A “carrêra” faz-me muita falta, mas perdi-a!
Sinto muita saudade:
- das Sr.ªs divertidas, que saboreavam a viagem como uma festa, contando e inventando peripécias;
- das esposas que falavam sobre os feitos dos maridos, uns dependentes e alguns emancipados;
- das “patroas” desgastadas pelo tempo e pela vida, referindo-se aos seus “homes” reformados, uns “inteirões” e outros, coitados, “muito acabados”;
- dos dignos e distintos idosos, de chapeú – a maioria – ou boné, aperaltados com o melhor fato – “à justa” ou “folgado”- , para irem à vila, que há muito é cidade, a contarem as moedas das parcas pensões para pagarem os bilhetes;
- das mães atrás dos filhos ainda crianças, imagem de amor e esperança;
- dos jovens sem futuro sorridente, aparentemente indiferentes ao que se passava à sua volta, mas com comportamentos sociais adequados;
- dos “estudantes” sem mochila, nem preocupação, uns de língua de fora, outros com os pés no chão;
- do motorista “bem caçado”, do descontente, do bem educado;
- do pára e arranca nos apeadeiros, deixando-me a adivinhar donde vinham e para onde iriam os passageiros;
- dos punhados de riqueza humana e cultural que colhia diariamente!
