Três meninas, três laços de esperança nos seus indefinidos sonhos cujos nós de amizade entre elas o correr do tempo, as vicissitudes da vida, os percursos diversificados não desatou, três corações puros de criança a saltarem perante a expectativa de um piquenique no pinhal perfumado de mar, por detrás das suas casas, que o destruidor progresso arrasou, privilegiada sala de banquetes para pôr a mesa da festa de aniversário da mais pequena, uma ruivinha de olhos brilhantes e sorriso doce.
O bolinho de água, fofo como um requintado pão-de-ló com muitos ovos, amarelinho como as gemas dos ovos das galinhas com que brincavam, batido com muito amor, era, só por si, um motivo de festa.
Depois do banquete, o baloiço improvisado com cordas presas aos troncos dos pinheiros mais robustos e uma tábua a servir de assento, fazia voar as meninas, com cócegas na barriga, no mundo da fantasia
“Parabéns e você…”, muitas palmas com beijinhos, e “muitos anos de vida” regados ao longo do tempo com lágrimas, mas floridos de muita alegria.
O pai Zé continua a agradecer a quem o ajudou e já se esqueceu, caminhando com a dor das prematuras despedidas do filho e, anos depois, do neto, que uma das meninas, no seu sentir de mãe roubada, honra dando os passos que ele gostava.
A aniversariante alcançou, no tempo que Deus determinou, a felicidade conjugal, que o príncipe da sua juventude não lhe pôde proporcionar, porque um combóio levou-lho.
A menina mais velha saltou barreiras, conquistou o mundo e partilha o bem que tem e o que sabe com os outros.
