A Menina Azul – Os Ventos…

Ondas com Vento, 2014

O vento atirava-se agressivo às janelas, tentando despi-las, e entrava enfurecido pelas chaminés, soprando frio, e deitava árvores ao chão, causando tristeza, e fazia cair as senhoras idosas, passando-lhes rasteiras, e… batia no meu coração, arrancando-lhe memórias de outros temporais devoradores de barcos, despedaçando vidas, destroçando famílias, paralisando crianças com sonhos!

Mas… continuei serena e firme, sem medo, porque só atravessando os vendavais aprendemos a enfrentá-los corajosos, esperançosos, vitoriosos!

Nas noites de invernia, há respirações suspensas nas paredes brancas das casas dos pescadores, olhos acordados e silenciosos à espera que as forças destruidoras da natureza se aquietem, lábios ressequidos do sal que os lambeu nas longas e tormentosas esperas!

E… quando o cansaço vence o vento, ele assobia como um comboio anunciando a partida. Então, as crianças começam a sorrir, as cafeteiras saem do lume fumegando, as portas abrem-se, e… a vida recomeça devagarinho, mas rapidamente acelera e enche-se de pressa, dando a mão a outros ventos desgrenhados de sorrisos!

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2 Respostas

  1. Lindo!!!

    • A minha amiga tocada pela beleza que nos cerca, não obstante ser pintada por ténues pinceladas de palavras!
      Beijinhos e muito obrigada!

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