Gente Boa da Minha Aldeia – Cabelos Brancos ao Vento

Quilha de Barco-reflexos, 2012

O vento, de tanto acariciar os cabelos das meninas-mulheres nas sucessivas estações do ano, vai roubando-lhe a cor, a umas mais do que a outras, manifestando a sua preferência pelos tons, tipo, e principalmente pela sedosa textura, mas… é um incompreendido, porque elas, com o decorrer dos anos, queixam-se!

Ontem, encontrei várias senhoras, gente boa da minha aldeia, por quem o vento andou apaixonado durante muitos anos.

E … querem saber o que  descobri? Vou contar-vos!

A D. Fina, que continua fininha, mas … que … de muito alta passou a pequenina, e está mais branquinha e… despenteadinha?!…

Fez uma festa, como se diz cá na terra, quando me viu!

E… no seu: “Vamos andando!”, mostrou-me as maganitas das pernas que não a deixam andar como gostaria!

E … a D. Luzinha sentadinha à porta numa cadeirinha de palhinha com uma almofadinha nas costas a apanhar o fresco com a vizinha-amiga ao seu lado, a quem o vento ainda faz festinhas no cabelo,  desmanchando o franzido do cós de uma garrida saia ?!…

Ai! Como me fez sentir pequenina com a sua alegre ternura!

E… como são macios os seus cabelinhos!

E … que gratidão revelou à minha-nossa aldeia, que a acolheu e ao marido há décadas, e para onde trouxe os ascendentes e os irmãos, mas… que não lhe roubou, como saboreio agravelmente, o seu sotaque algarvio sem que ela se aperceba.

E … a D. Linda, que caminhava orgulhosamente apoiada na sua bengalinha?!… Parou quando me avistou, sorriu e …  ficou à esperava que eu elogiasse o seu equilíbrio, e a sua recente vitória sobre a  doença!

” – Olha para isto! O que é que dizes? – acabou por referir, feliz pelo seu bem estar.

E … depois de incansáveis e repetidas considerações à minha pessoa, ainda insistia se a minha mãe me entregara as recomendações que lhe dá sempre que a encontra, mas … sobre este assunto fará contas com ela –  quando as reclamei, a minha mãe deu umas gargalhadas, antevendo o que vai ouvir!

No meu percurso com a minha querida titi, fui presenteada por mais gente boa da minha aldeia, que sendo-o se manifesta tão amável para comigo!

E … o vento envergonhado foi esconder-se sob uma rocha, e adormeceu com as mãos brancas de espuma!

 

 

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