A D. Pimpona ficou deitada de costas sobre a carpete de lona pintada com animais da fauna africana, com a cabeça colocada na boca de um tigre, que parecia querer devorá-la. A cada soluço que se soltava da sua boca, análogos a despropositados arrotos, expelia bagos de romã, pedras preciosas que ela escondia entre a dentadura.
O mancebo, a elegante jovem e a Sr.ª obesa e desconfiada estavam mudos e de boca aberta, alimentando a repentina e vã esperança de que, com sorte, também verem as suas bocas transformadas em guarda-jóias, mas o Pimpãozinho, de pêlo arrepiado, arremessava o tesouro da sua dona com a cauda para dentro da bacia de esmalte, que, habituada à suave leveza da água do Bailhão – conhecida pelas suas propriedades medicinais, benéficas para a saúde humana, e poder branqueador para a roupa que as lavadeiras esfregavam ajoelhadas e de seios debruçadas nos rios – com que lavava o rosto mal-encarado da Sr.ª Condessa, tentava limpar-lhe a boca e desgarrar-lhe as mãos, encolhia-se e gritava desesperada:
- Não me atires pedras, Pimpão Ratazano, que me magoas e podes partir-me, e o Sr. Sucateiro está doente, impossibilitado de colocar gatos nas feridas, que seriam cicatrizes para a macieza do meu áureo e polido corpo.
(continua)