Flores de Sorrisos, 2012

O sorriso é … a nossa estrela polar a brilhar no nosso peito.

O sorriso é … a nossa caixinha de aguarelas, pintando sorrisos!

O sorriso é … o nosso jardim florido de cantos de alegria!

O sorriso é … a nossa porta do ser a abrir-se suave e docemente!

O sorriso é … o nosso diálogo com a dança das palavras mudas!

O sorriso é … a nossa música orquestrado pelos sentimentos!

O sorriso é … o nosso abraço ao mundo nas asas do vento!

Talhar a Amargura da Vida
Maio 20, 2015

O Sol Escondido, 2014

Talhas a amargura da vida com a aspereza do teu coração, erguendo a crueldade, escondendo-te cobardemente, cultivando ignorante e orgulhosamente as agruras da solidão!

À Procura das Palavras
Maio 20, 2015

Palmeira Perdida

Faltam-me as palavras!

Aonde é que se meteram?!….

Olho à volta!

Abro o meu livro!

Palpo o dicionário da vida!

Bato à porta da minha memória!

Procuro! Procuro as palavras,  mas não as encontro!

– Há de haver alguma aqui!… – insisto, tocando com a minha mão no peito!

Eu sei que as guardei! E… eram tantas, e de tantas cores, formas, cheiros, sabores!

Hoje está difícil de abrir! Emperrou?!…

Mas, não era para abrir só com um “jeitinho”?!…

Hummmmm! Já está!

Uma pessoa precisa de muita persistência e força para alcançar o que quer!

O que seria de mim sem palavras, o rosto do meu “eu”?

Uma estátua?

Não! Uma praia, porque brincaria com as ondas e com as crianças na areia, falaria com algumas pessoas, ouviria palavras de amor dos apaixonados, mas também levaria com algumas bolas de jogadores desajeitados!…

Mas, não quero!

Eu sei o que quero!

Agora quero encontrar as minhas palavras!

Olha! Tenho aqui uma mão cheia delas!

Agora já posso expressar-me!

Fazer uma canção de amor com as as palavras eleitas pelo  meu coração!

As Grossas Gotas de Chuva
Maio 18, 2015

Chuva na Vidraça

Há dias em que…

Caem grossas gotas de chuva sobre nós, mas não nos molham, deslizam suavemente sobre o nosso ser e…

– Refrescam as nossas memórias!…

– Rejuvenescem os nossos sonhos!…

– Renovam as nossas energias!…

– Regam os nossos jardins do coração!

– Reforçam as nossas capacidades de luta!

– Revestem os nossos sentidos de verdade!

– Redobram os nossos olhares para a vida!

– Redescobrem as nossas competências!

– Revelam os nossos segredos e sonham!

 

E as grossas gotas de chuva formam poças aos nossos pés para que nós, árvores, arbustos ou pés-de-flor…

– Possamos saciar a sede das nossas raízes, e fortalecer os rebentos que despontam!…

– Continuemos a crescer, sentindo o sol da vida, alimentando o calor dos sentimentos adormecidos, respondendo determinada, graciosa e inteligentemente às mudanças do tempo, e dos tempos!…

– Alimentemos os nossos ramos com o nosso saber, alargando a sombra confortavelmente protetora, sussurrando melodias de amor as nossas folhas embaladoras, ondulando, refrescando, acariciando quem nos cerca.

E…

Em cada folha nasce uma flor perfumada!

Em cada pétala há uma história encantada!

Em cada ramo chilreia a passarada de madrugada!

E…

Para admirar as folhas, sentir o perfume das flores, descobrir as histórias encantadas, dançar ao som da passarada, é preciso ter sempre a mente acordada!…

 

E as grossas gotas de chuva…

– Enchem orgulhosamente o caudal do nosso rio!…

– Saltitam alegremente como bailarinas sobre as águas do nosso mar imenso!

– Lavam a dor das nossas mágoas, e libertam-nos!

– Despertam o calor radioso do sol da manhã no nosso rosto!

– Inundam-nos de alegria e de felicidade na descoberta das pequenas-grandes-coisas!

– Repassam-nos de terna tranquilidade florida de luz!

– Buscam os nossos lindos sorrisos!

E…

No eco mágico do seu plin! plin!, as grossas gotas de chuva oferecem-nos mãos cheias de flores cantando, brincando, dançando, escrevendo, sorrindo sempre para nós, tratando-nos por: “Amigo!”