D. Pimpona – 6.ª página

Coração Florido do Poeta, 2009

Nota Prévia

Retomo esta história, à qual não me foi possível dar continuidade na devida altura, o que lamento, e que não justificaria que a deixasse a meio, apesar do tempo decorrido.
E, para “encontrar o fio à meada”, indico a localização das páginas anteriores:
– 1.ª a 3.ª página: 24 a 26 de Março de 2007;
– 4.ª página: 28 de Março de 2007;
– 5.ª página: 01 de Abril de 2007.

D. Pimpona – 6.ª página

A D. Pimpona ficou deitada no chão empoeirado com cara esborrachada sobre as sopas de leite do Pimpãozinho, o seu gato de estimação, grande, felpudo, riscado de amarelo e branco, uma espécie de guarda que lhe oferecia garantias de descanso na imprescindível hora da sesta e no inquietante sono nocturno.

As empregadas da Alcáçova Assombrada estremeceram com medo da reacção da D. Pimpona, mas a vermelhidão do rosto da jovem revelava o seu esforço para esconder um sorriso divertido pela cena a que assistia.

– Mas o que vem a ser isto? – barafustava a D. Pimpona, enquanto se tentava levantar, tropeçando no vestido, levando a mão à testa para afastar o cabelo dos olhos, desgrenhada e frustrada.

– Não sabemos, D. Pimpona! Passam-se coisas estranhas nestes aposentos. Nós nem sabíamos que a Sr.ª Condensa fazia malha – justificou a Sr.ª obesa no seu saber experiente.

– Qual malha, qual carapuça! Malha?!! Eu faço, por ventura, uma trabalho da plebe? Não vê ali o meu bastidor, no qual, por acaso não toco desde que a tia, a baronesa Mãozinhas de Fada, que Deus a tenha, partiu para o paraíso, e o cavalete com a tela onde desenho as caricaturas das cenas que se vivem no dia-a-dia na Alcáçova, para ficarem para a história?

– Desculpe, D. Pimpona! Não queria ofender: Toda a gente da Alcáçova Assombrada e da Aldeia de Alegria sabe que a Sr.ª Condensa é uma grande “caretista” e uma “faladista” como não há outra na região. Dizem “inté” que quem a ouve falar não a leva presa – continuou a empregada.

– Deixe-se mas é de tretas e venha ajudar-me, e você também, sua coluna de cristal, e pare de chamar-me Condensa, ouviu? Até parece o mancebo que despachei há bocado – ordenou a D. Pimpona.

(continua)

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