As Brincadeiras da Nita e do Nito – A História de Faz de Conta

A Janela da Muralha

Naquele dia, o Nito estava atrasado. A Nita olhava para o relógio e para a porta do castelo, e o amigo não chegava!

– Ainda bem que fui comprar uma sebenta e uma esferográfica! Vou escrever uma história de faz de conta! – dizia a menina para si, sentando-se num degrau, dispondo-se a escrever, fazendo das suas finas perninhas uma mesinha.

Era uma vez um menino muito espertinho, que gostava muito de fazer contas, de resolver problemas, de brincar e de jogar à séria com tudo o que era números! E também começou muito cedo a fazer contas à vida: nunca gastava o dinheiro todo!

Um dia, quando o menino muito espertinho andava na praia, sentiu uma ondinha aproximar-se, e  fazer-lhe umas coceguinhas nos pés. Ele até gostou daquela espécie de festinha. Olhou-a  com ar maroto, perguntando-lhe em silêncio o que é que ela queria.

A onda rebolou-se, bateu umas palminhas de espuma, salpicou-o, e disse-lhe baixinho:

– Tens tantas contas e tão bonitos contos na tua cabeça! Tira alguns cá para fora, e conta, conta, conta!…

O menino muito espertinho ficou mudo com aquela onda sabichona e atrevida, que, de repente, se escondeu numa rocha conhecida por Pedra do Homem.

Mas, de repente, viu ali mesmo na sua frente, na areia lisa, uma cana a dançar, a desenhar as letras do abecedário, e a formar palavras! Não acreditava no que via! Esfregou os olhos! Depois abriu-os bem, e começou a ler:

– Contas, contas!… Contos, contos! Que lindos contos que tens para contar, da vida e da tua imaginação!… Conta, conta, conta, sem fazeres contas!… Conta as tuas aventuras, conta os teus sonhos, e… faz de conta, mas conta!…

O menino muito espertinho pensou em voz alta:

– É alguma moura encantada; só pode!

E a cana mágica, respondeu-lhe, desenhando mais duas palavras: “Onda Amiga!”

O menino sorriu, e só pensava: Conta, conta, conta!

FIM

A Nita estava tão embrenhada na sua escrita, que nem se apercebeu da presença do Nito! Levantou os olhos e gritou:

– Ai, Nito! Que susto!

O amigo começou a rir!

Ela, de rosto corado, fechou a sebenta. Guardou a esferográfica na bolsinha de tecido, que a mãe lhe fizera, olhou para o Nito e… sorriu meio envergonhada!

O menino retribuiu-lhe o sorriso, e perguntou-lhe:

– Nita, o que é que estavas a fazer, que nem me viste chegar?

– Ora, Nito! Estava a escrever uma história de fez de conta! Tu nunca mais chegavas! Foste aonde? – respondeu a amiguinha.

– Boa Nita! Depois posso ler? – apoiou o Nito, curioso.

– Podes, pois, Nito! Mas, ainda não me disseste aonde foste! – declarou  a menina.

– Fui à ribeira com o meu irmão, porque a traineira do meu avô estava a chegar! Vinha carregadinha de peixe! Daqui a pouco, tenho de voltar a casa, para levar o peixe ao Sr. Prior. Queres ir comigo? – justificou o Nito, convidando-a.

– Quero! Achas que o Sr. Prior vai fazer-nos perguntas da catequese? Ou mandar-nos rezar? – retorquiu a Nita, questionando o amigo.

– Não, Nita! Nem uma coisa, nem outra, mas vai dizer-nos para nos portarmos bem, e sermos muito amigos, com certeza!- esclareceu o Nito.

– E também deve acrescentar que Jesus é nosso amigo! – adiantou a menina.

– Pois! Vamos? – respondeu o Nito.

– Vamos!  – concordou a Nita, levantando-se e sacudindo o vestido.

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