Archive for Dezembro, 2013

Precisar e Alcançar!
Dezembro 27, 2013

O Pé Descalço

A distância entre  precisar e  alcançar está nos pés descalços e nos sapatos,  no caminho curvo e pedregoso e no asfalto da autoestrada, e na desigualdade de oportunidades que a vida oferece a cada um!

O Papel dos Cadernos e dos Presentes
Dezembro 27, 2013

Livros, Presentes e Flores

Recordo-me de forrar os meus livros escolares e os cadernos com papel comprado às folhas, algum imitando a textura da madeira, mas colorido de folhagem, de mar turquesa ou de vestido de princesa.

Mais tarde, vestia-os de plástico transparente, permitindo-lhes que exibissem a sua tentadora beleza sem máscara!

Surgiu o papel autocolante, também ele transparente, liso ou martelado, e continuei a forrar livros e cadernos mergulhada num imenso mar de amor maternal!

Hoje… ainda forro livros didáticos ou outros de suma importância, usuais!

Ao longo de todos os tempos sempre fiz embrulhos de presentes confecionados por mim ou adquiridos em todas as épocas e eventos, ou criando-os, selando-os com um laçarote, e fazendo deste simples, mas carinhoso gesto uma festinha!

Quando Eu For Grande – Quarto Desejo
Dezembro 27, 2013

Menina Grande

Quando eu for grande, vou contar a todas as crianças do mundo que no Natal festejamos o nascimento de um Menino chamado Jesus, que nos ensinou a amar uns aos outros, e pedir-lhes para surpreenderem os pais  com esta verdade, e também para não terem vergonha de dizer-lhes que são eles quem lhes dá as prendinhas-miminhos, que querem dizer que gostam muito deles, quando celebram a festa da família!

Gente Boa da Minha Aldeia – As Boas Festas do Livreiro
Dezembro 25, 2013

Quilha de Barco-reflexos, 2012

Ia a passar apressada à porta da livraria, mas cogitando parar, dar uma olhadela lá para dentro, e reiterar os meus votos de: Feliz Natal a todos os livros!

De repente, só as cores das palavras da ampla montra brilhavam, mas… vislumbrei uma sombra!

Dei sinal, e  encostei o carro junto ao passeio do lado oposto, por onde seguia!

Abri a janela!

Sorri!

Não era um fantasma curvado como se fosse uma novelo gigante a puxar pelo escudo largo e branco, ocultando a porta da livraria!

Era o livreiro a fechar a única loja aberta naquela rua calada e nua na véspera de Natal!

Era o  livreiro a voltar-se quando o som da minha voz interrompeu a sua conversa silenciosa com os livros que ficaram nas prateleira!

Era o livreiro a sorrir para as minhas palavras certeiras sobre a melhor hora para passar por ali, e apanhá-lo!

Era o livreiro a ficar embaraçado quando elogiei o seu boné, desafiando o vento frio e forte!

Era o livreiro a sorrir  para as suas princesas e para o seu primogénito, acabado de chega, envoltos em carícias de Feliz Natal de todos os dias!

Era o livreiro a agradecer e a retribuir com sorrisos!

Era o livreiro a soltar um sorriso do peito, erguendo-o no canto da vida, quando evoquei o mais belo presente de Natal: o poema do amor!

Voo Impossível
Dezembro 15, 2013

Redes para o céu

Caminhas sobre as nuvens para não magoares o mundo!

Regas as árvores queixosas para resistirem às agressões das estações!

Tratas os pássaros feridos para voltarem a voar!

Tocas o Céu a todo o momento com todo o teu ser!

Queres entrar,  mas… só quando fores chamada!…

Os Tempos da Vida, Um Só Tempo: Hoje!
Dezembro 15, 2013

Flores Trepadeiras, 2013

O tempo passado é o mestre-escola, o que nos legou livros e lições, alegrias e lamentações, sorrisos e gratas recordações!

O tempo futuro é o que só existe no nosso pensamento coroado de  sonhos, a mola motivadora da imaginação, instruindo os nossos passos com asas.

O tempo presente é o corcel multicolor da vida real, o hoje, o aqui, o agora, o imperdível pela sua unicidade e irrepetibilidade!

Escuta a Alegria
Dezembro 15, 2013

Despedida do Sol, 2013

Escuta o sussurro dos poemas da alegria ecoando no silêncio, nas paredes lisas, nas asas do vento, no vaivém das ondas e no asfalto! 

Quando Eu For Grande – Terceiro Desejo
Dezembro 15, 2013

Menina Grande

Quando eu for grande, entrelaço-te com um manto estrelado de açucenas naquele inefável e infinito abraço!

O Convencido-Enganado
Dezembro 15, 2013

O Veleiro Perdido, 2013

– A mim, ninguém me engana! – apregoava convencido o orgulhoso do Bento na tasquinha do largo.

– “Compadri”, “pôji”  “fiqui” sabendo que o pior engano “éi”  dizermos isso à “genti”, porque já nos estamos enganando!  – respondeu-lhe o “ti´” “Manel” pensador, afastando-se!

A Minha Aldeia – As Jovens Astronautas, o Largo Sozinho e a Rua Nua
Dezembro 10, 2013

Janela, 2013

Subi a pequena rua até ao largo, um largo também ele alentejano como o que o Manuel da Fonseca descreve com unicidade, mas… mais pequeno, porque a extensão da minha aldeia é para o mar.

Não encontrei ninguém, pois o centro histórico tem vindo a ser cruelmente despovoado!

Ouvi o silêncio e os gemidos das saudosas casas fechadas onde o comércio/serviços morreram, e com eles a alma do largo!

Procurava, com prévias indicações de um rapaz de simpática bóina, vigilante de uma exposição de Cunhal,  uma jovem trabalhadora da Casa J, para me entregar um documento.

Nos degraus da casa dos segredos do largo, onde se faziam chamadas secretas com ecos das pequenas cabinas, e colavam selos com línguas gulosas em cartas de amor, estavam sentadas algumas jovens vestidas de fatos macacos de astronauta,  sarapintados de tinta, uns mais do que outros, e duas encontravam-se de pé!

Gracejei com a fotografa pela ausência da sua máquina, muito propícia para registar aquele momento de pausa com  indumentária de criadoras decorativas para a festa de Natal!

Fui acarinhada por uma priminha com rosto brilhante e liso de  boneca de porcelana, que deu uns passinhos, e veio ao meu encontro!

Uma das jovens, a mais alta e forte, que permanecia de pé, tinha o fato branco com um remendo de fita castanha, de embrulho, fazendo de costura na zona central do assento, motivo de risada perante o meu “elogio” à variante!

Proliferavam os sorrisos, e as exclamações aos trabalhos, que cuidadosa, entusiasmada e alegremente preparavam no interior do edifício!

Mas… quando as jovens astronautas abriram as asas e voltaram para o ninho, o largo ficou a falar sozinho, e a rua nua e fria tremia!