O Sr. Sim-Sim!

O Sr. Sim-Sim também sabe pronunciar não, mas só em situações extremas, porque foi educado para dizer sim a todos e a tudo, vítima de uma instituição onde se pensa que as crianças são balas que se colocam em armas e se aperta o gatilho, ignorando o alvo, quando elas ainda deveriam jogar ao pião e atirarem a bola para a janela da vizinha, pedirem desculpa, levarem tareias e ficarem de castigo ou sem mesada, mas compreenderem as regras, sem a violência dos jogos de guerra dos homens de pedra, para não terem de correr, desorientadas, de um lado para o outro, sem saberem o que fazer e decidir, se sim-sim, se sim, ou simplesmente, se não.

Lembro-me, a este propósito, de um colega do 4.º ou do 5.º ano, o Paulo, que vivia no Bairro do Liceu, lindo, doce, inteligente, educado e mais novo do que eu – que um dia me perguntou se podia acompanhar-me -, porque a sua vida estava projectada para aquele caminho, o que, na inocência da aurora da minha adolescência, não me parecia apropriado.

Quanto desejo que não o tivesse percorrido, porque me arrepia imaginá-lo, ainda menino, em ruínas, e um adulto transfigurado, alguém que prometia ser um homem de verdade!

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