
Dois Sr.s de meia idade olhavam atentamente para os artigos expostos na loja, aproximavam-se de uns e de outros, curiosos e indecisos, sem ousarem tocar-lhes.
A dada altura, ficaram ao lado um do outro, de frente para as prateleiras dos pijamas.
O Sr. mais alto e forte, com ar mais decidido, pegou num pijama azul com uns alegres pinguins a deslizarem no gelo, e o outro opinou:
- É bonito! Estava a pensar levar um destes para a minha filha mais nova.
- Também eu – respondeu sorridente o Sr. mais alto, observando melhor a peça que segurava. Mas tenho duas filhas.
- Que curioso! Eu também! Uma tem vinte e oito anos, e a mais nova vinte e quatro! – retorquiu o Sr. mais baixo e grisalho.
- As minhas, uma tem vinte e seis e a outra vinte e dois, mas isto anda ela por ela. Vou comprar este para a Lilia, e o das bolinhas para a Lídia, a minha mais velha – continuou o Sr. mais alto.
- E eu vou levar iguais aos seus: o dos pinguins para a Liliana e o das bolinhas amarelas e azuis para a Lígia – afirmou o Sr. grisalho.
- Esta tem graça: os nomes das nossas filhas começam todos por L, mas o meu também, sou Luís, e a minha mulher chama-se Lúcia – acrescentou divertido o Sr. mais alto.
- Veja lá a coincidência, Sr. Luís. Na minha casa, também somos uma família L: eu chamo-me Lino, e a minha esposa Lia – adiantou o Sr. grisalho com um grande sorriso.
- Mas olhe, Sr. Lino, no tamanho só eu é que sou L; o resto da família é M. Já agora, também vou levar aquele pijama das riscas brancas e azuis turquesa para a minha Lúcia, e este dos quadrados vermelhos e azuis escuros para mim. Isto é que são umas prendas muito P. E ainda falta o peru – prosseguiu o Sr. mais decidido.
- O Sr. é engraçado, Sr. Luís! Tem toda a razão! – continuou o Sr. Lino.
- Mas o Sr. Lino não pense que só nos ficamos por estas letras! Então e o A do amor e da alegria, a continuação do P do presépio e da paz, o F da família, e da felicidade, o B do bacalhau e do Banco Alimentar, o M, o J e do G do Menino Jesus e da missa do galo?!… E muitas mais letras do abecedário estarão à nossa mesa e nos nossos corações – destacou alegremente o Sr. mais alto.
- Mas que grande imaginação, Sr. Luís! Está certo! Nós também as convidamos e a maior parte no nosso dia-a-dia! – acrescentou o Sr. Lino!
O Sr. Luís olhou para o relógio, estendeu a mão ao Sr. Lino e desejou-lhe Feliz Natal, votos que o seu interlocutor agradeceu e retribuiu com simpatia.