A Menina Azul – O Giz Perfumado pelo Tempo

Criança - Professora by lusografias

O giz branco era algo especial, mágico, sobretudo quando a Sr.ª Professora abria uma caixa e entregava aquela espécie de caneta-lápis sem aparo, nem bico, mas leve, suave ao tato e frágil, na mão de qualquer menina da turma, que se entristecia quando se partia!

O giz branco não borrava o caderno, não partia o bico e não exalava aquele perfume a madeira, mas cheirava a fresco, e… por vezes, arranhava o quadro, ferindo os nossos ouvidos, escancarando as nossas bocas com sorrisos!

Um dia, descobri que a minha mãe tinha um giz branco na sua colorida caixa da costura, e um azul, mais longo, mais espalmado, e mais pesado, que utilizava artisticamente para traçar os modelos da roupa nos tecidos!… Fiquei fascinada!

Anos mais tarde, deixei-me encantar pelo quadro da escola nova, cor de relva, macio, e comprido como o canteiro grande do jardim da vila, sobre o qual o giz branco deslizava silencioso como uma bailarina!

Hoje, abri a minha modesta caixinha de costura, em nada semelhante à da minha mãe, rica de botões e de linhas, e… lá estava um pedacinho de giz branco, macio, perfumado de recordações sem fim, e… deliciosamente pesado como um enorme saco de brinquedos!

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