D. Pimpona – 2.ª página

Coração Florido do Poeta, 2009

Um dia, apresentou-se na Alcáçova Assombrada uma brigada de desratização, que um ilustre fidalgo propusera ao rei, para acabar de vez com os gritinhos arrepiantes das damas.

Os servos, que antes do nascer do sol subiam para a Alcáçova Assombrada e à noite regressavam à Aldeia da Alegria, onde tudo era rico em folguedo e simpatia, começaram a desencantar: móveis, livros, pergaminhos, iluminuras, tachões, jarrões e muitos –ões pelos uso e idade, embora, nalguns casos, não aparentassem…

Os hóspedes da Alcáçova Assombrada, que ali se haviam recolhido pelas mais diversas razões, mas todos esperando encontrar alguma paz e recolher alguns proveitos para voltarem às suas terras, apressaram-lhe a ordenar os espaços de empréstimo, excepto a D. Pimpona.

A porta da ala principal, que separava as alcovas da ralé das da gente fina esbracejava num ranger aflitivo, produzindo estrondos assustadores que não paravam de ecoar, pondo os cabelos em pé às pessoas mais sensíveis, que gritavam quando olhavam para algum espelho.

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