Archive for Julho, 2014

Quando o Sorriso Floresce
Julho 26, 2014

Mar Turquesa Florido, 2014

O dia só é dia quando te beijo, e florescem sorrisos dançantes de Bom Dia bordados de alegria!

Amar um Filho
Julho 25, 2014

Árvore do Crescimento

Amar um filho é ensinar-lhe a lavar a maçã que quer comer, não alimentar o seu comodismo, recusar-se a desenvolver a sua preguiça.

Amar um filho é incutir-lhe responsabilidades, é contribuir para a sua autossuficiência, é dar-lhe asas para poder voar, crescendo feliz!

Sinfonias nas Paredes
Julho 25, 2014

Chuva - Gotas Grossas

A janela da minha vizinha já não canta!

Os instrumentos musicais do meu vizinho… já não sobem, nem descem as escadas com notas dançantes!

Mas… tenho uns vizinhos novos!

É agradável sentir o vaivém  do entra e sai do abrir e fechar a porta, ouvir vozes imperceptíveis, reconhecer a chegada e a partida do obediente elevador, cumprimentar e ser cumprimentada cortesmente!

Mas… há dias em que começo a ouvir cada chuvada! Às vezes, é precedida de um cantar de chuva miudinha! Mas, há manhãs em que os sons aquáticos sugerem mergulhos ora de cisnes, ora de crianças irrequietas, que… chego a temer que o “lago” transborde e  se afogue no mar imenso e calmo dos quadros que tenho pendurados na indiscreta parede, que não se ergue como uma barreira à boa vizinhança!…

E… os chilreios da minha amiguinha Pagizinha continuam a alegrar a manhã, a chamarem-se e a despertarem-me ternos sorrisos ao longo do dia!…

A Minha Aldeia Povoada de Música e Visitada pela Escrita Contadora de Histórias
Julho 25, 2014

A Minha Aldeia, 2014

 

Na minha aldeia existe uma escola de música! Uma grande escola de música! Recheada de gente nova de olhos sorridentes e asas de sonhos com ecos no teto do mundo!

E também existem orquestras!

Ontem, a orquestra de sopro presenteou os aldeãos e os turistas, que nesta altura do ano são inúmeros e de origens e classes sociais diversificadas, mas todos amantes da música, com um concerto espetacular!

Em simultâneo, “logo ali”, aconteciam conversas com um escritor, o autor d´ Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, d´ A Boneca de Kokoschka, que nos suscita a curiosidade sobre: Para onde Vão os Guarda-chuvas, entre outras obras, e que vive, dizem, num monte alentejano, o Afonso Cruz!

E… prosseguia-se com um dos contadores de histórias da semana, o António Fontinha, deleitando ouvidos, e arremelgando olhos!

E… eu cogitava contrariada, dividida e triste… que se a escrita e as histórias também são fina música para a vida: de quem escreve e lê, de quem conta e escuta, de quem tem os sentidos apurados, porque se sobrepõem as letras, as cordas e os sopros?!…

E… o pior é que no ano passado ocorreu a mesma desafinação…

Quando Eu For Grande – Vigésimo Desejo
Julho 25, 2014

Menina Grande

Quando eu for grande, visto um vestido de verão à noite, florido de mar e bordado de estrelas, tecido de sorrisos!

Embalo o sono das crianças, e faço camas fofas, de lençóis lavados e frescos, para os meninos de rua – todos os sem-abrigo são meninos-órfãos!

E… peço à brisa silenciosa e doce para adormecer todos os relógios para que: os namorados, os amigos, e os poetas cantem o amor e celebrem a vida harmonizados com as essências perfumadas do ser e a pureza da natureza sem o rumor ensurdecedor e a pressa perturbadora do tempo.

Estórias de Meninas – A Capa, uma Grande Mulher!
Julho 24, 2014

Menina

Aguardava a minha vez num supermercado para efetuar um pagamento, voando nas asas do meu pensamento, e escutando os ecos ensurdecedores de tiquetaques de muitos estômagos contraídos de vazio…

De repente, a doce melodia de uma voz com notas abertas de sorrisos vindos de um coração grande despertou a minha atenção.

Na outra caixa, a minha amiga afável, educada e sorridente atendia um cliente.

Observei-a por instantes.

Faltava-lhe aquela fita larga no cabelo, salientando os seus enormes olhos, ampliando  o seu sorriso, destacando a sua beleza aberta e franca.

A economia, cerne da sua formação académica, permanecia oculta nos seus gestos: delicados, ágeis e precisos, perfeitamente adequados ao momento e respetiva função.

Na sua frente,  não tinha uma turma para ensinar, nem para dar testes, nem avaliar…

Trabalhava digna como sempre fora, a vencedora de uma doença oncológica quando usava batina, a sobrevivente de uma acidente rodoviário, a mãe orgulhosa da minha linda sobrinha de coração, que ela já amava quando ainda sonhava com a grandiosidade da maternidade.

Naquele momento, a minha ternura e a minha admiração pela minha amiga cresceram.

Inesperadamente, os nossos olhares cruzaram-se com os nossos sorrisos. Ela pronunciou espontânea na sua autenticidade:

– A-mi-ga!

E… emprestou o nosso sorriso ao cliente seguinte…

Retirei-me com o meu coração a pulsar de alegria, escutando o que ele lhe dizia:

– Estou orgulhosa de ti, amiga, despida de preconceitos, grande mulher!

O Homem e a Natureza
Julho 24, 2014

Pescador à Linha, 2014

 

O homem encontra-se na comunhão com a natureza, respirando a saliva do mar com beijos doces de brisa salgada, desafiando-se com jogos de equilibrista, perseguindo os peixes brincalhões.

Olhos Floridos de Lágrimas
Julho 23, 2014

Flores de Papel, 2014

Os olhos floridos de tristeza gotejam lágrimas de injustiça, engrossando as nuvens poisadas nas árvores de folhagem trémula, procurando a primavera com danças entontecidas!

Voos de Paz
Julho 17, 2014

Flores do Meio Dia

Vestia-me de indignação, à medida que escutava a descrição partilhada do primeiro reencontro!

Incrédula, limitei-te a formular a pergunta como se repentinamente alguma faculdade mental tivesse adormecido!

O simples e discreto evento, mas florido de inocente expectativa na primeira pessoa, acabava de constatar, que proporcionara mercê de  insistentes pedidos, e com concordância entusiástica de ambas as partes, fora uma mentira!

Na minha mente deslizaram as imagens legendadas de uma fita a cores, mas de fundo a preto e branco, e mudo, percebia agora!

Tinha sido usada, enganada, desrespeitada, atitudes antagónicas à apregoada amizade!

A pouco e pouco, fui fechando as pétalas feridas do meu coração, insensíveis aos calorosos abraços do sol invadindo a sala!

A noite foi uma criança, que acordou soltando soluços livres nas asas do silêncio com voos de paz!

Histórias de Fantoches – A Margarida, 3.ª Página
Julho 17, 2014

A Margarida

– Despedir?!… – interrompeu, num sobressalto, a margarida.

– Na verdade, minhas queridas flores, a açucenazinha tem razão – afirmou o girassol, agitando o seu brilhante colar dourado. O tio da menina Dália, o Sr. Goivo, decidiu substituir a alegria viva e natural do jardim por um monstruoso e frio campo de ténis onde os adultos se divertem, mas também se enervam e ferem os joelhos.

– O que é um campo de ténis? – perguntou a alfazema.

– É uma superfície retangular, plana, de piso duro, que tem uma rede ao meio, em toda a sua largura, que o divide em duas partes iguais – informou o girassol.

– Como sabes tudo isso, girassol? – inquiriu o cravo amarelo.

– Vi naquela caixa mágica, barulhenta, apressada, irritável onde tudo é pequenino, num dia em que espreitei pela janela da sala; acho que se chama televisão. Que susto que eu apanhei! Nem me quero lembrar, porque até fico branco – esclareceu o girassol.

– Precisamos da tua ajuda, margarida, para sairmos deste canteiro e escondermo-nos onde ninguém nos faça mal – pediram as miosótis.

– Sim, margarida, ajuda-nos como já fizeste noutras vezes – pediram em coro: a rosa vermelha, a açucena, o girassol, a alfazema e o cravo matizado.

–  Está bem! Vou à procura de um lugar seguro para viverem. Esperem, que eu volto já.

A margarida fez alguns exercícios de aquecimento, abriu as folhas e voou, voou…

Quando regressou, disse às flores mais aflitas para soltarem suavemente as raízes do solo, e seguirem-na em silêncio.

Conduziu-as até ao quintal de um casal idoso que gostava muito de flores, que certamente lhes serviria água fresca, conversaria com elas todos os dias, acariciá-las-ia com a leveza terna das suas mãos enrugadas, transpirando o encantamento e a serenidade dos seus longos e sábios anos.

Ajudou-as a instalarem-se perto do riacho, porque algumas eram vaidosas, e gostavam muito de ver-se ao espelho.

Depois despediram-se com festinhas perfumadas, não conseguindo esconder as gotas orvalhadas que deslizavam pelas suas pétalas, acenando à margarida súplicas de não-me-esqueças.

Durante o caminho, a margarida lembrou-se do jardineiro, o Sr. Jacinto, que fora sempre amigo de todas as flores.

Que pensaria ele quando desse pela falta das suas amigas?!…

Talvez que alguém as tinha roubado.

Será que alisaria a terra, tristemente, e procuraria outras flores para pôr no seu lugar?!…

Mas, e o tal campo de ténis?!…

(continua)