Archive for Maio, 2014

O Homem Borboleta Encandeada
Maio 21, 2014

Luz na Escuridão, 2014

O homem-senhor-do-mundo é uma borboleta encandeada, correndo atrás da luz de um candeeiro a petróleo, que a mais leve brisa ou gota de lágrima de alguém que empurrou, apaga!

Remendos do Coração
Maio 21, 2014

Flores no Areão, 2014

O pobre nada oculta, porque tudo transparece através dos seus farrapos, os quais, envergonhados ou não, remenda com sorrisos do coração!

A Partilha da Vida Sofrida
Maio 21, 2014

Reflexo na Areia Perdida, 2014

Como o pão duro que levas à boca, e bebo a água fria do púcaro esmaltado, falhado, cantando hinos de alegria, para que sorrias!

Aerograma N.º 20 – Coração de Irmã
Maio 21, 2014

Caminhos à Beira-Mar, 2014

Terra do Gama, Dia da Surpresa, Mês de Maria, Ano da Alegria

Querida Amigalhaça,

Trazias no rosto a alegria, no cabelo os traços de menina que corria, na mão um saco de sonhos escondidos com o teu vestido de noiva tecido com o calor africano, moldado com a brisa do mar do norte alentejano, no coração o amor azul, sorrindo feliz ao teu lado!

Tudo foi belo e único no nosso breve, mas tão profundo encontro de partilha, de festa!

Tocam os sinos da felicidade, envolvendo-te(-vos) na sua repicada intensidade musical, enlouquecendo os pássaros com danças, desenhando sonhos com pegadas: uma professora sábia e alunos sorridentes; um laço de mar e céu com fios dourados de amor, fundidos num beijo eterno repassado de hinos floridos de primavera renovados de desejos saciados!

Transportas a tua tese timbrada de despedidas, de mudanças, de dores, de sofrimentos, de esforços, livre e vitoriosa!

Transbordo de emoção, e o meu sentir de irmã solta-se com palavras quando só ele e eu falamos:

– Estou tão feliz! Tão feliz! Tão feliz! Mais do que se estas dádivas me tivessem sido oferecidas!

Abracinho apertadinho, soprando o pó do caminho da tua terra do teu vestido de noiva!

Tua Irmã do Coração

 

O Sonho Leve e Pesado
Maio 21, 2014

Céu de Primavera Poente, 2014

O sonho adormecido é leve como a brisa, e o sonho acordado é pesado como a rudeza da vida.

Quando Eu For Grande – Décimo Sétimo Desejo
Maio 19, 2014

Menina Grande

Quando eu for grande, vou pedir à noite para me encantar em lua dourada cheia de sorrisos, e darei voltas ao mundo no dorso do vento com os meninos tristes sentados nos braços das estrelas, cantando de mão dada até de madrugada!

 

As Lições dos Impostores
Maio 11, 2014

Dourados de Primavera, 2014

Todos os impostores ditam convencidos a quem os ensinou, aquilo que decoraram, mas não aprenderam!

Soltar as Correntes
Maio 11, 2014

Mar Livre, 2014

Não te deixes acorrentar  pela insaciável ânsia do sucesso!

Sê livre!

Vive!

A Verdadeira Riqueza da Vida
Maio 11, 2014

Árvore da Cidade Azul

Sintoniza-te com a tua realidade interior, e projeta-te na verdadeira riqueza da vida: o amor! 

A Pagizinha, os Bichinhos e as Novidades
Maio 11, 2014

A Pagizinha

A Pagizinha,  a minha querida amiguinha, é uma caixinha de música, surpreendendo-me alegre e continuamente!

Há dias, ao abrir-me a porta, e sem que eu tivesse oportunidade de expressar-me, ao olhar para os seus pezinhos descalços, retorquiu:

– Tenho as unhas pintadas!

E…. tinha! Pareciam pétalas de uma rosa vermelha, brilhando nos seus branquinhos e delicados dedinhos!

Eu bem suspirei perante a cor pálida das minhas, o que a deixou pensativa, mas… o meu desejo de mudança não foi satisfeito, certamente por que o verniz e o respetivo pincel não fazem parte dos tesouros do seu baú, nem tinha sido a autora da pintura!

A Pagizinha tem uma vida social ativa! Compareceu  novamente na assembleia do condomínio, tal como informara no jardim de infância: “Hoje tenho uma reunião”! Estava sentada num banquinho verde, que trouxera de casa, e mostrou-me um bloco onde foi tomando notas com atentos rabiscos, e produção de originais desenhos.

Mas… anteriormente a estes recentes acontecimentos, a Pagizinha ligou-me, convidando-me para ver os seus bichos. Aceitei entusiasmada, sem fazer perguntas, imaginando que teria à minha espera bolinhos-animais com olhos de passas e bocas fundas e rasgadas, que os seus dedos teriam delineado com precisão, com dentes de amêndoa ou coco!

Desci sem demora!

Fui acolhida pela Pagizinha com… aquele abraço interminável!

Conduziu-me à cozinha!

Os bichinhos-bolinhos não se encontravam sobre a mesa como eu previa. Na verdade, não contava com os bolinhos de gengibre, que ela não consegue comer desde que foi guloseando a massa crua e vomitou, mas… e Pagizinha e a mãe têm um rol de receitas.

A minha amiguinha levou-me  até perto da janela.

Vi uma caixa de sapatos com a tampa perfurada assente num banco.

Abriu-a suavemente…

E… lá estavam os bichinhos-da-seda, deslizando onduladamente, banqueteando-se com as folhas da amoreira, que ela tinha ido apanhar com a mãe, e contou-me este episódio:

– A minha mãe dava saltos, mas não conseguia chegar à comida, e depois apareceu um senhor.

Na verdade,  fora um Sr. quem as colhera da árvore, depois de algum tempo de espera, na esperança de que alguém aparecesse, o que sucedeu.

Os bichinhos tinham todos nome… dos seus amiguinhos da escolinha, que enumerou um a um!

Sorri!

A Pagizinha quis negociar comigo. Deu-me uma ficha com o número dezanove para poder comprar um bichinho.

Não foi fácil justificar o meu desinteresse, mesmo alegando que não tinha onde colocar, que ele sentir-se-ia sozinho.

Inistia:

– Leva a…, que se porta muito mal, e estraga-me tudo!

Quis até trazê-la à minha casa numa tigela!

Depois lembrou-se de que tinha um quarto novo – remodelado.

– Queres ver o meu quarto de princesa? – perguntou-me com brilho nos seus lindo olhos.

Dirigimo-nos ao quarto, mas… ouvi um:

– Não podes entrar!

Na verdade, descer um piso de um prédio com elevador, é trazer calçado da rua! Não me descalcei; optei por ficar à porta, uma vez que avistava perfeitamente o reino da princesa.

A Pagizinha palpou o colchão da cama nova, afirmando:

– É bom! Tenho outra cama por baixo, para o meu pai dormir!

Mostrou-me o roupeiro, abrindo as portas, fazendo algumas descrições sobre vestuário bonito, oferecido…

Aproximou-se da secretária, apontou para um equipamento, e disse-me:

– O computador é onde faço os testes!

Contente com a partilha, a minha amiguinha dava saltos para tentar apanhar as galinhas penduradas no candeeiro de teto, mas em vão, porque elas rodavam! E… ela sorria divertida com o jogo.

No quarto da Pagizinha também há um banco branco, de jardim, com almofadas floridas acerca do qual salientou:

– Este banco também é de  princesa, por isso não posso pôr os pés em cima! – apontou para as sabrinas e meias cor-de-rosa, movimentado um dos pés negativamente.

A mãe aproximou-se de nós, chamou a atenção para as fotos graciosa e amorosamente expostas, e a princesa foi descrevendo o decurso da sua vida curta ainda, mas imensurável de amor!

Ficámos sozinhas novamente.

– Queres ver o quarto do meu pai? Também é de princesa, mas o pai tem a roupa desarrumada, ao contrário da mãe, que tem a roupa engomada no quarto do avô!

Estava tudo em ordem nos aposentos dos príncipes, os pais, como é habitual!

Fomos para a sala.

A Pagizinha mostrou-me uma boneca, e disse-me:

– Esta é a boneca que gosto mais!

Pegou num fio prateado com um coração, e referiu, colocando-o:

– É a minha tiara preferida!

Momentaneamente,  a alegria da Princesa Pagizinha ficou nublada com a hipótese de ir mudar de  escola, não obstante ter a possibilidade de os avós a puderem ir buscar, o que atualmente não acontece, porque:

– Gosto da minha escola!

Mas… a minha amiguinha mudou de ânimo quando declarou:

– Vou dar uma cambalhota. Queres ver?

Olhou para o chão, e.. faltava a carpete, que ainda não tinha sido substituída!

E… mesmo com a fita cor-de-rosa no cabelo, não lhe foi autorizada a demonstração!

Elogiei o arranjo de flores silvestres, que estava sobre a mesa, e a Pagizinha tirou a tesoura da mala, e prontificou-se:

– Vou cortar algumas para levares!

Agradeci, sem poder aceitar, e anunciei que me ia embora.

A Pagizinha respondeu-me:

– Vou acompanhar-te!

Pôs a mala ao ombro,  foi comigo até à porta, e despedimo-nos calorosamente!