D. Pimpona – 1.ª página

Coração Florido do Poeta, 2009
A D. Pimpona andava sempre atrás dos outros hóspedes da Alcáçova Assombrada – medieval, situada num ermo de difícil acesso – com sorrisos falsos e falinhas mansas, despidas de qualquer interesse, pretendendo agradar, à espreita das conversas alheias, batendo inoportunamente às portas dos aposentos quando percebia ou desconfiava que alguém tomava um chá ou discutia algum assunto do reino, entrando sem que lhe dessem permissão, com uma desculpa esfarrapada na boca ou uma insignificância na mão – quase sempre raízes secas -, inspeccionando tudo com os seus olhos de lince e com as orelhas de radar arrebitadas, metendo o nariz em tudo como o João Ratão com o caldeirão.

Não conquistava simpatias, nem ganhava confianças, nem entre a nobreza, nem a plebe – apenas um elemento do clero a ouvia e o rei se iludia -, apesar dos seus risinhos de coelho ao saltos, dos seus esforços infrutíferos para causar boa impressão, das tentativas para ser ouvida, gritando como uma vendedora ambulante que quer atrair clientela, espalhando gafanhotos pelos cantos da boca, gesticulando como quem se prepara para medir forças corpo a corpo – uma (des)graça!…

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