As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Sr. Máximo

A Janela da Muralha

O Nito estava a dar uns chutos na bola!

A Nita, que naquele dia chegara depois dele, pois fora comprar umas linhas de bordar para pintar uma flor com agulhas, como ela dizia, observava-o!

O amigo não se apercebera da sua presença.

– Golo! Golo! – gritou ela, rindo-se quando a bola se elevou, e o Nito a apanhou a custo depois de uma corrida.

Ele levantou-se vitorioso, sacudiu o pó das calças, atirou a franja para trás, e respondeu-lhe:

– Não percebes nada disto, miúda!

– Achas?!… Se estás a pensar que ia atirar-me ao chão para ficar cheia de pó, enganas-te!

– Já sabia que ias defender-te, Nita! – afirmou o Nito.

– Tu és o máximo, Nito! – declarou a amiga, desafiando-o.

– Ora, ora! – respondeu-lhe o Nito com cara de poucos amigos.

– Não sejas tão “amuadiço”, Nito! Vou contar-te uma história, a do Sr. Máximo, mas não tem nada a ver contigo!

– Está bem! Aproveito para descansar! Vamos sentarmo-nos naqueles degraus! – concordou o Nito. Mas, tenho sede!

A Nita tirou uma garrafinha de água da sacola, deu-a ao amigo, e acrescentou:

– Boa ideia! Até ouvimos as ondas a espreguiçarem-se na praia!  Vou contar-ta!

– Conta, conta! – pediu o Nito.

– O Sr. Máximo embirrava com o seu nome: Máximo para aqui, Máximo para ali… “Eh, pá! Tu és o máximo, até pareces o nosso Benfica!” – diziam-lhe os amigos águias!

– Esses são cá do meus, pitinha!

– Eu sei! “Tu és mesmo um máximo!” – repetia-lhe uma miúda que gostava de jogar à bola com ele no castelo, cada vez que ele abria a boca e acertava nalguma!”

– Lá estás tu, Nita! Queres que eu me vá embora?!… – reagiu o Nito, esforçando-se por ocultar um sorriso.

A amiga apertou os lábios, olhou-o de frente e prosseguiu:

– Não quero nada! Vais já perceber que… me fugiu a boca… Desculpa! Que me enganei! “Avô, tu és o máximo!” – dizia-lhe inocentemente a netinha uma menina muito espertinha! O Sr. Máximo resolveu minimizar o nome, e começou a treinar com a outra netinha, a  mais novinha: “Avô Max!” – e ria-se!

A menina batia palminhas e dançava, pronunciando:

“- Bô Má!”

O Sr. Máximo franzia o sobrolho e cogitava: “Esta agora?!… Parece tratamento de menina, mas, afinal, eu sou o Máximo! Tenho de maximizar! Não posso encolher-me!”

– E como é que esse Máximo resolveu a questão, Nita? – quis saber o amigo, curioso.

A amiga fez uma pausa.

Sorriu.

Aproximou do amigo, e segredou-lhe:

– A tal miúda, para animar o amigo, resolveu comprar um “vasquinho” e enrolou no máximo de seis guardanapos, e escreveu-lhe um mínimo de palavras com letras médias:  “Máximo, no “maxime”, maximiza os sorrisos quando estou a brincar contigo, os bons-dias, as boas-tardes e as boas-noites, a alegria e nada mais, e não te rales quanto ao resto, porque a tua maximização não está na tua mão, é feitio e… não há nada que possas fazer para mudar a tua natureza! Mas olha lá, és um máximo e, cá para nós, sais-te com cada máxima, Máximo, que até dá gosto!

O Nito não resistiu e soltou uma gargalhada!

A Nita retribuiu-lha!

O relógio da torre disse-lhes as horas!

Levantaram-se apressadamente.

Despediram-se!

Olharam para trás!

Sorriram um para o outro!

E ela ainda retorquiu:

– Máximo, aproveita este dia e todos os outros, ao máximo! E… olha!…

O Nito parou e disse, tal como ela esperava:

– Estou olhando!

Trocaram um sorriso cúmplice.

Ela continuou a desafiá-lo:

– Nito, olha lá para esta máxima: “Máximo, amigo, estou sempre contigo!..

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