O Poeta Azul – 4.ª página

Decorridas poucas horas, os passarinhos saudaram a aurora, o sol sorriu-lhe, as árvores espreguiçaram-se, as estrelas adormeceram, as crianças esfregaram os olhos, os pobres recolheram as mantas de cartão e a gaivota assobiou ao poeta.

Sentindo-se flutuar envolto num arco-íris estrelado e inspirando aromas embriagadores, o poeta alongou preguiçosamente o corpo, ergueu-se lentamente, ziguezagueou pelo quarto de mãos na cabeça, questionando-se:

“ – Sou eu? Estou sozinho em casa? Já acordei? Sonhei?!…”

Mas não encontrou respostas.

Aproximou-se da janela e vislumbrou a elevação de uma onda branca com traços de mulher, que lhe sorria; na areia, pegadas delicadas tinham escrito: “Bom dia!”

De olhos envernizado, o poeta pestanejou, incrédulo.

Os lábios da magnífica mulher desenhavam palavras indecifráveis no ar e a sua mão acenou-lhe.

Apercebendo-se de que retribuía a despedida, afastou-se da janela e justificou-se:

“- Coisas de poeta!”

(continua)

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