Archive for Julho, 2013

Transpor Portas, Muros e Grades
Julho 4, 2013

Portas do Ser, 2013

Todas as portas têm uma fechadura e/ou um postigo!

Todos os muros querem saltar contigo!

Todas as grades se abrem, se quiseres lutar, vencer e ficar bem contigo!

O Peixe das Malhas do Destino
Julho 4, 2013

Uma Estrela no Mar, 2013

Colhe todo o peixe  nas malhas do destino, sacia-te e  reparte o melhor no banquete da vida, atira ao mar o que o pode alimentar, e  conserva as boas memórias do repasto!

Ser Onda na Praia da Vida
Julho 4, 2013

Espuma de Onda, 2013

 

Sê rasto de onda nos teus passos, frescura de ideias, borbulhar de sentimentos, perfume de beleza das coisas, espuma de sorrisos cintilantes de alegria na praia da vida!

A Mão Dada da Despedida
Julho 4, 2013

Pôr-de-Sol, 2013

 

Na curva da estrada escurecida, acena o sol da rubra e envergonhada despedida!

E … os olhos brilhantes das crianças seguem-no de mãos abertas, suplicando-lhes como os corações dos apaixonados perdidos de saudade:

– Não vás! Fica aqui comigo!

Ser Avozinha
Julho 4, 2013

Flores brancas, 2013

Ser avozinha é mais do que trazer um vestido vermelho decotado com bainha em balão, calçar uns sapatos vermelhos de saltinho fininho e altinho, pôr uma mala vermelha ao ombro, desfrutar do prazer de uma cigarrilha na boca,  segurar um copo de imperial na mão.

Ser avozinha é, de facto, algo diferente, rico e terno! É aproximar-se do netinho de tenra idade, falar com ele, pegar-lhe ao colo, retirar o carrinho vermelho da areia solta, colocá-lo na passadeira da praia, sentar docemente o menino, e empurrá-lo, partilhando a sua brincadeira!

Parabéns, avozinha!

Gente Boa da Minha Aldeia – A Senhora Simpática
Julho 4, 2013

Quilha de Barco-reflexos, 2012

Na minha pequena aldeia, uma amiga dos verdes anos de estudante na capital dos distrito procurou-me decorrida pelo menos uma década desde a sua última visita, num dia de Carnaval, mas… não estava ninguém na casa da rua do poeta apaixonado, nem na do escritor do concelho vizinho!

Passeava pelo pequeno jardim, e resolveu perguntar a uma senhora se me conhecia, a qual lhe respondeu prontamente que sim!  E … a minha saudosa amiga partilhou com ela a sua frustada busca, e infrutífero contato através das novas tecnologias.

Mas … a expedita e simpática senhora apressou-se a indicar-lhe uma pista, que talvez a conduzisse ao seu objetivo: o estabelecimento de restauração de um familiar, ao qual se dirigiou com esperança de  ainda poder dar-me um saudoso abraço!

Estabelecida a ponte pela minha prima, encontra-nos-íamos naquele local.

Um dia destes, certamente serei surpreendida por uma senhora que irá cumprimentar-me, e partilhar a sua participação, perguntando-me, expectante, se estive com a minha amiga!

Muito Obrigada, senhora simpática da minha aldeia, que hoje não (re)conheço, nem  sei o nome, mas … antevejo no rosto sem traços um grande sorriso por nos ter proporcionado este encontro!

Os Jogos de Praia da Tildinha
Julho 4, 2013

Praia, barcos e vegetação, 2013

A Tildinha queria muito conhecer a praia da minha aldeia, localidade que visitava pela primeira vez! Quando a avistou, bateu palmas, encostou-se ao muro e disse:

– Quem quiser ir à praia, ponha o dedo no ar.

A avó, a tia e os três amigos sorriram, e apressaram-se a satisfazer o seu desejo – dois deles, o jovem e eu, erguemos os indicadores das duas mãos! A Tildinha riu-se vitoriosa, e contou em voz alta os seis dedos no ar, incluindo o seu.

Depois, olhou para o rosto contrafeito do avô e retorquiu:

– Querem seis! Vamos os sete!

E … lá fomos!

A menina ia acariciando o rugoso muro com a delicadeza dos seus dedinhos como se percorressem a seda de um longo vestido ou as sedutoras meias de vidro da madrinha.

Quando chegou perto das escadinhas, aceitou o meu convite para ir molhar os pés com a euforia de quem solta um balão preso na mão.

A tia tirou-lhe as sandálias.

A Tildinha desceu os degraus e os seus pezinhos afundaram-se na fofa areia. A menina parou e … elogiou-a:

– Que areia tão quentinha!

A cada passo repetia:

– Que areia tão macia! Que areia tão macia!

Expliquei-lhe por que perdera a brancura e estava matizada de minúsculos “bagos” de rochas pretas fragmentadas pelas mãos do homem! A menina insistia:

– Mas… é muito macia!

A água transparente e mansa seduziu-a! A sua temperatura, menos fria do que o habitual, acariciou-a! E … a Tildinha percorreu a praia, saboreando o prazer dos beijos das ondas preguiçosas, dando prazenteiros saltinhos , sorrindo para a areia que se colava ao seu corpo!

Depois de ter comido um gelado sentada na esplanada do bar, a Tildinha começou a fazer uma cova, e veio perguntar-nos:

– Querem ver-me enterrar os pés, e as pernas na cova?

E … motivada com a nossa concordância, correu para a sua brincadeira!

Chamou-nos, mas… deixara os dedos de fora! Apercebendo-se, advertiu-nos de que ainda não podíamos olhar!

A Tildinha  ficou contente com o nosso aplauso, mas iniciou umas corridas com meta delineada, contudo queixa-se da irregularidade do  piso!

Optou pela roda, que repeti com as mãos escorregando na areia, e … insatisfeita comentava:

– Falta aqui um pormenor! Falta aqui um pormenor!

A chegada da filha dos amigos, uma menina um ano mais nova, lourita como ela, que curiosamente também trazia uma blusa alface com estampados rosa choque, e uma calças com este tom, por acaso o predominante dos seus curtos calções, gerou novos jogos, que a empatia das meninas dinamizou!

E … o carro vermelho parado na areia foi estreado pela Bia! E… a Tildinha justificava a sua reduzida velocidade:

– É do teu peso!

E … o pequeno escorrega da cor das suas blusas, onde só cabia uma menina de cada vez, deixou de sentir-se sozinho, e o baloiço cor de castanhas, de dois lugares, onde os seus pezinhos tocavam na areia, também respirava de satisfação pela companhia!

Despedimo-nos da visita à praia, mais longa do que um simples molhar os pés, e a Tildinha levou consigo para a cidade de Bocage um poema de alegria, que Luísa Todi ecoará na sua memória!

A Menina-Modelo
Julho 3, 2013

Mar Cintilante, 2013

 

Cintilam corpos de crianças nas mãos do verão, pintando a praia de arco-íris, tocando sinfonias de sonhos com as andorinhas!

Distingo uma estrela erguida nos braços fortes e firmes de um jovem: uma menina de tez morena, roliça no seu ano de idade, de fato de banho de senhora às risquinhas de todas as cores com rubras alcinhas fininhas, uma fita rosa quente, afastando os seus escuros caracóis da distinta testa, exibindo uns pequenos brincos nas minúsculas orelhas, e… uns óculos de sol de aros iguais à fita!

No seu rosto observador nem um sorriso!

Sigo-a com o olhar!

E… a menina-modelo encanta-me com o seu fato e pose de mulher miniatura, deslizando na passadeira da fama!