Histórias de Fantoches – A Margarida, 4.ª Página

A Margarida

A margarida regressou ofegante, transpirando, limpando delicadamente as sua pétalas com o verde recortado das sua folhas.

Escutou atentamente as outras flores, que arquitectavam uma fuga para algures…

– O Monte da Esperança seria um bom lugar para nos escondermos, não acham? – propôs a malva.

– Não creio! – retorquiu, altiva, a crista-de-galo.

– Porquê? – interrogou a hortênsia.

– Ora! Porque seríamos descobertas facilmente, e talvez colhidas com os mesmos objectivos. Hum! Os homens só pensam em si! Nem sabem que somos seus amigos, que os admiramos, que gostamos de cumprimentá-los com os nossos perfumes, delicada e magicamente.

– Acho que tens razão! – adiantou a orquídea.

– E tu, margarida, que dizes? Desde que chegaste que estás muda! – observou o gladíolo.

– Falem, falem, enquanto eu maquino aqui um plano. Nem vos estou a ouvir com atenção – respondeu a margarida pausadamente, apoiando as suas pétalas numa folha que as mais pequenas seguravam.

– Não sou supersticiosa, mas ouvi dizer que no vale que circunda o monte passeiam uns fantasmas, pela noite, e devoram: as flores-do-meio–dia, as mimosas, as flores-dos-passarinhos e as ervilhas–de-cheiro – sussurrou a boca-de-lobo.

– Não acredito nisso! – gritou o cardo. São conversas fiadas, coisas sem sentido! Fantasmas?!…Onde já se viu?!… Os duendes é que discutiram e os espezinharam, enquanto fugiam, depois de brigarem uns com os outros.

– Calma, calma, família das flores! – pediu docemente o lírio, esboçando um sorriso, e acarinhando-as com o olhar. Em silêncio, baixou as alvas pétalas em sinal de paz, e todos se aquietaram, e calaram.

Prima margarida, porque estás tão pensativa? Há pouco, levantaste uma pétala pedindo para ter a palavra, mas depois baixaste-a. Chegaste a alguma conclusão, e queres apresentar-nos alguma proposta?

– Sim, querido lírio. Obrigada! Estava a pensar num projecto muito sério e arriscado, mas parece-me o mais acertado para as nossas vidas, embora exija muita coragem e esforço.

– De que se trata? Vamos, diz! – insistiu, curiosa, a buganvília.

(continua)

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