Archive for Julho, 2012

O Balão
Julho 25, 2012

Gaivotas de Sonho, 2012

O balão rebola como uma bola na mão da criança, tão rosado como ela, e saltita leve, tão  leve que na correria da sua perseguição,  a menina tropeça, e levanta-se rapidamente, e chama pelo balão que voou da sua mão!

E… de boca aberta, de olhos molhados e de braços caídos, a criança vê o balão a subir, a subir e diz ao irmão bebé ainda com ilusão:

– As nuvens vão transformar o meu balão num avião! E… um dia nós vamos passear sentados no seu colo!

Lisboa, Menina de Mil Encantos
Julho 24, 2012

Lisboa - Cristo Rei e ponte by lusografias

Lisboa, Menina de Mil Encantos, abres-me a tua porta com sorrisos de primavera, e entro expectante, expedita, e antes de sair soam sinfonias de saudade nas folhas outonais caindo a meus pés!

O Beijo do Poeta
Julho 16, 2012

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Poeta, se o teu abraço for pequeno para  estreitares o mundo, beija!

Beija tudo como souberes e quiseres!

Beija com os olhos!

Beija com  a voz!

Beija com as mãos!

Beija com os passos!

Beija com as obras!

Beija com os  desejos!

Beija com os sentidos!

Beija com os lábios!

Beija, beija, beija!

E… sente o calor e o frio, o sal e o doce, a brisa e o sol, e…  beija!

Beija! Beija!

O Perfume da Verdade
Julho 16, 2012

Praia de Mar Profundo, 2012

A verdade é um bálsamo nascido numa mina de pedras preciosas, exalando o fragrância das suas profundezas!

Aerograma N.º 7 – A Pérola do Tempo Enriquecido
Julho 16, 2012

Aerograma

Querida Amiga,

Cumprimentei-te ontem com profunda saudade revestida de ternura!

Olhei para o lado, correspondendo ao cumprimento do suposto meu afilhado por afinidade, e… recuei no tempo dos sonhos das pérolas, pensando mais em ti do que em mim, com profunda admiração!

Mas, por instantes, senti-me invadida por um sorriso de “meninas” num encontro de fim de sonhos na cidade vizinha, lavando o rosto de lágrimas secas pelo vento da dor com o bafo da maresia refrescante!

Serás sempre uma pérola a brilhar  no vestido da esperança com um coração dourado de linda princesa!

Beijinhos com alegria de festa da vida!

O Sorriso do Dia nas Mãos do Vento
Julho 16, 2012

Árvore ao Vento, 2012

Foi o vento de mãos atrevidas no meu cabelo com os dedos longos  e frios refescando-me o rosto, sacudindo-me a saia envergonhada com sopros brincalhões.

Foi o vento que me fez cócegas com um girassol e  começou a rodar os meus lábios com um sorriso, que o perseguia sem o ver, que corria atrás das crianças como ondas de algodão doce, que terna e alegremente abraçava o dia!

Os Sonhos da Cegonha
Julho 16, 2012

Cegonha by lusografias

A imagem dos bebés de fralda presa no bico da cegonha era mágica!

Eu nunca tinha visto uma cegonha! E… fazia perguntas sem obter respostas que saciassem a minha curiosidade ávida de saber!

Mas,… se o “avião” fosse uma gaivota, tudo teria sido mais fácil e compreensível para uma criança como eu, habituada a conviver de perto com estes bandos anunciadores de pescaria e de mau tempo, a conhecer as suas melodias, a identificar os seus saltinhos de bailarinas na areia da praia, a sorrir para as suas corridas desajeitadas atrás do peixe que os carregadores deixavam cair das caixas que transportavam à cabeça na ribeira!

E… as cegonhas moravam muito longe, diziam-me! E era verdade, considerando a minha realidade geográfica com os ninhos à beira da estrada, que descobriria decorridos muitos anos!

Pobre cegonha, alta e solidária no seu ninho, olhando o céu, pintando as nuvens de sonhos cor-de-rosa no coração e na imaginação das crianças!

Foi a ternura do sonho colorido que me venderam em criança que me aproximou dos inacessíveis ninhos onde a cegonha-mãe embala os seus filhos com as canções agudas do vento a bailar nos fios vizinhos da sua casa e das árvores nuas ao entardecer!

As Estórias da Tó – A Rebeldia
Julho 16, 2012

Crianças - Estórias da Menina Tó by lusografias

A Tó era muito inteligente e diligente, por isso, a patroa tolerava a sua rebeldia quando impulsivamente se despedia, pedindo posteriormente a um colaborador de confiança que fosse portador de uma mensagem para que ela retomasse as suas funções, enquanto a aguardava no carro.

A Tó cedia, mas um dia em que ficara muito ofendida com o comportamento discriminatório da patroa para com os empregados, respondeu ao colega que só iria se a Sr.ª viesse falar com ela, pois tinha uma proposta para lhe apresentar.

A Sr.ª, não obstante honrar a sua origem inglesa, foi ao encontro da Tó, ouviu-a e acabou por levá-la consigo, após as demoradas negociações, que seriam cumpridas por ambas as partes!

Mas… a Tó só ficaria completamente satisfeita quando os justos direitos que adquirira fossem extensivos ao restante pessoal, reivindicação pela qual lutou, mas infrutiferamente, facto que lhe merecia a admiração das colegas, e a entristecia, pois era justa!

A Surpresa da Pagizinha
Julho 15, 2012

Criança com Bonecas by lusografias

As duas meninas que me acompanhavam a casa da Pagizinha sorriram quando ouviram a sua vozinha, dizendo entusiasticamente:

– É a “viginha”! É a “viginha”!

A mãe abriu a porta, e a menina deixou cair os braços que me estendia, ao deparar-se com o sorridente trio.

“Duas menina, uma era alta  e a outra baixinha, tinham “aventales”, os bolos tinham olhinhos e  eu gosto da “viginha”, descreveria a Pagizinha mais tarde, referindo-se às visitantes e aos bolinhos decorados com passas,  sugestão da menina mais nova e aplaudida e partilhada pela irmã mais velha e por mim!

Apresentei-lhe as meninas, que fizeram questão de exibir orgulhosamente o seu “uniforme” de pasteleiras à Pagizinha no ato da entrega dos bolinhos.

Convidei a Pagizinha para integrar a nossa equipa na próxima oportunidade, com o que a menina concordou com um sim verbal acompanhado do brilho nos seus lindos olhos, e do sorriso dos seus doces lábios , tendo acrescentado:

– Levo o meu banco!

A mãe explicou às meninas que a sua filha costumava utilizá-lo quando a ajudava na cozinha, o que sucede com alguma frequência.

A Pagizinha trará também o seu bibe, e uma fita larga no cabelo, que nos mostrou de imediato, mais preocupada em demonstrar como se dobrava do que como a poria na cabeça, o que a mãe tentou sem sucesso, desencadeando involuntariamente um ténue sinal de amuo na menina pela interrupção da sua hábil tarefa!

Despedimo-nos com viva alegria nos rosto das duas irmãs e com um olhar triste da Pagizinha, como quem não quer despertar de um lindo e surpreendente sonho!

O Nosso Arranha-Céus
Julho 9, 2012

Ténis by lusografias

O Traquinas, o cão do Pirolito, que herdara esta alcunha do pai, porque era pequeno bebia muitos pirolitos, umas gasosas com um berlinde lá dentro, dizia o simpático senhor, tratamento que o irritava, porque era do tempo da “seven-up”, andava sempre agarrado a nós com os dentes, principalmente quando o nosso dono vinha da praia e nos largava cheios de areia no quintal perto do tanque, vizinho da casota da fera.

Nós já estávamos fartos das suas dentadas, de andarmos à roda, presos pelos cordões, de darmos cabeçadas nos alguidares da roupa, de sermos atirados contra a parede da marquise, de levarmos picadelas dos espinhos  das roseiras, que caíam com a sua choradeira.

Uma noite em que ninguém nos recolheu, e que se ouvia a voz zangada do mar, apareceu uma gaivota solitária e esfomeada.

Contamos-lhe a nossa triste história e dissemos-lhe que havia uns restos de peixe no balde do lixo, mas não a podíamos ajudar, a abri-lo, porque o Traquinas acordava e… atirava-se logo a nós com aquelas brincadeiras violentas  e sem graça.

Então a gaivota teve uma ideia: encostou-nos ao balde, fixou o meu calcanhar no chão, colocou o do meu irmão sobre a minha biqueira como se fôssemos uns artistas de circo, formando uma coluna. Depois pôs as suas patinhas na outra biqueira,  ficou de pé como uma rainha,  abriu o balde com o bico, e foi-se servindo!

Passado algum tempo, nós começámos a sentirmo-nos cansados, mas… o pior foi o gato maltez que veio atrás do cheiro a peixe, passou por nós de rabo levantado, fez-me cócegas e… caímos! A gaivota voou com uma cabeça de carapau no bico, a tampa do balde fez um estrondo e o gato maltez ficou todo assanhado!

Estávamos assustados! E… ainda ficámos mais quando o Traquinas saltou da casota como um leão e…  atirou-se  a nós, enquanto o gato trepava pelo muro, e desaparecia!

O que nos valeu foi a gaivota, que regressou e distraiu o Traquinas, que saltava, saltava e não a apanhava! Mas… depois vingava-se em nós, dando-nos dentadas.

Então a gaivota, que era nossa amiga, conseguiu pegar nos nosso cordões com o bico e… quando o cão nos soltou, voámos e ficámos no  arranha-céus, o fio eletríco da outra rua donde nunca mais saímos.

Agora vivemos felizes, porque os passarinhos vêm visitar-nos e cantam para nós os ouvirmos, o sol aquece-nos e a chuva dá-nos banho como uma mãe, o vento dança connosco, a lua conta-nos histórias de encantar, as estrelas cantam cantigas de embalar, as nuvens tapam-nos quando está muito frio, e podemos ver e ouvir tudo sem sermos incomodados, e cumprimentar muitas pessoas, principalmente as crianças que ficam a olhar para trás, e fazem-nos adeus às escondidas.