Archive for Julho, 2013

Viver Livre
Julho 9, 2013

Sol na Penumbra

Viver não é depender de alguém, não é subir e andar às costas do outro, não é  intitular-se rei ou rainha, usurpando e exibindo a coroa alheia.

Viver é ser livre para dar os seus próprios passos, é ter o direito de errar, é crescer, apendendo, lutando, sorrindo!

 

Pegadas de Amor
Julho 8, 2013

Praia, duna e guardiãs, 2013

Percorre as dunas do cabo do teu mar com a intimidade das tuas ondas, e sobe-as, saboreando a ternura renovada dos primeiros passos com a tua mão na concha ameigada de outra mão,  e colhe as pérolas vivazes das camarinheiras, seguindo o trilho das pegadas do regaço do amor que te embalou!

Aves sem Ninho no Coração
Julho 8, 2013

O Voo, 2013

As aves migratórias não fazem os ninhos no cimo das árvores, mas nas paredes das rochas à beira dos caminhos, para poderem levantar voo rapidamente sem tropeçarem nas folhas, nem prenderem-se nos rebentos, nem embriagarem-se com o perfume doce das  flores!

Flores Elásticas
Julho 8, 2013

Flores no Céu, 2013jpg

 

Trepam as flores pelas escadas de cristal do céu, batem à porta dos anjos com beijos de pétalas perfumadas de sorrisos e elásticos nas palavras, descendo-os para as ruas tristes da Terra onde os meninos despidos vagueiam de púcaros vazios nas mãos, à procuras das fontes para se saciarem!

E… os sorrisos das pétalas transformam-se em frescas e grossas gotas de orvalho, fazendo: plim! Plim! no alúminio dos púcaros!

 

Um Olhar Mergulhado de Segredos
Julho 8, 2013

O Pescador

O olhar cintilante do pescador com palavras mudas de saudade  percorre as profundezas do mar despidas de segredos pelas suas mãos calejadas, atravessando o vaivém das  marés no baloiço destemido do bote, içando as fortes velas da juventude, abraçando a dureza da vida com o rosto queimado pelo sol salgado, abeirando-se das pérolas das camarinheiras, acenando-lhe das tentadoras dunas!

A Pagizinha e as Partilhas
Julho 7, 2013

Criança com Bonecas by lusografias

A Pagizinha continua a ser uma boa anfitriã, mostrando-me peças do recheio da casa, que antevê me agrade!

Primeiro, olha à volta; depois comporta-se como uma exímia vendedora, publicitando a melhor mercadoria sem que seja necessário solicitá-la ou fazer-lhe perguntas!

Trouxe-me os sapatos de saltos muito altos ostentando um lindo laço, que a mãe não usa em casa, como muito bonitos – e são, de facto!

E… o pote de barro, a que eu chamaria uma ânfora gigante, e que a minha amiguinha afirma tratar-se de um balde do lixo, o que não admira, pois gosta de encher-lhe a boca espontaneamente com papel?!…
Uma verdadeira descrição de uma guia turística!

A Pagizinha também tem outros haveres, que não incluem os seus brinquedos, mas que podem passar pelos produtos guardados no frigorífico, passando pelos quadros pintados pela mãe, dizendo-me pausada e serenamente com os lábios e com os gestos:

” – Isto é tudo meu!”

Respondo à minha amiguinha com um sorriso, que ela me retribui em tom de agradecimento!

Ontem, enquanto percorria o Alentejo litoral, deparei-me com uma manada no outro lado da estrada!
Olhei-a, e reportei-me ao fascínio da minha infância pelos “mé-més” quando viajava de autocarro, e retorquia baixinho, tal como a minha amiguinha:

” – Isto é tudo meu!”

Sorri!

Sorri para a inocência da Pagizinha sempre generosa, transformando um ligeiro incómodo físico da minha parte numa dolorosa queixa  do seu corpo!

Sorri para a menina que fui, que dava tudo aos outros e não reclamava nada para si, mas… que sonhava acordada com o seu rebanho!

Sorri para ambas!

Pétalas Orvalhadas de Sorrisos
Julho 5, 2013

Flor orvalhada

Pétalas orvalhadas de sorrisos matinais, beijando as mãos abertas das crianças com sorvos de aguarelas gulosas!

Gente Boa da Minha Aldeia – Cabelos Brancos ao Vento
Julho 5, 2013

Quilha de Barco-reflexos, 2012

O vento, de tanto acariciar os cabelos das meninas-mulheres nas sucessivas estações do ano, vai roubando-lhe a cor, a umas mais do que a outras, manifestando a sua preferência pelos tons, tipo, e principalmente pela sedosa textura, mas… é um incompreendido, porque elas, com o decorrer dos anos, queixam-se!

Ontem, encontrei várias senhoras, gente boa da minha aldeia, por quem o vento andou apaixonado durante muitos anos.

E … querem saber o que  descobri? Vou contar-vos!

A D. Fina, que continua fininha, mas … que … de muito alta passou a pequenina, e está mais branquinha e… despenteadinha?!…

Fez uma festa, como se diz cá na terra, quando me viu!

E… no seu: “Vamos andando!”, mostrou-me as maganitas das pernas que não a deixam andar como gostaria!

E … a D. Luzinha sentadinha à porta numa cadeirinha de palhinha com uma almofadinha nas costas a apanhar o fresco com a vizinha-amiga ao seu lado, a quem o vento ainda faz festinhas no cabelo,  desmanchando o franzido do cós de uma garrida saia ?!…

Ai! Como me fez sentir pequenina com a sua alegre ternura!

E… como são macios os seus cabelinhos!

E … que gratidão revelou à minha-nossa aldeia, que a acolheu e ao marido há décadas, e para onde trouxe os ascendentes e os irmãos, mas… que não lhe roubou, como saboreio agravelmente, o seu sotaque algarvio sem que ela se aperceba.

E … a D. Linda, que caminhava orgulhosamente apoiada na sua bengalinha?!… Parou quando me avistou, sorriu e …  ficou à esperava que eu elogiasse o seu equilíbrio, e a sua recente vitória sobre a  doença!

” – Olha para isto! O que é que dizes? – acabou por referir, feliz pelo seu bem estar.

E … depois de incansáveis e repetidas considerações à minha pessoa, ainda insistia se a minha mãe me entregara as recomendações que lhe dá sempre que a encontra, mas … sobre este assunto fará contas com ela –  quando as reclamei, a minha mãe deu umas gargalhadas, antevendo o que vai ouvir!

No meu percurso com a minha querida titi, fui presenteada por mais gente boa da minha aldeia, que sendo-o se manifesta tão amável para comigo!

E … o vento envergonhado foi esconder-se sob uma rocha, e adormeceu com as mãos brancas de espuma!

 

 

A Verdadeira Beleza
Julho 5, 2013

Mar Transparente

A verdadeira beleza é  a que emerge da alegre pureza do teu coração, iluminando o teu rosto com a transparência dos teus sentimentos espelhados no sorriso dos teus lábios pintados de beijos repenicados de criança!

O Rosto da Subida
Julho 5, 2013

Pinheiros

Sobe as colunas rugosas dos pinheiros, toca o fresco perfume da sua seiva, e senta-te no baloiço dos seus ombros!

E … lá do alto, escuta o sossego do silêncio pulsando no teu coração, descobre a morada da doce madrugada adormecida nos braços dos rei sol, e   sorri para a dourada dança do dia com o perfume branco das açucenas, as espigas vestidas de esperança nos botes dos pescadores, e os berços bordados de sonhos das crianças.