Os Livros e as Dedicatórias

O Livro da Segunda Classe

Era um livro antigo, mas recheado de memórias de muitas gerações, e ensinamentos que influenciaram as inocentes mentalidades!

Estava perante uma reedição, e este exemplar fora oferecido, certamente, pois no seu interior continha uma dedicatória datada do alvorecer desde milénio:

” – O que mais tem contribuído para a grandeza dos sentimentos mais nobres da minha Amiga Di, foi o nunca ter esquecido as suas origens.

Um beijinho grande da Amiga (…)”

Sorri!

Sorri para estas palavras amigas, e para uma e a outra “Amiga”!

Sorri para todas as dedicatórias com que os familiares, os amigos, os professores, e os apaixonados ilustravam as obras-presentes, prefaciando-as com elogiosos e melosas expressões de carinho, com sílabas acentuadas de práticos conselhos, e eternos e ardentes desejos!

Esta marca pessoal numa prenda da autoria de outro, mas sempre portadora de alguma mensagem interessante, útil ou sugestiva, ou fruto de uma arrojada experiência ou até de sonhos traçados ao pormenor no imaginário, era a primeira dentada neste fausto bolo que cada um provaria, saborearia, e aprovaria ou não…

Mas, a dedicatória merecia, salvo raras exceções, ser emoldurada, e pendurada num sítio de destaque; o mais seguro e prático era, claro está, guardá-la no coração e ir relendo-a com os sentidos!

Esta prática foi caindo em desuso, se bem que umas palavrinhas num minúsculo cartão, de Natal, por exemplo, ficasse bem no livro oferecido – e serviria de indicador da sua origem!

Aquela dedicatória fez-me viajar no tempo! Parei nas fotos tipo passe, das que uma determinada quantia, tinha o prémio de uma mais ampliada, “postal”, que se não brilhasse numa moldura, seria para alguém especial, sempre com uma extensa e calorosa mensagem no verso, por vezes extensiva à família!

“Coisas” / gestos simples de pessoas simples, que privilegiavam os sentimentos, e que os expressavam sem medo de dizer, por outras palavras: “Gosto de ti!”, considerando, muitas vezes inocentemente, que alguém quereria levá-la(o) consigo!

Registos comportamentais da humanidade, traços da nossa cultura, que merecem todo o meu respeito e admiração!

E… se me permitem, uma pergunta:

– Alguém ainda escreve /deixa, direta ou indiretamente, dedicatórias nos livros que oferece adocicadas com  beijos e abraços?!…

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