O amola-tesouras percorre as ruas do bairro chamando as donas de casa com a sua lânguida gaita.
Quando a modista se aproxima satisfeita e lhe entrega as tesouras que roem os tecidos em vez de cortá-los, saúda-a optimista, depois observa-as, acciona a roda de esmeril com o pé e afia-as com estalidos faiscantes.
Uma Sr.ª idosa, debruçada à janela, resmunga contra a chuva que o amolador pressagia, afirmando:
“- Bate sempre certo, já a minha avó dizia!”