Archive for Junho, 2012

A Mão que Teclava por Duas
Junho 12, 2012

Flores-Avó-Mãe, 2012

A mão direita estava sempre a teclar por si e  pela sua irmã, a mão esquerda!

Um dia, a mão direita encontrou um amigo às direitas, que resolveu repreendê-la, chamando a mão esquerda para o teclado, a qual o olhou de lado, e respondeu-lhe:

– Não sei! Não estou habituada! Não vou!

– Mas aprendes! Vamos tentar agora! – respondeu o amigo às direitas à mão esquerda!

– Eu posso ajudar! Sempre o fiz! Sei! Gosto!  Sou rápida! – interveio a mão direita muito expedida, insinuando-se para o teclado!

– Não podes ter a exclusividade, mão direita!  Tu e a tua irmã têm de aprender a trabalhar em equipa!  – insistiu o amigo às direitas.

– Mas, tenho os dedos finos, sensíveis, a cheirar a tinta de livros, de jornais, de leis, de normas, de processos! Sou a mão direita da minha irmã! Posso magoar-me no teclado! – reclamava a mão esquerda!

– Mão esquerda, a tua irmã não pode continuar a teclar sozinha! E… o cheiro a tinta também pode e deve ser partilhado! Vamos ao trabalho, meninas!

A mão esquerda fez uma careta muito preguiçosa e… a mão direita começou a esticar os dedos na direção do teclado, mas… o amigo às direitas segurou-as, e… começaram  a teclar conjunta e lentamente!

Os Espelhos Mágicos da Praia
Junho 12, 2012

Reflexos de S. Torpes, 2012

A menina de olhos sorridentes percorria a praia deserta de: homens jovens atletas e de pais protetores; de mulheres esbeltas olhando para a sua sombra, e de mães cuidadosas; de crianças curiosas, assustadas, aventureiras, felizes, livres!

Os pezinhos nus da menina de olhos sorridentes seguiam as pegadas das gaivotas na cidade dos espelhos mágicos, um museu imenso e único com muitos quadros expostos, verdadeiros contadores de histórias da terra e do mar, que mais lhe parecia um baú de cintilantes pedras preciosas!

A menina de olhos sorridentes descobriu nos espelhos mágicos da praia: a Bela Adormecida a acordar o Príncipe Filipe com um beijo de amor; a Cinderela com uma bota do príncipe na mão, e ele a mudar os ponteiros do relógio antes das doze badaladas; a Branca de Neve a dançar com os sete anões, e o príncipe com um cavalo branco à sua espera e vários póneis com crianças; o Capuchinho Vermelho com um telemóvel na mão a chamar pelo rei leão; o Pinóquio a oferecer pipocas e algodção doce às crianças, pedindo-lhes que dissessem sempre a verdade; o Pirata da Perna de Calças de Ganga Rotas e cara de bom a ensinar artes de navegar; a Baleia Cantora a dar aulas de natação às crianças e música aos comandantes; o Bambi a brincar às escondidas com os animais da floresta e as borboletas vestidas de flor.

As mãos da menina de olhos sorridentes aproximaram-se do espelho transparente, e os seus dedinhos começaram a passear num livro estrelado de rostos e sorrisos amigos, contando-lhe histórias de encantar!

Gente Boa da Minha Aldeia – Queria… Queria?!…
Junho 10, 2012

Quilha de Barco-reflexos, 2012

– Queria uns botões para este casaco, se faz favor! – pediu a pequena e triste Sr.ª idosa, exibindo parcialmente o casaco preto que enchia um grande saco branco.

– Queria?!… Então já não quer?!… Se queria é por que  já não quer!  – respondeu arrogante e depreciativamente a jovem empregada, alta e seca na estatura e no trato!

A pequena e triste Sr.ª idosa constrangeu silenciosamente o rosto sem queixar-se.

A jovem empregada continuou a atendê-la, abrindo abruptamente a caixa de botões da cor pretendida, precisamente igual à do seu vestuário e do seu comportamento!

Saí da loja e quase tropecei no sorriso e na afabilidade da patroa que, infelizmente se tinha ausentado do estabelecimento!

Mas… o que a pretensiosa linguista não sabia era que, para além da rudeza da sua atitude, também revelava ignorância, pois a pequena e triste Sr.ª idosa formulara o seu pedido delicadamente, segundo as normas da nossa gramática, empregando o imperfeito de cortesia em vez do presente do indicativo.

As Estórias da Bia – As Compras e a Matemática
Junho 10, 2012

Contos de Crianças by lusografias

A Bia era muito boa aluna a Português. Aprendera a ler com a irmã mais velha, e fazia-o na perfeição, surpreendendo todos com a sua dicção e entoação que dava aos textos!
Detentora de uma fértil imaginação, a Bia redigia redações que eram lidas por todos os professores da sua escola, merecendo elogios, que a faziam corar de contentamento!

Mas a Bia também era muito boa aluna a Matemática!
Aprendera a fazer contas muito cedo quando a mãe lhe pedia para ir aos “mandados”.

A primeira vez em que a Bia compreendeu a importância de ganhar dinheiro foi quando a “´ti” Silvina lhe deu meio tostão de troco!

A Bia olhava para a “moedinha” como se fosse ouro a brilhar na sua mãozinha, e só pensava como ela ficaria bem no seu mealheiro, mas entregou-a à mãe, que lhe disse:
– Guarda-a para ti!

A Bia correu a pô-la no seu porquinho de barro, tendo-se esquecido de dizer obrigada.

No dia seguinte, a mãe voltou a pedir à Bia para ir fazer um “mandado”. No caminho, a menina só pensava se traria troco ou não.

Quando chegou à mercearia, perguntou ao 2´ti” João quanto custava um quilo de farinha, e verificou que o dinheiro era “à conta”. Então, começou a perguntar os preços, diminuindo o peso, tendo conseguido obter troco novamente!

Desta vez, a mãe parecia não querer dar-lhe o tostão. Então, a Bia argumentou:
– Mãe, não acha que desta vez o troco devia ser para dividir pelos manos?!..

A D. Mariana sorriu e respondeu-lhe afirmativamente com a cabeça, acrescentando:
– Muito espertinha! Toma o tostão!

A Bia agradeceu, mas ficou a pensar que na próxima vez teria de ganhar mais com as compras ou então trazer apenas meio tostão, para ser contemplada!

Vozes de Criança
Junho 10, 2012

Praia do Norte Florida, 2012

São vozes de crianças as que ouço no peito gigante com sorrisos de infante chamado às armas para entrar em combate sem conhecer o seu manejo!

São vozes de crianças as que sinto soprar dolorosas na noite silenciosa do homem cansado na breve paragem onde troca a  bagagem!

São vozes de criança as que  escuto  à porta da madrugada despida de noite com mãos estreladas de sonhos perdidos, pintando sóis com ondas douradas!

Saltinhos Esvoaçantes de Menina
Junho 10, 2012

Praia - sulcos na areia by lusografias

A menina de laço florido na cabeça corria pela praia, jogando à apanhada com a maré vaza, fugindo das ondas do seu tamanho, brincando com o vento que a empurrava, acariciando o seu cabelo escorregadio como o chocolate quente pronto para a cobertura do bolo da avó como o irmãozinho costumava dizer-lhe!

Paralelamente, um menino de boné azul com a pala para o lado, porque queria ver bem os carreirinhos do deserto da praia, chapinhava nas pequenas poças que o mar formara, sulcando a areia, dizendo à irmã:

– Anita, ainda vou apanhar um peixinho!

– Não vais nada! – respondeu-lhe a irmã. Mas… hás de encontrar alguma coisa para a nossa coleção! Talvez uma conchinha de madrepérola!
Olha para mim a fazer de avião! Anda!

– Pareces uma gaivota! E… eu prefiro ser um… caçador de tesouros!

– Boa! – apoiou a irmã com um grande sorriso, ziguezagueando!

O tempo foi passando e o sol da primavera iluminando a praia prateada de gaivotas com pegadas de crianças, desenhando sonhos acordados pela buzina do carro do carro do pai, ecoando nas doces palavras maternas:

– Anita, Gabriel, vamos!

A Dor Vestida de Azul
Junho 10, 2012

Nuvens no Azul, 2012

No fato azul da dor, que vestiu à nascença, a dama de cabelos pintados de branca tristeza enlutada, caminha delicada, abre um livro e ergue a sua voz clara com letras de  esperança para os ouvintes, mas com gritos de saudosa despedida, chamando pelo filho, honrando a sua memória no traje, no andar e no estar, seguindo a sua viagem de mãos dadas com o seu dedicado esposo, num olhar único repassado de  sorrisos ternos e de lágrimas de dor, envoltos de infinito amor!

Chuva de Sorrisos
Junho 10, 2012

Chuva by lusografias

A chuva toca os sorrisos de lábios lavados de línguas de luz livres de luxos e lisonjas, louvando com liras a límpida lisura do lençol de linho com lágrimas, lendo livros laureados de latos lemas com lembranças de lendas, lambuzando laços com lamparinas de lantejolas à lareira da lua!…

E… o pingue-pingue da chuva de sorrisos canta e dança, ecoando:
– Estou aquiiii! Sou felizzzz!

As Estórias da Bia – O Vestido Branco
Junho 4, 2012

Contos de Crianças by lusografias

O dia do exame da quarta classe aproximava-se!
A mãe da Bia pegou no pequeno pesado mealheiro de barro e abriu perante os olhos atónitos dos três filhos!

– Mãe, podia dar-me um tostanito para comprar um pirolito? – pediu o Zezinho.

– Hoje não pode ser! A Bia precisa de um vestido novo para ir fazer o exame – adiantou a irmã mais velha.

– Mãe, compre o pirolito ao mano! – pediu a Bia.

A mãe dos meninos começou a contar o dinheiro. Depois sorriu vitoriosa e disse:

– Amanhã vou comprar o tecido branco à loja da D. Fernanda, e pedir à D. Mariana para fazer o vestido da Bia!
E… se sobrar açúcar no final da semana, faremos pirolitos para vendermos e poderem comprar: cadernos, lápis e borrachas, mas primeiro, cada um ganhará o seu!

No dia do exame, a Bia vestiu o seu lindo vestido branco decorado com favos de mel, requinte  indispensável sa costura infantil, calçou os sapatos novos da irmã, a mãe colocou-lhe um lindo laço branco no cabelo e saiu de casa cheia de recomendações.

Mas… a Bia, que era uma excelente aluna, e não gostava da sua austera professora, e sabia que se fizesse o exame e ficasse aprovada, conforme previsto, voltaria a ser sua aluna para fazer a admissão, em vez de dirigir-se à escola, foi brincar para um quintalão onde estreou o seu vestido branco, que, ao final do dia estava castanho.

Quando chegou a casa, a mãe estava inquieta, porque a professora mandara perguntar por ela, pois faltara ao exame!

A Bia justificou-se, mas não se livrou de um castigo: passou a ir aos “mandados” e a fazer os pirolitos sozinha sem poder prová-los.

No ano seguinte, a D. Mariana arranjou o vestido branco da Bia, e ela levou-o ao exame da quarta classe, no qual obteve uma honrosa classificação!

Mãos Amigas
Junho 4, 2012

Mãos dadas by lusografias

No dia da criança, os amigos estenderam as suas mãos um ao outro, deram as mãos, apertando-as com força, seguraram as suas mãos construindo uma cadeira firme onde sentaram a amizade partilhada, e olharam-se com um sorriso de mar infinito!