Histórias de Fantoches – O Professor, 3.ª Página

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– Eu cá não sei pintar nada! – adiantou o menino da popinha com um ar muito aborrecido.

– O “não sei pintar nada” não existe, porque todas as pessoas se sabem expressar. Neste caso, o teu quadro está em branco, contudo, quando disseres o teu nome, estás a começar a pintá-lo, não é verdade? Depois vais acrescentando os teus traços físicos, dizendo do que gostas e o que não aprecias e estarás quase com a obra terminada – explicou o professor.

– Professor, eu também posso fazer este jogo lá na minha casa, com o meu primo que é mudo; fazemos gestos os dois! – disse a Lisa.

– Muito bem, meninos! Estamos a entendermo-nos! – afirmou o professor visivelmente satisfeito.

– Mas eu gostava de ser pintora, Sr. Professor! Se calhar posso começar agora – declarou a Lia toda corada.

– Claro que sim, menina pintora. Se disseres que és calma, estás a pintar-te de azul. E quando referes a cor dos teus olhos e cabelos, também pintas.

– Professor, e eu também posso dizer que gostaria de ser um macaquinho para andar sempre agarrado à minha mãe? – perguntou o Filipe Sorrisos.

– Parece-me que o animal que gostarias de ser é uma pinceladela que fica muito bem em qualquer retrato, e desperta sorrisos – respondeu o professor.

– Vamos começar o nosso jogo? Espero que saíamos daqui vermelhos, quero dizer, alegres – incentivou o professor com ar divertido.

– Sou o Lucas Leão, o campeão das corridas em patins.

– O meu nome é Lúcia Liberta, e tenho sete anos.

– Eu chamo-me Marcos Jardim, gostaria de ser um canteiro de margaridas amarelas com perfume a rosas para fazer parar todas as meninas.

– Todos me tratam por Moniz, mas chamo-me Egas Fidalgo.

– Tenho nome de futebolista: Erico, que quer dizer homem rico, mas não sou nada disso. Erico Jogador, Sr. Professor!

– Eu sou o Filipe Miguel. O meu maior amigo é o meu irmão, o Miguel Filipe.

– Chamo-me Noé Natal. Hoje, a minha cor é o castanho, porque o meu cãozinho, o Novelo, é castanho, só tem o nariz branco, e faz  um ano.

– Pascoal, Sr. Professor. O meu irmão e eu somos estamos sempre vermelhos: eu, porque as pessoas falam comigo, outras vezes, porque tenho de responder-lhes, e sou envergonhado; ele, porque anda sempre a correr.

– Eu vou buscar os jornais ao autocarro todas as manhãs, e depois faço a distribuição, por isso, as minhas mãos e a minha roupa estão sempre pretas.

– Estou sempre a olhar para as árvores, e a falar com os passarinhos, por isso, acho que sou uma menina verde, de nome Esperança.

– Eu sou da cor da lua, o meu nome é Luna.

(continua)

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