A Palmeira-Menina

O silêncio contemplativo do sereno mar foi interrompido por um insistente:

– Psit, psit!

O vento brincava com as crescidas palmas que espreitavam para o pequeno largo onde o velho e solitário banco, vestido de vermelho esfarrapado, recordava saudoso os rostos risonhos de juventude que o esquecera, soletrando em sussurro os sonhos que lhe tinham confiado, as promessas de amor que partilhara, olhando para as nuvens, que acenavam ao amigo sol, para lhe limpar as lágrimas, e o chamamento persistia como um assobio:

– Psit, psit! Estou aqui! Sou a palmeira-menina! Psit, psit!

Surpreendentemente original e esplendorosa, a palmeira-menina saudava a natureza da varanda da sua casa amarela, outrora esconderijo de andorinhas, desfrutando a paisagem: a praia deserta e preguiçosa, a baía pintada de barcos baloiçantes, o pontal abandonado e triste, o longínquo Porto-Cóvo azul e branco, ondulando os braços com carícias vitoriosas.

Uma resposta

  1. Cá está ela, bela foto!

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