Gente Boa da Minha Aldeia – Encontros e Encontrões à Beira do Caminho

Quilha de Barco-reflexos, 2012

A minha aldeia, como todas as aldeias, respira cumprimentos e desabafos a todos os passos e nalgumas esquinas, se bem que se tornem mais ventosas na prosa e na aragem fria, soprando do Norte!

Um Sr. de alguma idade, mas em cujo rosto os sulcos não haviam passado, talvez por ter sido bajulado pelas carícias da sorte, a começar pela esposa, “uma santa” como todos afirmam, que permanece na minhas memórias pela sua tranquilidade e doçura, discursava como um imponente político depois de ter sido eleito.

A voz orgulhosa repetia aos seus mudos interlocutores, impressionando-os:

– Sessenta anos! Parece mentira! Sessenta anos! É verdade! Há sessenta anos que somos casados! Sessenta anos de casados! E ainda dormimos na mesma cama e tudo!

O jovem casal entreolhou-se de pupilas dilatadas. As suas faces iam tomando uma cor de pô-de-arroz rosado!

E… o Sr. continuava declamando, ouvindo-se!…

A noite caía e com ela a pressa do jovem casal para prosseguir o seu caminho, talvez traçando uma linha mais forte e longa no seu percurso, de sessenta vezes doze – quem sabe?

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