Ao Cair da Noite

09/11/07

O globo laranja entrou através da vidraça da janela sem ser convidado e a sua luz baça e brincalhona percorreu a sala, instalando-se curiosa sobre o teclado. Afaguei-a com um sorriso discreto e continuei a atirar letras, a formar palavras, a construir frases no écran espelhado, que a assustava quando emergiam feixes de flores amarelas e roxas salpicadas de papoilas.

Deixei que ela acariciasse as minhas mãos e me trouxesse até ao carro no silêncio cúmplice da noite na cidade adormecida, enfeitada de globos, vestida de árvores douradas, escondida de betão amarelo num bairro cor-de-rosa.

Olhei para trás e estava só num reino de muitos, mas que não era meu, vivendo um momento inimaginável cujo prazer ninguém podia roubar-me!

Desprendi agradecida a minha mão, pedi ao carro para falar baixinho e acenei à luz que, bocejando, deitava-se na quietude do imponente pinheiro.

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