Archive for Junho, 2014

A Vergonha Florescida
Junho 24, 2014

Flor Vermelha, 2014

A vergonha é uma nuvem de poeira, que uma chuvada de lágrimas dissipa, e que a manhã renascida do ser floresce!

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O Perdão do Amor
Junho 24, 2014

Flor do Amor, 2014

Ama quem perdoa a dor, libertando-a, e abraça o amor, perfumando-o de primaveras de sorrisos!

A Ilha do Ser
Junho 12, 2014

Ilha, 2014

Há em ti a secreta sensibilidade das ilhas onde a dança das palmeiras abraça o vento, e a liberdade palmilha o mundo em barcaças esculpidas de gaivotas com asas de girassol.

E… no teu rosto sulca a alegria, desfolhando as pétalas sorridentes das madrugadas!

Histórias de Fantoches – A Gabriela, 7.ª Página
Junho 9, 2014

 

A Gabriela

– Está bem, Gabriela! Um dia, o meu tio Domi estava a fazer um papagaio de papel com uns jornais, uns pedaços de revistas e umas folhas de caderno que o vento trouxera para o portão do quintal!

–  Bela, e o teu tio deixou-te brincar com o papagaio de papel?

– Primeiro, ele não queria, porque eu era muito pequenina e magrinha, e tinha medo que o vento me fizesse cair, mas eu achei que não era possível.

– Concordo! E ficaste triste?

– Fiquei, mas… o meu tio percebeu, e deixou-me pegar na corda, que eu imagina as patas do pássaro!  Foi uma grande sensação, mas… era preciso ter força para o vento não o atirar ao chão, ou para cima do estendal da tia Laurinda! De vez me quando, o meu tio tinha de segurá-lo, e dizia-me a rir:

– Temos de ter cuidado, se não o papagaio ainda vai poisar na roupa, e depois ficamos sem ele! Ainda se ele fosse de verdade e falasse, pedia-lhe desculpa, e a tia Laurinda devolvia-nos!

– E tu?

– Gabriela, eu fiquei assustada, e quando ia pôr o papagaio na mão do meu tio, ele caiu dentro do tanque, e… ficou todo molhado!

– Oh! Que pena! E o teu tio zangou-se, Bela?

– Não, Gabriela! O meu tio ficou muito triste, mas como eu comecei a chorar, em vez de ir socorrê-lo e tirá-lo do tanque, ele  veio limpar as minhas lágrimas!

– O teu tio é muito teu amigo, Bela!

– É verdade! Eu também gosto muito dele. Quando o meu tio tirou o papagaio do tanque, já não tinha… penas!

Então, lembrei-me de que o Sr. Sabe-Tudo, um amigo da minha madrinha comprava o jornal todos os dias, e podia dar-me algum velho. Mas… eu queria que o novo papagaio  do meu tio Domi tivesse umas penas de outras cores.

– Boa ideia! Devia ficar mais bonito! E conseguiste?

– Pedi à minha madrinha, e ela abriu um mealheiro, tirou umas moedas, e fomos comprar duas folhas grandes de papel, uma cor-de-laranja, e a outra verde, e o meu tio ficou muito contente quando lhas entreguei! Até me abraçou!

O pior foi ter-me esquecido da cola!

– Que pena! E como resolveste?

– Fui pedir farinha à tia Laurinda, que gostava muito de mim, e depois o meu tio misturando-lhe água, muito devagarinho, e já tinha cola.

E fez o papagaio de papel mais bonito de todos!

– E tu brincaste com ele?

– Não, Gabriela! Fiquei a olhar, e batia palmas quando o meu tio fazia do papagaio de papel um acrobata!

– Que aventura!

– Não foi como a tua, mas eu gostei muito, e não precisei de andar escondida!

Gabriela, agora é a tua vez! Estou à espera que me contes uma alegria especial!

(continua)

Quando Eu For Grande – Décimo Oitavo Desejo
Junho 9, 2014

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser uns óculos de ver ao perto, daqueles que se usam na ponta do nariz, para os adultos perceberem que os pés das crianças dão passos de gigante, e que as suas mãos têm a forma de um coração com asas de imaginação.

Gente Boa da Minha Aldeia – Viver em Família
Junho 8, 2014

Flores - Família, 2014

A minha pequena aldeia é uma grande família!…

As pessoas desejam umas às outras: os bons-dias, as boas-tardes, as boas-noites!

E sorriem!

E… perguntam pela família, quase sempre pelos mais velhos, e pelos mais novos!

Trocam interjeições de admiração quando não se vêem há tempo, e… dão elogios bem-parecidos, talvez movidos pela saudade!

E… oferecem préstimos bem intencionados e insistentes.

Explodem de alegria!

E… choram, e abraçam a quem a desgraça bate à porta, e… entre si numa dor partilhada, confortando-se mutuamente!

Estes sentimentos doem, mas fortalecem simultaneamente, e… são eles que nos fazem sentir que vivemos em família!

 

O Ser Eterno
Junho 8, 2014

Seixos, 2014

Quem se julga ou sente um ser eterno, não vive!

Os Sapatos e as Malas Pretas
Junho 7, 2014

Mar de Lantejolas, 2014

Eram três fartas cabeleiras louras onduladas, rígidas e muito bem penteadas.

Eram seis finos e grandes laços pretos – um deles amarrotado na ponta, talvez por ter estado mal deitado nalguma caixa de sapatos -, com pontas diferenciadas, a brilhar sobre seis saltos muito altos, destacando seis delicados peitos de seis pés com seis meias de seda, contornado belas formas femininas até aos joelhos.

Eram três malas de mão pretas, todas ovais, gordinhas, e com duas asas, e uma bolsa à frente com uma pala de algibeira, e um botão, ouvindo a conversa de circunstância das suas donas sarapintada de sorrisos nos lábios rubros e brilhantes, da mesma cor das unhas.

Seriam amigas?

Não se sabe!

Mas… pertenciam à mesma geração: a dos sapatos com finos e grandes laços pretos, e das malas de mão pretas e ovais com uma bolsa de pala e um botão!…

E… o louro e o rubro sorriam, e faziam sinais…

Uma Senhora Idosa
Junho 7, 2014

Árvore-Cão, 2014

Era uma vez…

Uma senhora idosa de cabelo de seara madura caída, olhando para o chão, procurando alguma papoila rosada de esperança ou um sorriso de um caracol, trazendo um pequeno e obediente cão preso a uma corda enrolada na sua mão.

Pegara na mão de um menino, baixinho, gordinho e traquina, de quem alguém se esqueceu, e que  um dia ela pegou ao colo, que acarinhava, a quem por filho tratava, e com quem ralhava, irritada e triste por não saber responder-lhe a quase nada!

O menino cresceu, e o cão envelheceu…

Agora a senhora idosa de cabelo de seara madura usa um lenço de viúva ou um cachecol na cabeça, anda sozinha, arrastada e calada, perguntando a um ou outro conhecido pelo filho que ninguém viu, contando as pedras da calçada…

E… no terraço da vizinha-árvore renascida de primavera, um cão vestido de folhagem segue silencioso os passos dela…

A Música-Muda
Junho 7, 2014

Ponte para o Mar, 2014

A música dos dedos do jovem vizinho já não sobe nem desce as escadas numa correria desenfreada, nem atravessa as paredes de cristal na sua sinfónica dança, despertando os sentidos!

O eco é de música-muda, ao som do canto da sereia, que nada impenetravelmente silenciosa no mar paradisíaco do seu lar…