Archive for Janeiro, 2010

Frio, Frio
Janeiro 13, 2010

Frio no corpo é desconforto

Frio no coração é aridez

Frio no comer é sem-graça

Frio no jardim é pobreza

Frio no jogo é distância

Frio no juízo é leviandade

Frio no Inverno é fruta da época!

Defende-te!
Janeiro 13, 2010

A Cana de Pesca, 2010

A sobrevalorização que atribuis aos ímpios é inversamente proporcional à que concedes a ti próprio, porque dando-lhes a importância que não têm, deduze-la ao teu precioso valor pessoal, em vez de preservá-lo! Cuida-te e defende-te!

A Fada Traquina – 4.ª Página
Janeiro 12, 2010


Caros Visitantes,
Esta história é interactiva, por isso, podem – e devem – partilhá-la, completando-a com as vossas crianças. Espero que se divirtam!

As pessoas que aguardavam a sua vez estavam de boca aberta, e a Fada Traquina fechou-as com amoras e outros frutos silvestres, que iam saindo dos seus …; depois tirou outros frutos do vestido: …; …; …; … e espremeu o seu suco para os copos, que nasciam dos dentes dos pentes, com o seu olhar, e ofereceu-os às …

A Fada Traquina massajou os cabelos das clientes da D. …, que já tinham lavado a … e que ainda os tinham os cabelos molhados, com as gotas de orvalho do seu cabelo doirado, soprou-os e ficaram surpreendentemente penteados; de seguida, cobriu as unhas de todas as clientes com pétalas coloridas.

Atapetou o chão com relva e musgo muito fofinhos e …, que puxava das unhas dos seus pés, e forrou o tecto com estrelas feitas de fios de sol, que ela ia apanhando através dos vidros das …

(continua)

O Maior Cego
Janeiro 12, 2010

Ondinhas na Vieirinha, 2010

Não sejas cego ao ponto de te deixares conduzir por quem não conhece o caminho e vê menos do que tu, porque podes cair num precipício, por não teres ao teu lado um bordão amigo onde te possas apoiar e a quem, simultaneamente sirvas de suporte no percurso.

A Árvore de Natal do Sr. Manuel
Janeiro 11, 2010

O Sr. Manuel tem uma árvore de Natal, que enfeita a sua casa há anos, mas que só foi decorada uma vez por toda a família.

Todos os anos, depois dos Reis, ele pede ajuda à esposa e vestem a árvore com um saco de noite; em seguida pegam-lhe cuidadosamente pela “ cabeça” e colocam-na no cantinho do sótão que lhe está reservado.

No início de Dezembro, só têm de trazê-la para a sala, despi-la, dar-lhe uma penteadela, retocá-la e está pronta para festejar novamente o nascimento do Menino Jesus.

A Simbiose
Janeiro 10, 2010

A praia apela-nos constantemente à partilha do seu espaço e põe-nos a mesa para nos servirmos.

Ontem, dia 9 de Janeiro de 2010, ela mostrou-me, entre as suas iguarias, um prato especial que confeccionara com o vento e a força do mar: um navio-rocha, que se encontrava ocupado por um tripulante, que se me afigurava explorar e usufruir da sua fauna nos seus diversos movimentos, sob o olhar vigilante de duas gaivotas.

O vento Norte, que atravessava a minha roupa, que percorria o meu corpo, que se aquecia no meu rosto e que circulava pelas minhas narinas foi o vinho embriagador que encheu de magia a magnífica festa, simbiose da natureza humana com o universo criador.

O Último a Rir
Janeiro 10, 2010

A Voz do Mar em 2010

Nem sempre “o último a rir é o que ri melhor”, porque mesmo quando se apagou a dor, e a indiferença substituiu o ressentimento na distância do ser dia e do ser noite, a memória prevalece, e a inteligência e a dignidade não conseguem rir perante as injustiças vividas e presenciadas, irrecuperáveis nos seus danos, mas saboreiam a paz e agradecem, porque finalmente os perversos foram destituídos de um estatuto que não mereceram, nem honraram, limitando-se a violarem prazenteiramente todas as regras humanas, socias e organizacionais – que bom seria para si próprios que estes pobres, no meio dos destroços da sua escavada queda, tivessem o discernimento dos seus actos e se arrependessem, para um dia poderem sorrir para uma nova vida!

A Fada Traquina – 3.ª Página
Janeiro 9, 2010

Caros Visitantes,
Esta história é interactiva, por isso, podem – e devem – partilhá-la, completando-a com as vossas crianças. Espero que se divirtam!

“(…)- Continuo sem perceber, mas não faz mal. Eu vou contigo, porque és uma boa menina e ninguém faz mal às fadas.

Entraram as duas no salão da D. …, e a Fada Traquina, muito curiosa, começou a mexer em tudo. Tocou:

– nos rolos e saíram rosas de muitas cores: …; …; …; …;

– nas escovas e nasceram grinaldas de fruta: …; …; …; …;

– nas tesouras e dançaram flautas sobre os cabelos;

– no secador e saiu uma labareda dançante;

– na embalagem da laca e transformou-a em fonte;

– na planta artificial, que começou a crescer, a florir e a encher o salão de perfume;

– nas toalhas, que voaram, vestidas de penas, cantando como rouxinóis! (…)”

(continua)

Liberta-te do Outro
Janeiro 9, 2010

O Cantinho do Santo, 2010

Se o outro não é educado, não o podes educar.

Se o outro não é competente, não o podes ensinar.

Se o outro não é determinado, não o podes accionar.

Se o outro não é respeitador, não o podes admirar.

Se o outro não é grande, não o podes acrescentar.

Se o outro é o outro e não tem nada que ver contigo, pode ser teu colega, mas nunca será teu amigo, e não és responsável pelos seus actos, nem o podes substituir – deixa-o continuar a dormir!

O Calor que não te Aquece
Janeiro 9, 2010

O crepitar da lenha ecoa pela sala e diverte as crianças, que o emita com graciosos estalidos de dedos e com esforçados toques da língua no céu da boca, acompanhando-os com ligeiros e desarmoniosos, mas divertidos passos de dança.

Os avós admiram-nas e os pais estão atentos aos movimentos estonteantes, receando que os mais novos percam o equilíbrio.

A mãe das crianças pára o desenrolar do novelo de lã que cria forma nas suas mãos e tem momentos de distanciamento do aconchegante e doce serão de sexta-feira. Depois levanta-se e pergunta:

– Querem um chazinho com bolinhos de manteiga?

– Queremos, queremos! – aplaudem as crianças!

– Príncesa e irmão – adiantou a pequena Diana!

– Príncipe e limão! – corrigiu o Lucas na sua pose de irmão mais velho.

– Mas a avó Maria quando apanhou as folhas no quintal disse que era para a mamã fazer chá para a princesa e o irmão – justificou a Diana com beicinho.

– Pois, porque a avozinha sabe que eu só gosto de leite – acrescentou a Raquel, a menina mais pequena.

– Está bem! É chá príncipe com limão, para a princesa e o irmão, e também para os pais e os avós, que vou preparar com a mamã. E leitinho para a Raquel na caneca das vaquinhas – adiantou o pai das crianças.

– Papá, mas eu já sou quase grande, posso beber chazinho com leitinho como a mamã? – perguntou a Raquel.

– Hum! As vaquinhas da tua caneca trazem-te o leitinho, mas podes experimentar beber com um pouco de chá na chávena de café, que tem um bonequinho a piscar o olho – respondeu o pai reproduzindo este gesto.

– Boa! Viva! – retorquiu a menina, colocando um dedinho sobre o olho direito.

Na cozinha, reparando na angústia estampada no rosto da esposa, o Miguel agarrou-lhe nas mãos geladas e perguntou-lhe:

– Pensando novamente nos pobres que têm frio e arrepinado-te por eles?

– Sim, desculpa, não consigo! – respondeu a Ana, incomodada na sua sensibilidade e humanismo, abraçando o marido!