O Poeta Azul – 7.ª página

O poeta abriu a porta do armário da cozinha à procura de bolachas, para comer com a geleia que a tia Fernanda lhe oferecera no dia do seu aniversário. De repente, sentiu um cheirinho a comida acabada de preparar… Voltou-se e deparou-se com o seu ovo estrelado sobre a base do ferro de engomar, que o búzio empurrava, com cuidadosos sopros, para dentro de um prato e, no local da camarinha, encontrou um pãozinho fresco!.. Surpreendido e satisfeito, sorriu e deliciou-se com o irresistível manjar.

Depois sentou-se na sua cadeira de baloiço, fechou os olhos e na sua frente, estava a deusa Alva: lábios de mel, balbuciando poemas de amor, sorriso docemente devorador, olhos cintilantes, meigos e atrevidos, mãos estendidas de afagos, seara de cabelo ondulante, vestido laranja, sedutor, peito descoberto, tentador, encaminhando-se para ele…

Ergueu-se, ofegante! Estava só! Saiu de casa e caminhou ao longo da praia, entrelaçado no seu amor, de mão dada com as suas dúvidas, lutando contra a sua falta de coragem, pedindo ajuda ao mar!…

Uma criança fazia castelos de areia, olhava-o e sorria! Como ele queria ser pequenino e não ter medo de dizer “Sim!”…

Voltou para casa. Tremia. Era frio? Não! Vagueou pela sala ao som de uma melodia que nem sabia donde vinha… olhou para o lado e… era o sonho que o espreitava.

Pegou no bloco de notas, releu registos e, em cada um, surgia uma resposta que ele já sabia, que o seu coração ditara, que escrevera na sua mente, que sentira, mas que ainda não transmitira…
– Posso torná-lo realidade! – gritou com um sorriso vitorioso, enquanto se preparava para sair.

Atravessou os Penedos, largo sobranceiro ao mar, e chegou à Rua da Alegria. Parou junto à porta verde, o n.º 7. Hesitou, desejando e temendo que a Áurea espreitasse ao postigo e os seus trémulos e tímidos dedos bateram à porta do seu destino, enquanto sussurrava as palavras do poeta:

“É urgente amar, é urgente ser feliz, é urgente correr para ti!”

Os amigos do Poeta Azul estavam boquiabertos.

– Então, meus amigos, ficaram mudos? – perguntou o Zeca Pirolito.

– Que bonita história! Parecia que estava a sonhar ou no cinema, e a parte final deixou-me em pulgas – opinou o Francisco sabichão. Tenho a certeza que a malta pensa como eu. O Poeta Azul tem de contar-nos mais histórias, se faz favor!

– Apoiado! – responderam os restantes rapazes!

– Obrigado, meus amigos! São horas de irem para vossas casas. Voltem sempre e tenham coragem para dizerem “Sim!” ao que for melhor para as vossas vidas!

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