Archive for Janeiro, 2015

Os Soluços Sem Lágrimas
Janeiro 27, 2015

Mar Saplicado de Vento, 2014

Os olhos incham de dor com a explosão dos soluços do coração, inundando o ser sem lágrimas!

O Barco de Papel – 9.ª Página
Janeiro 25, 2015

O Barco de Papel

II

Na Hora do Embarque no Barco de Papel

O João ouviu as badaladas do relógio da torre da igreja de Santo André, e estranhou a falta de pontualidade da tripulação.

– Que lhes terá acontecido hoje, se chegam sempre antes da hora marcada? – interrogou-se preocupado!

– Andorinha, andorinha! Viste a Ervilhinha muito verdinha, redondinha, a Tagarela, o Sr. Príncipe Contador de Estórias de Chás, o Ursinho Pimpão, o Marinheiro-Corajoso, o Livro-Sabichão e o Cão-Inspetor, o Gil? – perguntou o João à Borboletada, a andorinha que andava sempre a brincar com as borboletas.

– Não! Não vi nada! Adeus, que estou apressada! – chichirriou a andorinha, desaparecendo no ar.

– E a Ervilhinha muito verdinha, redondinha, tão pequenina! Andará tonta e perdidinha, a Tagarela?! – lamentou-se o João.

– Não te preocupes, amigo! Ela está a discursar na escola do feijão-verde e da nabiça sobre a importância da sopa na alimentação das crianças – zumbiu-lhe a abelha.

– Obrigado, amiga Melosa! – agradeceu o mestre João.

– Bom dia, João! – assobiou o melro. O Ursinho Pimpão está no pomar a brincar às escondidas com: o galo da Índia, o Despertador, o ganso, o Assustador, e o gato, o Barbudo! Descansa que ele não demora!

– Fico mais tranquilo, Bico Amarelo, obrigado! – suspirou o João.

– João, João, estou a ver o Sr. Príncipe a fazer um ramo de folhas de bela Luísa e a pôr uma margarida no caule onde as atou com fios de hera – relinchou o cavalo.

– Obrigado, Veloz! – agradeceu o João. Mas reparaste a quem é que ele ia oferecer um ramo tão bonito? – insistiu o João.

– Não! Não sei, mestre João! Desculpe, mas tenho de ir, porque a égua Bela, a minha namorada, está à minha espera! Vamos passear ao prado e fazer um piquenique no parque da barragem de Campilhas – concluiu o Veloz.

(continua)

Estórias de Meninos – O Saco Alentejanito
Janeiro 24, 2015

Meninos

Olhei contrariado para o saco vazio. Depois, com o desembaraço próprio de um alentejano do interior em dia de “torrêrra” em pleno Agosto, peguei na toalha e nos calções, nos óculos e nos chinelos a espreitarem de um saco de plástico com um simpático golfinho, escolhido pela minha sobrinha, e saciei aquela boca aberta com esta mercadoria.

Faltava a “porcaria”, que não o era, claro, do estojo com as miniaturas das embalagens de espuma do banho e do champô, e o pente.

– Uma seca! –  pensei.

Mas, sorri, imaginado alguns comentários malandrecos de alguém próximo, antevendo a minha cara de enjoado, oferecendo-me sorrisos, achando, no mínimo, que apreciaria as vistas… e que a seca seria molhada, e “pouco” demorada, para quem nem quer ouvir falar naquilo que tem de ser!

Irei para a piscina, pois! Não por ter medo daquelas histórias que o Dr. Passarinho inventou – sou lá homem de medos?!… -, mas para não ter de “as” ouvir do médico, e não só!… Homem sofre!

O melhor é ir de olho aberto, e… imaginar-me a banhar-me na sempre bela praia do Gama! Se pensar no banho de 29, talvez até sorria! E se anda por lá alguma “tubaranita” ou “ilhona”, e pensa que a atenção é para ela?!… ” Nã!” Não há sorrisos para ninguém!

Ainda de olho no pesado saco…

– Falta aqui qualquer coisa! A touca! Compro no clube, que sempre tem a marca da casa! Isto é pior do que usar rabo de cavalo – ainda se fosse um capacete!

O Segredo do Amor
Janeiro 24, 2015

Bagos de Romã, 2015

” – O Segredo é Amar!” – diz o poeta.

” – Não basta amar, é preciso prová-lo!” – diz a Santa!

O segredo é amar o amor!

O segredo é dar-se ao amor!

O segredo é saber acolher o amor!

O segredo é viver o amor!

O segredo é provar e partilhar a magia do amor na sua unicidade! – digo eu!

Sorriso do Dia – A Mesa da Alegria
Janeiro 24, 2015

A Gaivota-Amiga, 2015

Subtil e silenciosa, a chuva miudinha desperta as tuas mãos com ternas gotas.

Descarada e ruidosa,  a maré alta saúda-te com saciáveis salpicos salgados.

Serena e tímida, a maré baixa oferece-te um búzio para ouvires o seu coração.

Contente e sábia, a gaivota-amiga recolhe: as palavras de estio nas gotas da chuva miudinha; as sílabas de outono nos salpicos da maré alta; as rimas de primavera no búzio da maré baixa!

E…

Pede ao dia que tas sirva com o seu néctar na mesa da alegria!

A Menina Azul – As Janeiras
Janeiro 24, 2015

A Menina Azul

Uma noite, quando a Menina Azul já era uma jovem senhora, apesar de toda a gente continuar a tratá-la por: “Menina”…

As Janeiras bateram-lhe à porta!

Eram dois sorrisos cantantes: um deles, o do mestre, com uma bóina preta, de pescador, mas domingueira; o outro, o da mestra, com cachecol tecido pelas mãos da Menina que abrira a porta, e que naquele momento também sorria!

A Menina Azul, que já era uma jovem senhora, sorria para as surpreendentes Janeiras musicados pela euforia das sorridentes palmas de dois lindos e felizes infantes!

Mas, as Janeiras só transpuseram a porta depois de terem terminado a última nota!

E… não pediram nada em troca; pelo contrário, traziam uma alcofinha com ricos pitéus e guloseimas, que rapidamente encheram a mesa.

E… toda a família sorria, e ria, e partilhava com muita alegria aquelas especiais Janeiras, que se prolongaram pela noite fora, e que permanecem acesas nas suas deliciosas memórias!

Sorriso do Dia – O Jardineiro
Janeiro 23, 2015

Rosa-Fátima, 2014

A tempestade arranca uma pétala de uma rosa perfumada do  jardim.

E… o jardineiro, compadecido da sua tristeza,  seca-lhe as gotas de orvalho com a doçura das carícias de amor-perfeito, protege-a com o girassol que traz ao peito, e abraça-a com o canto da árvore do amor.

E… o dia beija-o, regando-o de sorrisos!

O Encontro do Riacho com a Onda
Janeiro 23, 2015

Praia co Arco-Íris, 2015

O riacho vigoroso, juvenil e brincalhão cantava a euforia da descoberta de vida sorridente e generosa em presentes de experiências, em  sensações e em cores deliciosas, abrindo-lhe caminhos mágicos e fantásticos, que repentina e surpreendetemente aumentaram o seu caudal, transformando-o num rio grande que começou a percorrer, a conhecer e a assumir-se no mundo…

Um dia, quando o rio grande já transbordava sabedoria do seu leito, viu uma pequena onda a dançar numa praia onde ele deixara escondidos muitos sonhos e sorrisos, que não tivera tempo de viver.

– Quem és tu, tão grande e pensativo? – perguntou-lhe a onda timidamente.

– Sou um rio velhinho, mas já fui um riacho cantante, que encantava todas as conchinhas que ouviam as minhas melodias, e surpreendia quem contemplava a minha transparência, e também as flores que queriam ver-se no meu espelho.

– Oh! Então eras o riacho cantante e sorridente, que depois desapareceu sem se despedir e deixou muita tristeza na praia? – manifestou-se a onda molhando a areia.

– Deixei? – perguntou o rio surpreendido.

– Sim, deixaste, lindo, grande e saudoso rio! – respondeu a onda borrifando-o com um abraço salgado de selvagem saudade. Vem brincar comigo e permite-me, e aos outros amigos, ouvir o canto do teu coração de riacho menino, que esteve sempre acordado.

O Amor e a Dependência
Janeiro 23, 2015

Flor de Chorão Amarela, 2011

Do amor à dependência vai uma grande distância chamada conveniência!

O Silêncio e a Fala
Janeiro 23, 2015

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A criança que atravessa a barreira do silêncio fala pouco e baixinho, e terá necessidade de falar mais e um pouco mais alto, se a vida insistir em tapar-lhe a boca, impedindo-a de respirar!