A Menina Azul – O Cheiro dos Lápis da Escola Primária

A Menina Azul

Eram duas meninas, que só naquele dia se conheciam, mas entre elas circulava uma clara e espontânea empatia, à medida que os seus sorrisos se cruzavam no que iam descobrindo ter em comum, o que começou pela hipersensibilidade da sua pele às condições atmosféricas…

Borbulhavam as memórias dos bancos de escola, e os gostos, salientando-se o inebriante e inesquecível perfume dos lápis acabados de afiar…

Um dia, a menina-azul, ao olhar para uns lápis da marca dos que tinham feito as delícias de ambas, uma novidade produzida em número reduzido naquela época, comprou um, e expectante e sorridente, fê-lo chegar à sua interlocutora, que, no seu primeiro e único encontro, chegara a dizer, por probalidade, que soava a desejo:

“- Vamos encontrarmo-nos mais vezes!”

Mas… eis que o portador do lápis perfumado de pueris memórias, trazia consigo um agradecimento com um ponto de interrogação, pois a destinatária manifestara não ter entendido o porquê do singelo e inocente – e quem sabe inoportuno – presente!…

E a menina-azul acolheu o obrigada e demais palavras com um sorriso de quem não pertence a este mundo – ou àquele -, e cogitou se o aroma que envolvera a conversa com finos e intocáveis desenhos de escola primária ter-se-ia dissipado naquele momento, ou perdido numa curta distância ao atravessar o Tejo….

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