As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Encontro na Muralha

A Janela da Muralha

O Nito gostava muito de ir ao castelo para contemplar o mar, e os cortejos dos barcos, partindo para a faina, e regressando, sobretudo, quando vinham “carregadinhos”!

Voava com a imaginação nos  véus de gaivotas, cobrindo as traineiras com danças e cantos, anunciando grandes pescarias, antevendo os mantos de escamas prateadas.

E… pintava  sonhos de, quando fosse grande, navegar, navegar todos os mares, mas num grande navio, e fardado, atracando em diversos portos, conhecendo o mundo, colhendo sorrisos e desvendando mistérios de muitas mulheres bonitas!

Naquele dia, a Nita surpreendeu-o, surgindo sorrateiramente perto dele, que nem sentiu a sua presença, e começou a discursar:

– Vinde, capitão de mar e terra, o navio não pode esperar para fazer-se ao largo!

O Nito, assustado como um menino acordado abruptamente, voltou-se!

A Nita sorria, sorria!

E o Nito sem achar-lhe graça, dizia-lhe:

– Que engraçadinha! O que é que fazes aqui a esta hora, pitinha?

– Eu?!… Estava a olhar o horizonte, a ver os barcos coloridos a baloiçar, a gaivotas a dançar, e um menino a sonhar!

– Não estava nada a sonhar, parva! Fazia contas aos quilos de peixe que aquela traineira com nome de menina trazia, quanto renderia, e quanto caberia a cada pescador! – respondeu-lhe o Nito muito senhor do seu nariz.

– A fazeres tantas contas, não chegas ao teu navio  – respondeu-lhe a Nita, sorrindo.

– Vou-me embora! Vieste estragar tudo! Hoje não brinco contigo! – retorquiu o Nito sem poder passar, pois o acesso à ameia era muito estreito e a Nita estava à sua frente!

– Podes ir!  Mas… olha, quando voltares a fazer as contas, tira primeiro as despesas, e um dinheirinho para a traineira, que pode ficar doente, e só depois é que divides pelos pescadores – afirmou a Nita, afastando-se!

O Nito, amuado, e mudo, deu um passos de gigante, mas ainda ouviu uma voz:

– Eu sou a moura da muralha! Hás de viajar muito, e conhecer o mundo, mas não será fardado, nem pelo mar!

O menino falou alto, sem olhar para trás:

– És muito espertinha, Nita! Amanhã também não jogo à bola contigo!

– A Nita respondeu-lhe:

– Bom dia, Nito! E boa pescaria de alegria!

E o menino continuou a andar… e começou a assobiar!

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